Regulamentar os salários no ciclismo? O assunto voltou a estar em cima da mesa da UCI (talvez nunca tenha saído…), numa altura em que mais equipas ganham poderio financeiro, o que tem provocado uma subida de valores nos contratos de alguns ciclistas, com Tadej Pogacar à cabeça da lista dos ciclistas mais bem pagos do pelotão internacional. O senão é que também cria um fosso maior para as formações com maior limitação financeira.

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Numa altura em que possíveis tectos salariais estão novamente em discussão entre a UCI e a Associação Internacional de Grupos Ciclistas Profissionais (AIGP), recuperamos os valores que há pouco tempo foram divulgados e que completam o top 20 dos ciclistas mais bem pagos.

Tadej Pogacar e Mathieu Van Der Poel. Foto: Gregory Van Gansen/SprintCyclingAgency.

Quase todos são do World Tour e, para já, a maioria ainda são corredores com muitos anos de profissionalismo. Tendência, no entanto, que vai mudando aos poucos. Pogacar é o exemplo disso mesmo. Com apenas 23 anos, soma duas Voltas a França e dois monumentos para destacar num palmarés cada vez mais extenso e de uma qualidade impressionante. Sem surpresa, lidera a lista.

Aqui está então a lista dos ciclistas mais bem pagos, segundo o site Calcio e Finanza, sendo que fazemos uma pequena análise da mesma já a seguir (complementada por uma comparação rápida com outros desportistas bem pagos).

Top 20 dos ciclistas mais bem pagos:

1º Tadej Pogacar (UAE Emirates): 6 milhões de euros
2º Chris Froome (Israel-Premier Tech): 5,5 milhões
3º Peter Sagan (TotalEnergies): 5,5 milhões
4º Geraint Thomas (Ineos Grenadiers): 3,5 milhões
5º Egan Bernal (Ineos Grenadiers): 2,8 milhões
6º Michal Kwiatkowski (Ineos Grenadiers): 2,5 milhões
7º Julian Alaphilippe (Quick-Step Alpha Vinyl): 2,3 milhões
8º Alejandro Valverde (Movistar): 2,2 milhões
9º Richard Carapaz (Ineos Grenadiers): 2,2 milhões
10º Wout van Aert (Jumbo-Visma): 2,2 milhões
11º Vincenzo Nibali (Astana Qazaqstan): 2,1 milhões
12º Primoz Roglic (Jumbo-Visma): 2.0 milhões
13º Mathieu van der Poel (Alpecin-Fenix): 2 milhões
14º Adam Yates (Ineos Grenadiers): 2 milhões
15º Thibaut Pinot (Groupama-FDJ): 2 milhões
16º Romain Bardet (DSM): 2 milhões
17º Jakob Fuglsang (Israel-Premier Tech): 2 milhões
18º Elia Viviani (Ineos Grenadiers): 1,9 milhões
19º Nairo Quintana (Arkéa-Samsic): 1,9 milhões
20º Fernando Gaviria (UAE Team Emirates): 1,8 milhões

Voltando então a Tadej Pogacar, o mais bem pago de todos. Será o valor em causa adequado a um palmarés como este ainda sendo tão novo? A UAE Team Emirates pagará qualquer coisa como seis milhões de euros ano ao esloveno, sendo que o tem contratado até 2027. É preciso abrir os cordões à bolsa para segurar um ciclista como Pogacar.

Chris Froome. Foto: Israel-Premier Tech.

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No pódio surgem depois dois velhos conhecidos.está longe, muito longe do grande ciclista que foi, mas continuará a levar para casa 5,5 milhões, o mesmo que Peter Sagan.

Peter Sagan. Foto: Team TotalEnergies.

Há que salientar que estes dados foram divulgados pelo site italiano Calcio e Finanza, sendo que são números estimados e muitos deles baseados no que os corredores ganhavam em 2021. Incluem apenas salários e não patrocínios, o que provavelmente mudaria alguns lugares na tabela…

Neste top 20 surgem três ciclistas de equipas ProTeams (segundo escalão), mas todos eles de renome: o referido Peter Sagan (que este ano se mudou para a francesa TotalEnergies), o colombiano Nairo Quintana (Arkéa-Samsic) e a super estrela Mathieu van der Poel (Alpecin-Fenix), que continua a nem querer ouvir falar em mudar-se para uma formação World Tour.

