Ora, esta foi uma boa surpresa, depois de olharmos para ela pela primeira vez para ela com alguma “desconfiança”… A versão deste ano da Mondraker SuperFoxy R, sendo uma opção mais acessível que o modelo com quadro em carbono, parece um “torpedo” a descer. E a manobrar. Mas vejamos pormenores.
Como já dissemos, apesar de termos estranhado um pouco o design inicialmente, a habituação ao conceito de Forward Geometry deu-se com alguma facilidade alguns momentos depois e assim que começámos a “bombar” nas partes mais divertidas de cada percurso em que a testámos.

Uns saltos, uns drops, umas curvas mais rápidas, e percebemos que se trata de uma bike superenduro, como a própria Mondraker a define, que se consegue manobrar bastante bem. Sobretudo a alta velocidade, pois esta geometria de quadro da marca foi mesmo desenhada para se alcançar mais estabilidade quando as coisas “aceleram”.
Quanto mais hardcore é o terreno em termos técnicos, maior é o gozo que nos dá desfrutar da bicicleta.
Para não variar nestas plataformas de enduro, quanto mais hardcore é o terreno em termos técnicos, maior é o gozo que nos dá desfrutar da bicicleta. Aqui, manusear esta Mondraker SuperFoxy R permite manter a velocidade de forma estonteante e há uma leitura transmitida pelo sistema Zero que se revela suave e precisa. Até aqui tudo bem!
Suavidade…
Sentir essa suavidade pode ser bom e pode ser mau. A bike parece demasiado suave em alguns casos, diríamos nós, pois nas primeiras voltas, especialmente em trilhos mais fluidos, transmitiu-nos uma falsa noção de velocidade (em excesso!), o que resultou em algumas saídas do track mesmo em locais que já conhecemos e dominamos na perfeição.

Claro que isso é mau, mas é perfeitamente ultrapassável assim que ficamos a conhecer melhor a bicicleta. A parte boa vem a seguir: percebe-se que isto se deve ao facto de haver lugar a uma eficaz filtragem das irregularidades menos evidentes no piso, por “culpa” da generosidade do curso que esta Mondraker SuperFoxy R 2021 integra (170 mm) e aliando isso ao tamanho das rodas, com 29 polegadas.
Lembramos que ainda são vários os modelos de enduro com roda de 27,5 polegadas. Neste modelo isso não acontece e ainda bem, já que somos totalmente fãs e defensores da roda 29.
Mas relembramos que estes são momentos do tipo “pau de dois bicos”: temos diversão extra e uma boa absorção do terreno, mas, ao ser ocultado grande parte do feedback transmitido pelo trilho, podem acontecer erros de cálculo nos momentos chave, o que obriga a tirar as medidas duas vezes…..
Uma analogia: é como se seguissemos na auto estrada a 180 km/hora num potente carro topo de gama, daqueles que nos dá a perfeita sensação de que vamos a 120 km/hora e a cumprir os limites legais de velocidade. “Oh sr. polícia, nem dei conta que ia a tão rápido!”.
Houve situações em particular em que perdemos por completo a percepção da velocidade a que íamos. Uma delas a sair de uma curva para passar por cima de uma ponte de madeira, onde saímos do track ao perder o controlo na frente da bike. Fomos contra um tronco derrubado ao lado dela.

Outra: ao dar um salto que tem uma receção longa, mesmo assim acabámos por fazer “overshot” e ir parar a uma parte plana onde nunca antes tínhamos aterrado com outras bikes, mesmo ao irmos bem “largados”.
Por perto, numa curva sem qualquer dificuldade técnica e com alguma lama provocada pelas chuvadas recentes, notámos que os pneus montados podem nem sempre dar a aderência de que alguns praticantes de enduro necessitam.

É uma questão de gosto, contudo; havendo problema, a substituição por um pneu com suporte lateral mais pronunciado é relativamente simples e barato. Já as rodas DT Swiss E1900 Spline 29, de 30 mm em alumínio (tubeless ready) ajudam a compensar, pois transmitem muita rigidez e fluidez.
Ajustar o cockpit…
Por outro lado, se a descer a Forward Geometry favorece a estabilidade, a subir sentimos que todo o desempenho poderia ser mais favorável, até a rolar em percurso plano.
Temos uma sensação de que, para usufruir em pleno da capacidade desta bike, talvez seja preciso encurtar um pouco a estrutura e encontrar uma posição de ataque mais inclinada sobre o cockpit.
O avanço é curto, mas, dependendo do corpo de cada um, poderá ser preciso fazer ajustes. Nada de mais, mas a sair de curvas apertadas pode demorar a recuperar velocidade.
Diga-se que os discos de 200 mm destes travões Sram Core R cumprem bem a sua missão de “sossegar” a Mondraker SuperFoxy R.
Por seu turno, diga-se que os discos de 200 mm destes travões Sram Core R cumprem bem a sua missão de “sossegar” a Mondraker SuperFoxy R quando é preciso. Mas há algo mais equilibrado neste modelo: a transmissão.

Não se trata de um sistema a ocupar o topo das gamas Sram, mas o GX Eagle combina uma cassete 10-52t e um prato 32t num conjunto que nos faz “desconfiar” de que não se sentirá a falta de um prato 34t, à partida.
Alguns destaques:
Quadro em alumínio
É o 6061 SuperFoxy 29 Stealth Evo, com um ângulo da testa ou stack de 621 mm até ao tamanho M e 639 mm até ao XL. Mais “aberto” que o comum para assegurar uma maior eficácia, comodidade e controlo nas descidas, diz a marca. Rápido e muito robusto, irá certamente durar bastante tempo…

As super 38!
Está aqui um exemplar. Esta Fox 38 29 Float conta com 170 mm de curso e três afinações: micro ajuste de compressão, rebound a baixa velocidade e pré carga de ar.

