A 19.ª etapa do Giro de Itália, na sexta-feira, ficou marcada não só pela luta na classificação geral, mas também por uma acesa troca de acusações entre Einer Rubio e Giulio Ciccone, que se acusaram mutuamente de quebrar um acordo verbal feito durante a corrida.
Os dois ciclistas, que procuravam uma vitória em etapa ao longo de todo o Giro, chegaram a liderar a corrida juntos após se destacarem do grupo da frente na subida para Coi. Contudo, a tensão aumentou drasticamente no Passo Falzarego, a penúltima subida do dia, onde um alegado pacto foi quebrado.
Segundo Einer Rubio, da Movistar, existia um acordo com a equipa Lidl-Trek para dividir os prémios intermédios. O colombiano afirma ter ajudado Giulio Ciccone a garantir os pontos para a classificação da montanha, com a promessa de que poderia disputar o quilómetro especial da Red Bull.
“Concordei com a Lidl-Trek em trabalharmos juntos, deixar o Ciccone ganhar a classificação da montanha para que ele me deixasse o quilómetro da Red Bull, mas eles não cumpriram a palavra. Quiseram ser espertos”, declarou Rubio no final da etapa.
Visivelmente frustrado, o trepador colombiano detalhou o sucedido: “Falámos com o Ciccone: ele ficava com os pontos da montanha, e eu até ajudei a puxar para depois poder ficar com o quilómetro da Red Bull, mas eles fizeram-se de espertos e levaram ambos”. Rubio concluiu com uma reflexão sobre a ética no pelotão: “Não cumprem a palavra. É ciclismo, mas às vezes é preciso ser humano primeiro”.
Como aparente retaliação, Rubio sprintou para bater Ciccone no topo da montanha seguinte, apesar de a classificação já estar praticamente garantida para o italiano. Após uma discussão entre os dois no cume, Ciccone atacou na descida.
Por sua vez, Giulio Ciccone também não poupou nas palavras ao comentar o incidente. O ciclista da Lidl-Trek, que acabou por ser alcançado a dois quilómetros da meta, viu mais uma oportunidade de vencer uma etapa escapar-se, com a vitória a sorrir a Sepp Kuss.
“O Rubio ficou zangado porque queria os quilómetros da Red Bull, mas isso era algo para os ciclistas da geral devido às bonificações, eu não tive nada a ver com isso”, defendeu-se Ciccone, acrescentando que Rubio “pensou que a culpa era minha”.
O italiano admitiu ter cometido um erro ao confiar no seu rival e criticou a sua atitude. “Cometi um erro na contagem de montanha, confiei nele, mas o que ele fez foi uma atitude bastante mesquinha”, concluiu Ciccone, numa troca de palavras pouco comum de se tornar pública no ciclismo.



