Muitos de nós já passaram pela experiência de decidir investir na bicicleta e depois perceber que foi dinheiro desperdiçado: a média de andamento é parecida, a fadiga aparece na mesma altura que antes e aquele colega que anda mais continua a ser mais forte, mesmo com uma bicicleta teoricamente inferior…
Isto acontece porque muitas vezes compramos sem termos como guia o que realmente influencia a forma como a energia passa do corpo para a estrada, eventualmente.
Se o objetivo for apenas ter uma bicicleta bonita, qualquer escolha serve. Mas se o objetivo for andar mais rápido, durante mais tempo e com menos desgaste, a pergunta muda: onde é que cada euro investido vale mais?
O maior erro é investir primeiro onde menos conta
A maior parte dos ciclistas começa pelo topo da pirâmide: quadro, rodas, grupo de transmissão…. Mas esta é a ordem emocional, não a racional. O problema é que os ganhos nesses componentes são marginais quando a base está mal resolvida.
Antes de pensar em upgrades caros, a pergunta deveria ser simples: estou a extrair tudo do material e da bicicleta que já tenho?
Pneus: o upgrade mais barato e com maior retorno
Os pneus são o único ponto de contacto com o solo e influenciam diretamente resistência ao rolamento, aderência, travagem e conforto. Um bom pneu, com pressão ajustada ao peso do ciclista e ao terreno, pode poupar mais energia do que rodas de carbono que custam dez vezes mais.
Mesmo assim, é comum ver bicicletas com rodas topo de gama montadas com pneus pesados, compostos lentos ou pressões erradas. É aqui que a maioria começa mal.
Se não estás a usar pneus rápidos e bem ajustados ao tipo de uso que dás à bicicleta, qualquer outro investimento está a ser feito fora de ordem.
Posição na bicicleta significa potência, conforto e aerodinâmica
Nenhum componente compensa uma posição errada. Um bike fit competente melhora a potência sustentável, reduz fadiga e resolve grande parte dos problemas de desconforto que muitos tentam corrigir comprando bicicletas novas.
Selim, avanço, guiador… tudo pontos críticos. Ignorá-los e partir para algo novo é tratar sintomas, não a causa.
O ciclista é o maior ‘travão’
A maior parte da resistência ao ar não vem da bicicleta, vem do corpo. Por isso, capacete aero e roupa bem ajustada oferecem ganhos reais de tempo, muitas vezes superiores aos de rodas aero, por uma fração do custo.
É um upgrade pouco visível, mas muito mais honesto do ponto de vista da física.
A manutenção adequada salva muitos watts
Uma corrente suja ou gasta rouba eficiência de forma constante. A diferença entre um grupo médio e um topo de gama é pequena, a diferença entre uma transmissão bem cuidada e outra negligenciada é imediata.
Quadros topo de gama prometem ganhos que, para a maioria dos ciclistas, são irrelevantes. A tecnologia atual já garante rigidez e eficiência suficientes em quadros de gama média. O mesmo se aplica a grupos eletrónicos que oferecem precisão e conforto mas não watts.
Rodas aero, sem uma posição aerodinâmica decente, resolvem o problema menor e ignoram o maior. Componentes em carbono para poupar 100 ou 200 gramas entram no território do placebo técnico.
A ordem correta de investimento
Primeiro pneus e pressão correta. Depois posição na bicicleta e pontos de contacto. Em seguida, a aerodinâmica do ciclista, capacete e vestuário. Só depois faz sentido discutir rodas, quadros e grupos. Concordas?
A maioria faz exatamente o inverso.
| Autor deste artigo: | |
|---|---|
| André Canuto |
| Crédito das imagens: | |
|---|---|
| Pixabay / Helix_Games |





