A Volta à Romandia de 2026, que decorrerá entre esta terça-feira e 3 de maio, marcará a estreia de Tadej Pogacar em corridas por etapas nesse ano. A prova surge após as clássicas da primavera, sendo uma oportunidade para muitos ciclistas salvarem a campanha, e terminará uma semana antes do início da Volta a Itália (dia 8).

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Uma das sete principais corridas por etapas fora das grandes Voltas, a Volta à Romandia tem uma história rica desde a sua primeira edição em 1947, vencida pelo belga Désiré Keteleer. Disputada na parte francófona da Suíça, a prova já coroou lendas do ciclismo como Eddy Merckx, Bernard Hinault, Stephen Roche e Laurent Jalabert.

Mais recentemente, nomes como Cadel Evans, Bradley Wiggins e Chris Froome venceram aqui antes das primeiras vitórias no Tour de France. O palmarés inclui ainda ciclistas de renome como Nairo Quintana, Richie Porte, Primoz Roglic e Geraint Thomas. Os vencedores mais recentes foram Adam Yates em 2023, Carlos Rodríguez em 2024 e o português João Almeida em 2025, que conquistou a camisola amarela no último dia.

As etapas

Prólogo: Villars-sur-Glane (3,1 km)

A corrida arranca com um prólogo atípico e exigente em Villars-sur-Glane. Com apenas 3,1 quilómetros, o percurso não é plano, começando com uma descida rápida seguida por uma subida de 1,3 quilómetros a 5% de inclinação média. O ponto decisivo será uma rampa de 800 metros a 7%, onde a potência e a aerodinâmica serão cruciais para obter as primeiras diferenças, ainda que mínimas.

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Etapa 1: Martigny – Martigny (170,9 km)

A primeira etapa em linha, no vale do Ródano, apresenta um perfil característico da região. O pelotão enfrentará um circuito inicial com três passagens por uma subida de 2,5 quilómetros a 8,5%. O grande desafio do dia, e da corrida, será a brutal ascensão a Ovronnaz, com 8,9 quilómetros a uma pendente média de 9,8%. Esta subida, que termina a 35,5 quilómetros da meta, promete fragmentar a corrida antes de uma descida tática e do regresso ao vale plano para a chegada em Martigny.

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Etapa 2: Rue – Vucherens (173,7 km)

A segunda etapa, embora sem uma montanha de categoria especial, acumula 2700 metros de desnível ao longo de 173,7 quilómetros. O percurso ondulado, com um circuito final de três voltas, é ideal para especialistas em clássicas ou para uma fuga bem-sucedida. A subida final, com 3,1 quilómetros a 5,4%, termina a apenas 2,5 quilómetros da meta e poderá ser o palco de ataques decisivos. Caso contrário, um sprint num grupo reduzido será a única oportunidade para os homens mais rápidos da semana.

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Etapa 3: Orbe – Orbe (176,5 km)

A terceira etapa é um dia de montanha, mas talvez o mais acessível dos quatro. O perfil é perfeito para os «baroudeurs» (especialistas em fugas), independentemente de serem trepadores ou roladores. O início acidentado favorece a formação de uma fuga forte, e como as diferenças na geral já deverão ser significativas, é provável que o pelotão conceda liberdade aos fugitivos.

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Etapa 4: Broc – Charmey (Val-de-Charmey) – 149,3 km

A quarta etapa, com 149,3 quilómetros entre Broc e Charmey, será um dia de montanha com a particularidade de os ciclistas subirem a mesma montanha, o Jaunpass, por três vertentes diferentes. A subida mais dura, com 8,1 quilómetros a 8,3% de inclinação média, termina a apenas 16,5 quilómetros da meta, seguida por uma descida e um falso plano até ao final.

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Etapa 5: Lucens – Leysin (182,6 km)

A quinta e última etapa, de 182,6 quilómetros entre Lucens e Leysin, promete ser decisiva. Após um início ondulado, ideal para a formação de uma fuga, os ciclistas enfrentarão a subida final para a estância de esqui de Leysin. A ascensão, com 14,3 quilómetros e uma pendente média de 5,9%, tem a sua base em Aigle, sede da UCI. Os quilómetros mais difíceis situam-se no terço final, pelo que a ação deverá estar reservada para perto da meta, que coincide com o topo da montanha.

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Os favoritos

Tadej Pogacar surge como o principal candidato a vencer a Volta à Romandia de 2026, numa prova marcada por um percurso montanhoso. O campeão do mundo chega em boa forma e é considerado o favorito… para todas as etapas. A questão principal será se a equipa UAE Emirates, de que faz parte o português Ivo Oliveira, pretende controlar a corrida em todas as jornadas. Não se esperam grandes ataques dos rivais do esloveno, a menos que Pogacar tenha um dia particularmente mau numa das etapas rainhas.

Entre os principais adversários do esloveno destacam-se Florian Lipowitz (Red Bull – BORA – hansgrohe), que é apontado como o segundo favorito. O alemão, que se destacou nesta mesma prova há dois anos, tem vindo a melhorar a sua forma ao longo da primavera e o percurso adequa-se às suas características. A sua equipa apresenta ainda nomes como Primoz Roglic e Daniel Martínez, que podem lutar por um lugar no pódio.

Outros nomes a ter em conta na luta pela classificação geral incluem Oscar Onley, líder da INEOS Grenadiers, e Lenny Martínez da Bahrain – Victorious, embora a forma de Antonio Tiberi e Damiano Caruso seja uma incógnita. A lista de candidatos estende-se a outros trepadores como Lorenzo Fortunato, Cristián Rodríguez, Pablo Castrillo, Jorgen Nordhagen, Luke Plapp, George Bennett, Georg Steinhauser e Marco Brenner.

O canal Eurosport transmite em direto a fase final de todas as etapas.