Tadej Pogacar surpreendeu na conferência de imprensa de antevisão da Volta a França, quinta-feira, em Barcelona, ao recusar limitar a luta pela camisola amarela ao esperado duelo com Jonas Vingegaard. O esloveno incluiu ainda o jovem companheiro de equipa Isaac del Toro entre os possíveis candidatos à vitória final.
Questionado sobre se o dinamarquês seria o único adversário capaz de discutir o triunfo, o líder da UAE Emirates-XRG alargou o lote de favoritos.
“Não creio que ele [Vingegaard] seja o único que se pode aproximar da vitória. Penso que há aqui alguns ciclistas que também podem ambicionar a camisola amarela. O rapaz ao meu lado”, afirmou, apontando para Del Toro, antes de voltar a destacar a rivalidade com o bicampeão do Tour.
Pogacar reconheceu que os duelos com Vingegaard elevaram o nível competitivo de ambos nas últimas temporadas. “Penso que nos elevamos um ao outro a novos patamares todos os anos. Veremos até onde conseguimos ir este ano”, comentou.
Apesar de chegar à Volta a França com apenas 16 dias de competição em 2026, o campeão do mundo mostrou-se tranquilo quanto à sua condição física. “Sinto-me muito bem. Apenas 16 dias de corrida, mas os quilómetros de treino também contam. Foram muitos, por isso penso que estamos prontos”, garantiu.
O esloveno abordou ainda a crescente procura por ganhos marginais no ciclismo moderno, defendendo que o segredo está em saber quando parar de experimentar novas abordagens. “A maior vantagem para qualquer atleta é saber quando é suficiente parar de explorar coisas novas e ater-se ao que é melhor para si, encontrando o equilíbrio entre fazer demasiado e fazer demasiado pouco”, explicou. “Por vezes, a melhor recuperação é simplesmente ficar no sofá e não fazer nada.”
A preparação para o Tour sofreu uma alteração de última hora devido à ausência nos campeonatos nacionais, mas Pogacar considerou que o contratempo acabou por ter um lado positivo.
“Era suposto ir aos campeonatos nacionais, mas infelizmente as coisas não correram como planeado. O mais importante foi estar em casa e passar algum tempo juntos”, referiu, acrescentando que aproveitou os dias para descansar, aprender novas receitas e treinar com amigos. “Foi bom estarmos juntos. Acho que isso também me ajudou a preparar para o Tour.”
Questionado sobre a força da UAE Emirates-XRG, Pogacar recusou estabelecer comparações com as equipas dos anos anteriores. “Acho que tivemos uma grande equipa em todos estes anos. Nunca diria que tivemos uma equipa má. Às vezes há problemas, outras vezes os ciclistas lesionam-se e, no final, a equipa pode parecer menos forte”, afirmou.
Ainda assim, mostrou-se confiante na formação que o acompanha este ano. “Penso que esta equipa é mais ou menos como a do ano passado. O Isaac é um membro muito importante. O nosso objetivo é vencer a Volta a França e vamos tentar alcançá-lo. Não será uma corrida fácil, mas temos muitas táticas.”
O arranque da prova em Barcelona tem também um significado especial para o esloveno, vencedor da Volta à Catalunha em 2024. “Gosto muito de Barcelona. É uma das cidades mais interessantes do mundo. É bom estar aqui”, disse, antes de brincar: “Seria melhor estar aqui de férias, mas estou ansioso pelo Grand Départ. Estou muito entusiasmado por correr por aqui.”
Pogacar destacou ainda a familiaridade com as estradas catalãs. “As estradas são semelhantes às da Catalunha. Nestes dias estamos no mesmo hotel onde ficámos durante a Volta à Catalunha. Parece tudo bastante familiar. Estou ansioso pelo início.”
Por fim, questionado sobre o que desejava para Isaac del Toro nas próximas semanas, respondeu de forma curta, mas elucidativa sobre a ambição da UAE Emirates-XRG. “Que ele ganhe a Volta a França.”