A INEOS Grenadiers pode já não ser aquela equipa avassaladora de outrora no que à Volta a França diz respeito, contudo continua a ter capacidade para pagar bem a muitos. Seis dos seus ciclistas estão neste top 20.

A mudança

A chegada da então Sky ao pelotão começou a mudar as regras do jogo no que a salários diz respeito. Naturalmente que sempre houve ciclistas mais bem pagos que outros e equipas com mais capacidade para tal que outras. No entanto, a atual INEOS Grenadiers chegou a ter um orçamento a rondar os 50 milhões de euros, enquanto outras formações mal chegam aos 10.

A equipa INEOS Grenadiers. Foto: INEOS Grenadiers.

A capacidade financeira fez com que pudesse contratar qualquer corredor, oferecendo valores impossíveis para outras equipas. Isto fez com que, já em 2018, David Lappartient, presidente da UCI, abordasse o tema dos elevados salários, falando numa possível regulamentação.

Na altura, a sugestão aproximava-se mais de criar limites dentro das equipas, de forma que uma ou duas não pudessem pagar muito a vários ciclistas, tirando assim a hipótese de outras formações contarem com corredores mais fortes. Ou seja, o objetivo não passava por limitar os ciclistas propriamente dito, mas sim evitar que se criassem desequilíbrios maiores entre as equipas.

Entretanto, mais equipas começaram também elas a contar com apoios muito mais… abastados. Casos da UAE Team Emirates e a própria Israel-Premier Tech. A Jumbo-Visma, sendo uma das melhores equipas do mundo (depois de há uns anos ter vivido momentos muito complicados…) pode ter aumentado a sua capacidade financeira, mas ainda sem chegar a uma INEOS Grenadiers ou a uma UAE Team Emirates.

Wout van Aert. Foto: Jumbo-Visma.

A questão é agora haver mais equipas com muito dinheiro e depois outras estruturas com orçamentos reduzidos e que vão lutando para conseguir ter bons ciclistas. Mesmo apostando em jovens que formaram, podem chegar a um ponto em que será difícil mantê-los na estrutura.

Comparações…

Inevitavelmente olha-se para os valores no ciclismo e para os de outras modalidades e fica claro que não se aproximam das referências no futebol ou no basquetebol e no ténis, por exemplo.

Como foi referido, os valores divulgados pelo site italiano não incluem patrocínios ou outros cachês que os ciclistas ganham. No mais óbvio, que são os acordos com marcas de bicicletas, Peter Sagan há muito que é a imagem da Specialized. E a Canyon “agarrou” Mathieu van der Poel, por exemplo.

Mesmo sem conhecermos os números associados a estas ações, os ciclistas, mesmo que os ordenados e os eventuais acordos com patrocinadores sejam cada vez mais “simpáticos”, esta modalidade ainda está longe de outras.

Recuperando a lista da Forbes de 2021, o atleta que mais amealhou foi Conor McGregor, lutador da UFC: 180 milhões de dólares (cerca de 171 milhões de euros no câmbio atual), sendo que “apenas” 22 milhões foram diretamente do desporto. Seguem-se dois futebolistas: Lionel Messi (123 milhões de euros) e Cristiano Ronaldo (cerca de 114 milhões de euros).

Neste top 10 da Forbes, o 10º é o basquetebolista Kevin Durant (Brooklyn Nets), que ganhou cerca 71 milhões de euros, sendo que menos de metade foram amealhados diretamente na profissão, digamos assim. Sabe-se que Wout van Aert faz-se pagar bem entre patrocinadores e cachês, mas faltará um pouco para chegar ao valor de Durant!

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Elisabete Silva
Quando uma vasta experiência em jornalismo se junta a uma paixão imensa por bicicletas, o resultado é como música para os ouvidos do mais curioso ciclista. E é isso que esta mestre da modalidade acrescenta ao projeto GoRide.

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