Rodas tubeless ready
Como seria de esperar. Estas DT Swiss E1900 Spline 29 têm 30 mm e são feitas de alumínio, como manda a regra neste segmento. Preparadas para aguentar tudo, parece-nos. Não será por aqui que os mais exigentes trilhos trarão problemas.

Subir e descer
O selim SDG BEL-AIR 3.0 não é nada de especial, mas revela-se de certa forma confortável e faz uma boa equipa com o espigão telescópico Onoff Pija.

Avanço curto
Manda o downhill, o enduro e outras vertantes do género que assim deve ser. Neste caso, um Onoff Sulfur FG com 30 mm.

A nossa avaliação…
Estamos perante um “torpedo” no que toca a descer, com um quadro em alumínio (6061 SuperFoxy 29 Stealth Evo, hidroformado, sistema de suspensão Zero, link superior monobloco) de extrema fiabilidade, pronto para durar e ser desafiado.
Apesar de alguns ajustes que possam ser necessários efetuar dependendo do gosto de cada um, esta Mondraker SuperFoxy R é uma bicicleta tipo “tanque”, o que faz que nem sempre seja “amiga” das subidas mais íngremes e que acabamos sempre por ter de fazer na prática de enduro.
Esta Mondraker SuperFoxy R é uma bicicleta tipo “tanque”.
Está bem equipada, com uma transmissão eficaz, as rodas portam-se bem e a suspensão Fox 38 29 Float de 170 mm responde perfeitamente, com três posições de ajuste (micro ajuste de compressão, “rebound” a baixa velocidade e pré carga de ar).
No amortecedor, esta bike está equipada originalmente com um Fox X2; no entanto, a unidade que recebemos para teste está com um DPX2, uma gama abaixo, e mais limitado. Certamente que com o X2 teria sido possível ajustar de forma mais precisa no funcionamento do quadro e ter outro tipo de sensações…
Não esquecer que nos primeiros momentos pode haver demasiada filtragem do terreno, o que pode fazer com que sigamos mais depressa do que é aconselhável!
Pontos mais positivos
- Nas rodas, a escolha é boa. Rigidez na dose certa, fluidez, tração.
- Robustez. Explicamos: esta bike é uma verdadeiro “tanque”, graças a um quadro em alumínio bem construído que transmite grandes soluções de confiança a descer e a transpor obstáculos. Ganhamos “peito”!
- O sistema de transmissão surpreendeu um pouco pela eficácia e por ser adequado, quando numa primeira vista nos pareceu “curto”. Leia-se, uma cassete 10-52t e um prato 32t.
- Pouco mais de 15 kgs não é nada de considerável, visto que se encontramos aqui um quadro em alumínio. Face ao preço da versão em carbono, é recompensador, à partida.
Pontos a melhorar
- Notámos que o link principal do sistema Zero fica um pouco desprotegido… Por um lado, da sujidade projetada pelo pneu traseiro;, por outro lado, porque o quadro forma uma espécie de berço onde os detritos ficam alojados sem escoamento. Pode levar à necessidade de manutenção mais regular nos pivots, se bem que, no que toca a lavagens, ainda assim esta é uma zona bastante acessível.
- Apesar de não colocarmos outro espigão telescópico maior para confirmar, deu-nos a sensação de que no quadro M pode não dar para colocar mais curso do que os 125 mm com que a bike vem equipada, pelo facto de ter a passagem do amortecedor imediatamente abaixo do limite de inserção do seat tube. Se assim for, talvez este seja um fator limitativo, pois faz com que o selim em baixo totalmente obstrua de certa forma o movimento. Mas apenas em situações muito específicas, atenção, como em terrenos extremamente inclinados. Na maioria das situações não há problema algum.
Todas as fotos:
Galeria de pormenores:
Especificações da Mondraker SuperFoxy R 2021:
- Quadro: alumínio 6061 SuperFoxy 29 Stealth Evo, hidroformado, com sistema de suspensão Zero, link superior monobloco.
- Amortecedor: Fox X2 (mas a unidade que recebemos para teste inclui um amortecedor DPX2)
- Suspensão frontal: Fox 38 29 Float FIT GRIP EVOL Performance 170 mm
- Rodas: DT Swiss E1900 Spline 29, 30 mm, alumínio, tubeless ready
- Pneus: Maxxis Minion DHF 29 x 2.5 WT + Maxxis Minion DHR II 29 x 2.4 WT (tubeless)
- Manípulo de mudanças: Sram Trigger GX Eagle, 12v, X-Actuation 1:1
- Desviador: Sram GX Eagle, Type 3, com bloqueio, 1x12v, X-Actuation 1:1
- Pedaleiro: Truvativ Descendant 7K Eagle, 32t
- Cassete: Sram XG-1275, 10-52 dentes, 12v
- Selim: SDG BEL-AIR 3.0
- Guiador: Onoff Sulfur em alumínio 6061 (780 mm)
- Avanço: Onoff Sulfur FG 30 mm
- Travões: Sram Code R, pinça de 4 pistões, discos Centerline de 200 mm
- Peso: 15,08 kg
- Preço: 4.599 euros.
Site oficial:
Neste teste:
- Texto: Carlos Bruno ‘Carecovzki’ e Nuno Margaça
- Fotografia: Nuno Margaça
- Vídeo: Carlos Bruno ‘Carecovzki’
- Riders: Carlos Bruno ‘Carecovzki’




































