A revelação do traçado da Volta a França de 2027, apresentada na última quinta-feira em Paris, desenha um cenário desafiante para as ambições da Visma na luta com Tadej Pogacar, Remco Evenepoel e Paul Seixas. Com 71 quilómetros de contrarrelógio individual, seis etapas de montanha e apenas três chegadas em alto, a prova francesa impõe uma nova abordagem estratégica à formação neerlandesa, numa altura em que a equipa ainda lida com a falta de dados conclusivos sobre a preparação de Jonas Vingegaard.
O elevado volume de quilómetros contra o relógio – dividido entre os 38 quilómetros da sétima tirada, entre Blois e Chambord, e os 33 quilómetros em redor de Toulouse, na 16.ª etapa – representa a maior extensão individual nesta vertente no Tour desde a vitória de Bradley Wiggins, em 2012. O figurino pode beneficiar Evenepoel, segundo classificado atrás de Pogacar em 2026, mas mereceu uma resposta confiante da estrutura da Visma.
“O contrarrelógio é uma disciplina na qual trabalhamos intensamente e onde investimos muito. Somos geralmente muito fortes nesta área e temos vários especialistas na equipa. Estas etapas contra o relógio vão desempenhar um papel determinante na classificação geral”, frisou Marc Reef, diretor desportivo da Visma, em comunicado divulgado no sítio oficial da equipa. O responsável considerou o percurso “bastante equilibrado», embora tenha sublinhado a escassez de finais no topo: “Há menos chegadas em alto e, na minha opinião, poderiam ter existido mais.”
From Great Britain to Paris. The 2027 Tour de France 𝐑𝐎𝐔𝐓𝐄 is here! 🗺️
Head of Racing Marc Reef takes us through what’s in store. 🐝🗯️
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Ainda assim, a montanha continuará a ser decisiva, com passagens pelo Grand Colombier (9.ª etapa), Les Saisies (11.ª) e o temível 18.º dia com meta no Col du Portet, jornada que inclui a subida ao Col du Tourmalet num acumulado de 5.400 metros de desnível positivo.
Por seu turno, o diretor geral da equipa neerlandesa, Richard Plugge, optou pela cautela nas declarações à TV2: “Temos de trabalhar com o traçado existente. Se é este, precisamos de encontrar a melhor forma de o rentabilizar. Há dois grandes contrarrelógios, pelo que teremos de trabalhar nisso e em todo o percurso com a equipa inteira. Temos de analisar primeiro e discutir depois.”
Paralelamente às características da prova, a Visma debate o planeamento de Jonas Vingegaard para 2027. Em 2026, o ciclista dinamarquês disputou a Volta a Itália antes do Tour, tendo vencido a corrida transalpina com mais de cinco minutos de vantagem sobre Felix Gall. Contudo, a experiência na ‘Grande Boucle’ ficou truncada: após o triunfo da Visma no contrarrelógio por equipas em Barcelona e de ter perdido 2.38 minutos para Pogacar no Tourmalet, Vingegaard seguia no segundo lugar a 4.30 minutos da liderança quando sofreu uma queda e abandonou na 15.ª etapa.
Esse abandono prematuro deixou o corpo técnico sem as respostas necessárias para avaliar a eficácia da ‘dobradinha’ Giro-Tour. “Ele estava mesmo em excelente forma. Obviamente, teve aquela grande queda, infelizmente, e não pôde demonstrar como tudo funcionaria na última semana. Esse era o grande desafio e a grande dúvida para o futuro”, confessou Plugge.
O diretor admitiu a frustração pela ausência de conclusões: “Para fazer uma análise correta torna-se mais difícil, porque nos faltam dados da 15.ª etapa em diante.”
Quanto à possibilidade de Vingegaard repetir o calendário com presença no Giro antes do Tour em 2027, o responsável mantém as opções em aberto: “Estamos em outubro. Encontramo-nos no processo de analisar tudo, avaliar e falar com o Jonas, com os outros ciclistas, treinadores e diretores desportivos.”
O Tour mantém-se no centro das ambições da Visma para a nova época, ainda que a formação neerlandesa não tenha fechado o programa definitivo de Jonas Vingegaard nem a abordagem tática ao traçado.
Plugge deixou bem clara a relevância da prova francesa para a estrutura: “Obviamente, é a maior corrida do mundo. E, para nós enquanto equipa, iremos analisar qual a melhor forma de gerir isso e tentar que seja o mais bem-sucedida possível.”
Apesar de o desenho da prova não corresponder na totalidade ao que desejava, Reef partilha do mesmo otimismo relativamente às perspetivas da Visma. O responsável destacou as primeiras tiradas em Grã-Bratanha e em France, apontando que os finais explosivos e o terreno difícil podem gerar diferenças inesperadas entre os candidatos à classificação geral. “É aí que a corrida será decidida”, anteviu.
“Parece um percurso que deverá assentar muito bem a vários dos nossos ciclistas. A nossa tarefa agora passa por analisar o traçado minuciosamente e utilizar essa análise para desenvolver um plano que nos garanta a melhor probabilidade possível de sucesso como equipa”, sustentou Reef, vincando ainda: “Uma coisa é certa: este percurso oferece-nos inúmeras oportunidades para alcançar grandes feitos.”

