O francês Alexis Guerin, da Anicolor-Campicarn, assinou uma exibição de enorme autoridade na quarta etapa da Volta a Portugal. O ciclista de 34 anos atacou a 15 quilómetros da meta, isolou-se na subida ao ponto mais alto de Portugal continental e conquistou a camisola amarela de líder da prova.
Numa jornada marcada pelo domínio absoluto da sua equipa nos 154,6 quilómetros desde Figueiró dos Vinhos, Guerin cruzou a meta com uma vantagem de 1.44 minutos sobre o seu colega de equipa Artem Nych, vencedor das duas últimas edições da prova. Os restantes adversários diretos acumularam atrasos no limiar dos dois minutos.
A corrida começou a desenhar-se cedo, com uma fuga de 11 corredores nos primeiros 35 quilómetros que incluía o então camisola amarela, Rui Oliveira (UAE Emirates), focado na disputa da camisola dos pontos. Contudo, a Anicolor controlou a perseguição com o apoio da Efapel e da Euskatel-Euskadi, anulando a margem à entrada da subida para a Torre.
A 17 quilómetros do alto, Louis Ferreira (Anicolor) impôs um ritmo forte que reduziu o grupo principal a pouco mais de uma dezena de unidades, preparando o terreno para o ataque decisivo de Guerin dois quilómetros depois. Adrià Pericas (UAE Emirates) tentou responder, mas a falta de entendimento no grupo perseguidor e um ataque tardio de Nych consolidaram a dobradinha da estrutura portuguesa.
“Foi uma vitória impressionante, a maior da minha carreira”
No final da etapa, visivelmente emocionado com o triunfo, o novo camisola amarela não escondeu a satisfação. “Estou muito contente. Foi uma vitória impressionante, a maior da minha carreira. E ainda mais porque a minha mulher e a minha filha estiveram aqui a assistir”, confessou o francês, destacando de seguida o plano estratégico coletivo: “Foi muito importante também para a minha equipa. A tática funcionou na perfeição, com o Louis Ferreira e o Artem Nych, foi espetacular.”
Apesar de ter ultrapassado Artem Nych na classificação geral, Guerin rejeitou de imediato qualquer cenário de rivalidade interna na formação de Águeda. “Não penso assim. Agora estou à frente, mas estamos ao mesmo nível. Trabalhamos para a equipa e como amigos e colegas. Em primeiro lugar estão os interesses da equipa”, asseguram o atleta, que recordou o sofrimento vivido a caminho do topo da Serra da Estrela: “A subida é muito longa e dura. Nunca mais acabava…”
Com a liderança mútua consolidada, o ciclista foca-se agora no contrarrelógio que se segue, preferindo não fazer prognósticos antes do merecido repouso. “Não sei. Primeiro vou descansar, dormir bem, comer bem e… voltar a comer… Vamos ver”, respondeu. Alexis Guerin fechou o dia deixando bem clara a importância que atribui à principal competição do ciclismo nacional: “A Volta a Portugal é muito dura e competitiva. É o meu Tour de França.”

