A Volta a Itália regressa hoje a Itália com a quarta etapa a ligar Catanzaro a Cosenza, na Calábria.
Após três dias na Bulgária e um dia de transferência, esta é a primeira etapa em solo italiano – e o perfil não é tão simples quanto os 138 km e 1.800 metros de altitude sugerem.
A partida está marcada para as 13h40 locais, com chegada prevista para as 17h03.
O Cozzo Tunno muda tudo. O traçado começa sem grandes dificuldades, com estradas largas entre Catanzaro e Lamezia Terme e depois ao longo da costa tirrena.
A corrida muda depois de San Lucido, onde começa a subida ao Cozzo Tunno – quase 15 km de ascensão, sem gradientes severos, mas longa o suficiente para fazer estrago nos sprinters puros se o ritmo for elevado.
No alto, o pelotão desce até à planície do Crati antes de uma aproximação ligeiramente ascendente a Cosenza. A reta final tem 450 metros a 3,7% – não é uma chegada de puncheur, mas favorece claramente os velocistas com mais força nas pernas.
Etapa 4
Data: 12 maio
Partida: Catanzaro
Chegada: Cosenza
Distância: 138 km
Acumulado: 1.681 m
Depois do primeiro dia de descanso, o Giro entra em Itália pela Calábria. A 4.ª etapa, entre Catanzaro e Cosenza, parece acessível, mas tem uma subida longa a meio e final ligeiramente ascendente.

Quem está melhor posicionado?
Tobias Lund Andresen pode surgir como o nome mais indicado para este tipo de chegada. O dinamarquês tem velocidade de sprint mas também resistência suficiente para sobreviver bem a uma subida longa. Se o grupo chegar reduzido a Cosenza, a ligeira inclinação final joga a seu favor.
Corbin Strong é outro corredor cujo perfil se adequa ao dia. Não depende de um sprint controlado e organizado – e isso torna-o perigoso precisamente nos dias em que o caos substitui o comboio.
Paul Magnier não pode ser ignorado. Dois triunfos em três etapas dão-lhe confiança e a Soudal Quick-Step tem estrutura para o proteger.
O problema é que a equipa vai ter de controlar uma subida longa, gerir a descida e ainda chegar a Cosenza com homens para o lançar. É mais exigente do que nas etapas búlgaras.
Ben Turner e Jonathan Narvaez encaixam bem se a corrida partir e o sprint ficar desorganizado. Turner tem força para sobreviver à subida e velocidade suficiente num grupo reduzido. Narvaez tem punch para uma chegada em contrapendente e não precisa de um sprint clássico para vencer.
Os sprinters puros em risco
Jonathan Milan quer o triunfo que ainda lhe escapa neste Giro, mas o Cozzo Tunno é exatamente o tipo de obstáculo que pode deixar um velocista puro sem apoio mesmo que sobreviva à subida.
Dylan Groenewegen enfrenta o mesmo problema. Chegou ao pódio em Sófia mas esta não é a sua etapa ideal.
Kaden Groves adapta-se melhor a chegadas difíceis do que os anteriores. Se os comboios de sprint ficarem desgastados pela subida, pode ser um dos beneficiados.
Pode alguém atacar?
Sim – e há espaço para isso. A descida do Cozzo Tunno, as curvas urbanas nos últimos 3 km e a ligeira inclinação final criam momentos de hesitação onde um ataque tardio pode resultar.
Filippo Ganna é o nome mais óbvio neste cenário. Se as equipas de sprint se entreolharem depois da descida, a sua potência pode transformar uma pequena vantagem em algo difícil de fechar.
Giulio Ciccone, Lennert van Eetvelt, Jan Christen e Jasper Stuyven são outros nomes a seguir se a corrida sair do guião do sprint organizado.
As equipas da geral em modo defensivo
Para Jonas Vingegaard, Egan Bernal e restantes candidatos à geral, a prioridade é simples: evitar quedas, evitar divisões e chegar a Cosenza sem gastar energia desnecessária.
A primeira grande seleção na montanha ainda está longe. Esta é uma etapa de gestão de risco – mas o perfil irregular pode torná-la mais stressante do que parece no papel.
Guillermo Thomas Silva e a XDS Astana têm ainda a responsabilidade acrescida de defender a maglia rosa em solo italiano pela primeira vez.



