Entre as várias e-bikes de montanha light que já experimentámos, há algumas que nos vão ficar na memória. Isso já nos aconteceu com vários modelos e com esta divertida Santa Cruz Heckler SL (testamos aqui a versão XO AXS RSV Carbon CC) sucede o mesmo…
Basicamente, uma e-BTT com uma ciclística inconfundível e com todo o ADN da icónica gama Heckler da Santa Cruz. Mas como isso nunca chegaria, a marca esmerou-se e reuniu neste modelo SL vários pontos a ter em conta pela positiva, sendo que, naturalmente, também há pontos a melhorar.
Vamos olhar para todos eles; mas, antes disso, fica o convite para veres o vídeo acima: em apenas um minuto podes ver esta Santa Cuz Heckler ao pormenor, bem de perto, como raramente a vemos. À beira-mar, claro, pois as arribas do Oeste foram o cenário de testes perfeito. Isso e também a floresta, a serra e até o skate park. Este abaixo é um vídeo da marca:
Então, podemos afirmar que a Heckler SL é um autêntico “brinquedo” a bateria! Para o mais puro trail, numa combinação razoável entre dimensões, geometria otimizada, peso e potência do motor. Sendo esta uma e-bike com motor Fazua, uma das primeiras coisas a fazer é instalar a FazuaApp no smartphone para ajuste de muitos parâmetros interessantes.

De seguida, “medir” o que o motor e a bateria nos vão permitir fazer nos trilhos. E é bastante, tendo em conta que se trata de uma e-BTT do segmento leve.
Falamos do motor Fazua Ride 60 que já conhecíamos de outras bicicletas, com 60 Nm e os tradicionais três modos de assistência em que se destaca a funcionalidade que nos dá um “pico” de energia extra durante 12 segundos, algo muito útil para passar obstáculos.
E a suavidade com que o motor “cortar” ao atingirmos os 25 km/hora é um “trunfo”; mesmo quando vamos a pedalar acima dessa velocidade, não sentimos aquele “recuo” do motor como numa bicicleta elétrica mais antiga. O motor está lá a subir sempre que é preciso e nas descidas nem nos lembramos que estamos numa bicicleta elétrica…

Aliás, esta é uma das bicicletas para que olhamos e à primeira vista ficamos na dúvida se é elétrica ou não: motor muito discreto, manípulo do sistema elétrico no cockpit muito discreto, display integrado no top tube de forma harmoniosa, para acompanharmos o modo em que estamos e o estado da bateria…

Por falar nela, a unidade de 430 Wh instalada (não é possível removê-la) equivale a uma 625 Wh, diz a Santa Cruz. Não sabemos ao certo se assim é, mas é certo que em várias voltas que demos num grupo de elétricas de trail acbámos sempre com bastante energia de sobra. Isto gerindo bem os modos e utilizando os modos mais potentes só em caso de necessidade.
A juntar a isso, o quadro em carbono está bem conseguido e com uma geometria interessante, aliada ao sistema de suspensão total VPP da Santa Cruz. E refira-se que é uma mullet em todos os tamanhos e versões.

Nos trilhos, ter roda 29” à frente e 27,5” atrás é o melhor de dois “mundos”. Temos uma frente muito agressiva (bom controlo com o avanço curto e o guiador de 800 mm, este último em carbono), ágil a passar obstáculos, e uma traseira mais “ligeira” que torna a bicicleta boa a curvar.

Temos a opção de mudar a geometria com um flip chip instalado no quadro e os 19 kg estão muito bem distribuídos. Isto ajuda a que todo o amortecimento também funcione bem… À frente, a RockShox Lyrik Ultimate 160mm; atrás, o amortecedor RockShox Super Deluxe Ultimate com 150 mm.

E este último é a melhor parte desta Heckler SL. A parceria entre a Santa Cruz e a RockShox para desenvolver este amortecedor e conjugá-lo com o sistema VPP resulta, sem dúvida. Constatamos isso logo na primeira descida que fizemos com a bicicleta. Capacidade de leitura em excelente plano.
Devido ao amortecedor estar bastante “escondido” no quadro e dificultar o ajuste do SAG, gostamos da pequena janela que nos dá acesso a este ajuste mais facilmente. Um pormenor a destacar.
Em complemento, também gostamos das rodas, que nem sempre são em carbono nestas e-bikes de trail e aqui sim, são em carbono. São umas Reserve com garantia vitalícia, cubos Industry Nine que dispensam apresentações e uma rígidez adequada. Aguentam-se bem! E, quando aos pneus Maxxis Minion DHR II, nada a assinalar.
A transmissão também não surpreende: todo um sistema Sram X0 Eagle AXS eletrónico e a funcionar na perfeição, como já é habitual, e sem nada a reportar neste tempo em que utilizámos a bicicleta. Passagens suaves, cassete 10-52t.
Já os travões, sim, surpreendem. Foi a primeira vez que experimentámos os novos Sram Code numa elétrica de montanha, em que normalmente é preciso um bom desempenho de travagem, especialmente a chover.
Ficámos surpreendidos pela versão bastante melhorada no que toca ao feeling do travão; a potência continua lá, mas o “toque” de travagem mudou bastante, para melhor. Bem como o novo design das manetes, que nos agrada, além da opção por discos de 200 mm.
Por fim, duas notas menos positivas: o preço e o facto de não ser possível tirar a bateria e carregá-la em casa e não junto à bicicleta quando não está a ser usada, algo de que gostamos particularmente por questões práticas.
E referimos o preço porque esta Santa Cruz pode chegar aos 12.999 euros quando na versão mais bem equipada e topo de gama, sendo que esta versão é ligeiramente mais barata. Um dos nossos “sonhos” nas elétricas de montanha é que os preços baixem bastante, mas parece que ainda estamos longe desse “caminho”…
Ficha técnica da Santa Cruz Heckler SL XO AXS RSV Carbon CC:
Mais info:
Distribuição em Portugal:
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Neste teste:
- Texto e teste: Rodrigo Vicente e Jorge D. Lopes
- Fotos e vídeo: Rodrigo Vicente
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