A organização da Volta a França revelou esta quinta-feira, no Palais des Congrès em Paris, o traçado oficial para a edição de 2027. O grande destaque da prova recai sobre a inclusão de dois contrarrelógios individuais que somam 71 quilómetros, a maior extensão em exercícios contra o cronómetro na corrida desde o triunfo de Bradley Wiggins em 2012.
Com partida marcada para Edimburgo a 2 de julho (sexta-feira) e o tradicional epílogo em Paris a 25 de julho (domingo), a corrida totaliza 3.479 quilómetros e 53.450 metros de desnível positivo acumulado ao longo de 21 etapas. A edição contará excecionalmente com três dias de descanso, o primeiro dos quais logo após a 3.ª etapa para assegurar a travessia entre a Grã-Bretanha e o território francês.
The #TDF2027 :
🚩 3 479 km
📍 9 new stage towns and sites
⛰ 6 mountain stages
⏱️71 km of ITT
😱 53.450m of total vertical gainLe #TDF2027 :
🚩 3 479 km
📍 9 villes et sites étapes inédits
⛰ 6 étapes de montagne
⏱️71 km de chrono individuel
😱 53.450 m de D+ total https://t.co/U2c4UWUVZ6— Tour de France™ (@LeTour) October 22, 2026
Tadej Pogacar surge como o grande favorito à conquista de um inédito sexto título na prova francesa, mas o desenho da prova surge como um obstáculo calculado ao seu domínio, que em 2026 ficou sentenciado com um ataque a solo no Tourmalet logo na 6.ª tirada. A ASO aposta assim num formato desenhado para alimentar o suspense e oferecer aos especialistas do contrarrelógio – nomeadamente o campeão mundial Remco Evenepoel, a promessa francesa Paul Seixas e Jonas Vingegaard – a oportunidade de ganhar vantagem ou mitigar perdas antes da alta montanha. O diretor de prova, Christian Prudhomme, sublinhou que a colocação de contrarrelógios longos nas etapas 7 e 16 servirá de estímulo a uma corrida mais atacante.
Desenhado por Thierry Gouvenou, o itinerário conta com sete etapas planas, seis de média montanha e seis etapas de montanha (uma descida face às oito de 2026). As chegadas em alto foram reduzidas de cinco para três: Grand Colombier (9.ª etapa), Les Saisies (11.ª) e Col du Portet (18.ª), surgindo ainda o Col de Marie Blanque na 19.ª etapa, antes da descida para Laruns. O circuito final parisiense manterá a subida a Montmartre.
Grand Départ em Edimburgo
A Grand Départ britânico engloba três tiradas em linha. A jornada inaugural ligará Edimburgo a Carlisle, onde o estreante Matthew Brennan (Visma Lease a Bike) procurará vestir a primeira camisola amarela diante do pelotão de homens rápidos. A 2.ª etapa percorrerá 223 quilómetros entre Keswick e Liverpool, com passagem pelas colinas do Lake District, antecedendo a 3.ª etapa rumo a Cardiff, endurecida por sete contagens de montanha exigentes.
Já em solo francês, a 4.ª etapa desenrola-se ao longo da costa da Normandia, em redor de Cherbourg, sob a ameaça de cortes no pelotão provocados pelo vento e com a Côte du Becquet no final a servir de rampa de lançamento para corredores como Mathieu van der Poel. A 5.ª tirada entra na Bretanha com chegada a Plumelec, incluindo duas passagens pela Côte de Cadoudal (1,7 km a 6,2%), antes do previsível «sprint» maciço na 6.ª etapa entre Vannes e Angers (193 km).
7.ª etapa: primeira luta de galos
O primeiro grande embate entre os favoritos à classificação geral acontecerá na 7.ª etapa, num contrarrelógio de 38 quilómetros entre Blois e Chambord, pelas paisagens do Vale do Loire, num formato propício a Evenepoel fazer a diferença tal como sucedeu na fase inicial da Vuelta a Espanha de 2022.
Etape 9 / Stage 9 – #TDF2027
🚩 Villars-les-Dombes Parc des Oiseaux – Grand Colombier 🏁 162 km🤩 First mountain stage with 3,750 metres of elevation gain, finishing at the Grand Colombier to round off the first week!
🤩 Première explication en montagne avec 3750m de D+ et une arrivée au Grand Colombier pour clôturer la première semaine !
— Tour de France™ (@LeTour) October 22, 2026
Seguir-se-á uma 8.ª etapa acidentada através de Morvan até Le Creusot – onde em 2021 Matej Mohoric venceu e Primoz Roglic viu as suas ambições ruírem -, com a exigente inclinação de 18% no Signal d’Uchon a 18 quilómetros da meta. A primeira semana encerra na montanha do Jura (9.ª etapa), com as subidas ao Col du Berthiand, Côte des Neyrolles e Col de Richemond antes do final no Grand Colombier (17,4 km a 7,1%).

Com um traçado repleto de momentos decisivos para a classificação geral, a rota do Tour de França promete testar os limites do pelotão ao longo de etapas de montanha de elevada dureza nos Alpes e nos Pirenéus, além de um contrarrelógio individual determinante na terceira semana antes do tradicional encerramento em Paris.
