A grande questão para a primeira etapa de alta montanha é se Tadej Pogacar ou Jonas Vingegaard tentarão um ataque decisivo no Tourmalet. Estando empatados em tempo, o esloveno e o dinamarquês não têm a necessidade de atacar. Mas um eventual movimento de Isaac del Toro poderia isolar Vingegaard. No entanto, uma ofensiva da UAE e da Visma poderia testar os rivais, nomeadamente Paul Seixas e Remco Evenepoel, e criar uma vantagem numérica.
Ambas as equipas procurarão colocar homens na fuga do dia, pois a descida do Tourmalet e a subida final para Gavarnie são terrenos ideais para ciclistas-satélite. Sendo Pogacar e Del Toro corredores muito explosivos, uma estratégia alternativa poderia ser atacar na fase final da subida para Gavarnie, onde Vingegaard poderá ter mais dificuldades em responder e a superioridade numérica da equipa poderá fazer a diferença. Mas as diferenças não seriam grandes.
Outros ciclistas em destaque, como Paul Seixas, deverão optar por uma abordagem mais conservadora para garantir a consistência até Paris. Já a dupla da Red Bull, Remco Evenepoel e Florian Lipowitz, tem superioridade numérica, mas a falta de explosividade do alemão poderá limitar as suas opções na subida final. Evenepoel, por outro lado, poderá ser um fator determinante se a corrida não se partir por completo no Tourmalet, uma vez que a ascensão para Gavarnie não é íngreme e favorece o belga.
Tourmalet, o colosso dos Pirenéus pode fazer diferenças
A sexta etapa do Tour de France, que ligará Pau a Gavarnie-Gèdre num percurso de 186,2 quilómetros, marca a estreia da alta montanha na prova e promete ser um dia crucial para os homens da classificação geral. O percurso inclui as subidas ao Col d’Aspin, ao mítico Col du Tourmalet e a ascensão final a Gavarnie-Gèdre.
O Tourmalet, com os seus 17,1 quilómetros a uma pendente média de 7,3% e o topo a 2115 metros de altitude, será o ponto nevrálgico da jornada. É nesta subida histórica que se esperam os primeiros grandes ataques entre os principais favoritos, num dia onde a tática e a presença de ciclistas na fuga podem ser decisivas.
No que toca à batalha pela camisola amarela, Torstein Traeen parte com uma vantagem de 7.53 minutos sobre Tadej Pogacar, uma margem que, embora considerável, pode ser encurtada se a corrida explodir. Mais próxima está a luta com Sean Quinn, apenas 28 segundos atrás do norueguês. Mathias Vacek, a 3.50, também é um nome a ter em conta, dado o seu excelente momento de forma.
A grande questão é se Jonas Vingegaard e Tadej Pogacar se irão testar mutuamente no Tourmalet. A estratégia da Visma poderá passar por manter as diferenças curtas e o esloveno sob controlo, evitando perdas de tempo significativas como as que ocorreram no ano passado. A equipa dinamarquesa deverá preferir manter os seus homens junto de Vingegaard, a menos que surja uma oportunidade clara para arriscar com uma superioridade na frente da corrida.
Para os candidatos ao top-10, a etapa é de máxima importância. Ciclistas como Tobias Johannessen, Richard Carapaz, Tom Pidcock, Lenny Martínez e Ilan van Wilder podem beneficiar caso consigam manter-se no grupo principal, pois quem ficar para trás no Tourmalet arrisca-se a perder minutos preciosos.
A fuga também tem boas hipóteses de sucesso. Apesar de um início de etapa plano, a luta pela formação do grupo da frente poderá estender-se até à primeira subida, com muitas equipas interessadas em colocar homens na dianteira.

