Tom Pidcock (Pinarello-Q36.5) abordou o duelo com Tadej Pogacar (UAE Emirates-XRG) na Milão-Sanremo, os objetivos de carreira e a data em que planeia retirar-se, apontando já aos Jogos Olímpicos de… 2036. Tudo numa entrevista ao The Guardian.

PUB
Segue o GoRide no Instagram!

O ciclista britânico recordou a emocionante final da Milão-Sanremo, onde foi batido por Pogacar num sprint renhido na Via Roma, após quase 300 quilómetros de prova. Pidcock foi um dos únicos, a par de Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier Tech), a conseguir seguir as acelerações do esloveno na Cipressa, e o único a aguentar o ritmo do campeão do mundo na subida final ao Poggio.

A exibição de Pogacar foi ainda mais notável por ter sofrido uma queda poucos quilómetros antes da Cipressa, tal como Van der Poel. Pidcock descreveu a recuperação do seu rival de forma vívida: “Na subida do Poggio, quando estava a seguir o ataque dele, era como competir contra um zombie. Ele estava branco, com o equipamento branco, calções rasgados, com sangue. É um demónio. Foi incrível”.

Apesar da frustração pela derrota tangencial, Pidcock expressou uma enorme admiração pelo adversário. “Sinceramente, tenho muito respeito por ele depois daquilo. Podia facilmente ter atirado a toalha ao chão. Levantou-se. E ainda ganhou a corrida. Foi algo verdadeiramente incrível”, afirmou, acrescentando: “Ele [Pogacar] caiu e mesmo assim deixou todos para trás, exceto eu. E chegámos à meta a sprintar pela vitória. Obviamente, fiquei muito frustrado por ter sido tão renhido”.

Questionado sobre as críticas de que o domínio de Pogacar torna o ciclismo aborrecido, Pidcock foi direto: “Bem, temos de o aceitar. Mas não estão errados, pois não?”.

Após a clássica italiana, a época de Pidcock sofreu um revés com uma queda numa ravina na Volta a Catalunha, no final de março. No regresso, venceu uma etapa no Tour dos Alpes e, mais recentemente, manteve o seu registo perfeito na prova de elite da Taça do Mundo de BTT em Nové Mesto pela quinta vez.

Com as atenções agora viradas para o Tour de France, prova à qual regressa após um ano de ausência, Pidcock falou sobre as suas ambições nas Grandes Voltas. Recorde-se que na época passada o britânico foi terceiro na Vuelta a España, o seu primeiro pódio numa prova de três semanas. «A questão das Grandes Voltas não me entusiasma assim tanto, mas é uma conquista», admitiu. «Se conseguir ganhar uma Grande Volta, será a maior conquista da minha carreira, porque para mim é difícil concentrar-me durante três semanas».

PUB

O pódio na Vuelta, no entanto, deu-lhe confiança. “Tudo o que alcancei na minha carreira, imaginei sempre antes de o fazer. Nunca fiz nada do nada, como que por magia. Por isso, tendo esse patamar, sei que posso estar no pódio outra vez”, explicou. “Não estou a dizer que tenho a capacidade neste momento para vencer o Tadej, o [Paul] Seixas e o [Jonas] Vingegaard. Mas na situação certa, consigo ver isso a acontecer. E com a situação certa, posso ganhar uma grande Volta”.

Para além das grandes Voltas, Pidcock tem outros grandes objetivos, incluindo os Mundiais de estrada e mais medalhas olímpicas, tendo já definido uma data para o final da sua carreira. “Quero ganhar os mundiais de estrada. Assim terei vencido nas três disciplinas. E os mundiais de gravel, na verdade, mas se isso nunca acontecer não me importo muito. Quero um Monumento. E, claro, vou em busca de três medalhas olímpicas. O meu objetivo é terminar a carreira depois de cinco Jogos Olímpicos, por isso, depois dos Jogos de 2036, vou retirar-me”.

Antes do arranque do Tour de França em Barcelona, a 4 de julho, com um contrarrelógio por equipas, Tom Pidcock irá participar na Volta à Suíça, onde voltará a encontrar Tadej Pogacar.