10.ª etapa: chegam os Alpes
Após o segundo dia de descanso da prova, o pelotão regressa à estrada nos Alpes na 10.ª etapa rumo a Sallanches, num percurso que serve de antevisão às exigências do traçado dos Mundiais do mês seguinte. A tirada inclui passagens pelo Col du Plan de Salève e Montée de Brison antes da chegada a Sallanches, onde os ciclistas enfrentarão duas subidas: a Côte de Domancy de cada lado de Bettex e a Côte du Plateau d’Assy. Apesar da brevidade de algumas ascensões, a jornada acumula um desnível de 3.750 metros.
No dia seguinte, a 11.ª etapa eleva ainda mais a fasquia alpina com 4.750 metros de acumulado concentrados em apenas 150 quilómetros. O pelotão terá pela frente o Col de la Colombière, o Col de la Croix Fry e o Col de la Forclaz antes do desfecho em Les Saisies, através da exigente Montée de Bisanne (12,4 km a 8,3%).
Etape 11 / Stage 11 – #TDF2027
🚩 Cluses – Les Saisies 🏁 150 km⛰️ Nearly 5,000 metres of elevation gain and the Col du Pré – Montée de Bisanne section to finish on Bastille day!
⛰️ Près de 5.000m de D+ et l’enchainement Col du Pré – Montée de Bisanne pour finir en ce 14 juillet !
— Tour de France™ (@LeTour) October 22, 2026
Depois de uma provável oportunidade para os sprinters na 13.ª etapa rumo a Montpellier, as subidas regressam no dia seguinte na travessia do Maciço Central até Mende. A 14.ª tirada praticamente não oferece terreno plano, somando 4.300 metros de desnível com o Col de la Lusette, a Côte de l’Estrade e a dura Côte de la Croix Neuve – subida que marcou o Tour no feriado do 14 de Julho de 1995, protagonizada por Laurent Jalabert e pela ONCE.
A segunda semana encerra com uma ligação acidentada até Albi, na 15.ª etapa, que apresenta oito pequenas contagens de montanha espalhadas ao longo do dia.
16.ª etapa: crono antes de decisivos Pirenéus
A terceira e decisiva semana arranca em ritmo elevado com o contrarrelógio de 33 quilómetros em Toulouse, na 16.ª tirada, perfilando-se como um momento fulcral na luta pela camisola amarela. O teste é maioritariamente plano, mas conta com uma mudança abrupta de ritmo a menos de 10 quilómetros da meta, na curta e inclinada Côte de Pech David (800 metros a 12%).
Etape 18 / Stage 18 – #TDF2027
🚩 @Ville_Pau – Saint-Lary-Soulan Col du Portet 🏁 174 km👑 The queen stage of this Tour! With 5,400 metres of elevation gain and the climbs up the Tourmalet and the Col du Portet, the highest point of this #TDF2027.
👑 L’étape reine de ce Tour ! Avec 5.400m de D+ et l’ascension du Tourmalet et du Col du Portet, toit de ce #TDF2027.
— Tour de France™ (@LeTour) October 22, 2026
🔎 Etape 19 / Stage 19 #TDF2027
⛰ Col de Burdincurutcheta 📈 8,7 km, 9,3%
⛰ Col de Soudet 📈 15,2 km, 7,2%
⛰ Col de Marie Blanque 📈 7,7km, 8,6%🥵 Riders will need to pluck up their courage to tackle these final slopes in the Pyrenees!
🥵 Il faudra s’armer de courage pour affronter ces dernières pentes pyrénéennes !
— Tour de France™ (@LeTour) October 22, 2026
Após mais uma jornada desenhada para os sprinters na 17.ª etapa até Pau, a corrida entra no seu ato mais temível nos Pirenéus. A 18.ª etapa é, no papel, a mais dura de todo o Tour, com 5.400 metros de desnível positivo. A passagem pelo Col du Soulor, pelo mítico Col du Tourmalet e pela Hourquette d’Ancizan serve de prelúdio à chegada em alto no Col du Portet (16 km a 8,7%). A 2.215 metros de altitude, o Portet assinala o ponto mais alto desta edição e recebe um final de etapa pela terceira vez, depois dos triunfos de Nairo Quintana em 2018 e de Pogacar em 2021.
21.ª etapa: afinal, Montmartre permanece
As dificuldades pirenaicas continuam na 19.ª etapa, onde os ciclistas enfrentarão o Col de Burdincurutcheta, o Col de Bagargui e o Col de Soudet antes do Col de Marie Blanque (7,7 km a 8,6%), seguindo-se a descida até Laruns para um total de 4.300 metros de acumulado.
A penúltima jornada, em Libourne, apresenta um perfil de transição no qual os sprinters e a fuga deverão disputar a vitória na 20.ª tirada. A consagração final decorrerá em Paris, na 21.ª etapa, onde, pelo terceiro ano consecutivo, a subida a Montmartre integrará as voltas finais do circuito citadino antes do habitual desfecho nos Campos Elísios.

