O diretor da Volta a França, Christian Prudhomme, manifestou dúvidas quanto à possibilidade de Tadej Pogacar voltar a dominar a competição na edição de 2027, recentemente apresentada, tendo em conta as consequências físicas da queda sofrida pelo esloveno na Volta a Espanha.

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O ciclista, que igualou este ano o recorde de cinco vitórias no Tour, viu a parte final da temporada comprometida por uma concussão grave, bem como por fraturas na clavícula e numa vértebra. As lesões obrigaram-no a cinco semanas de repouso absoluto e afastaram-no da competição durante os últimos dois meses da época, numa altura em que se prepara para lutar pela conquista do sexto título.

“A verdadeira questão para mim, e desejo-lhe obviamente o melhor, é como terá ele recuperado da gravíssima queda na Vuelta. Porque o talento reside na superioridade física, mas também na destreza técnica na bicicleta”, afirmou Christian Prudhomme, em declarações ao jornal L’Équipe.

O responsável máximo da Grande Boucle recorreu a um exemplo recente para fundamentar as suas dúvidas quanto ao impacto psicológico do acidente ocorrido em Espanha: “A descida que ele fez do Tourmalet na última edição do Tour foi desconcertante e assombrosa. Após uma queda mesmo muito feia, continuará a ser o mesmo ciclista? Arriscará tanto? Há definitivamente algumas questões depois da queda. Se terá deixado marcas e quais serão as consequências”, questionou o dirigente.

Prudhomme evocou ainda um episódio marcante da história do Tour, protagonizado por Eddy Merckx, em 1969, quando o antigo ciclista sofreu uma violenta queda durante uma prova de pista, da qual resultaram um traumatismo craniano e lesões complexas nas costas.

“Eddy Merckx sempre disse que nunca mais foi o mesmo após o acidente em Blois. Sem dúvida que teve consequências mentais. Ele refere também que nunca mais foi o mesmo na montanha. Mas é verdade que isso não o impediu de vencer quatro Voltas a França depois”, concluiu Prudhomme.

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