Demi Vollering (FDJ UNITED-SUEZ) sagrou-se este domingo bicampeã da Volta a França Feminina, após vencer a nona e última etapa da prova. A ciclista neerlandesa impôs-se em solitário na Promenade des Anglais, em Nice, depois de um ataque decisivo na derradeira subida que deixou para trás a sua principal rival, Kasia Niewiadoma-Phinney (CANYON//SRAM).

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A etapa final, disputada em torno de Nice, prometia ser explosiva, com um percurso que incluía quatro exigentes subidas ao col d’Èze. A decisão da quinta edição da prova estava reservada para este dia, com o duelo entre Vollering e Niewiadoma-Phinney a ser o principal foco de atenção.

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Logo após o arranque, dado por Marion Rousse, diretora da prova, a neerlandesa Loes Adegeest (Lidl-Trek), eleita a mais combativa da oitava etapa, lançou-se numa fuga. O ritmo inicial revelou-se fatal para Marianne Vos (Team Visma | Lease a Bike), que foi a primeira a ficar para trás. Durante a primeira subida, Lorena Wiebes (Team SD Worx-ProTime) conseguiu manter-se no grupo da frente para disputar o sprint intermédio, garantindo 17 pontos que lhe asseguraram a conquista da camisola verde.

A segunda ascensão ao col d’Èze foi feita a um ritmo alucinante, imposto pela campeã britânica Zoe Bäckstedt (CANYON//SRAM). A sua aceleração fragmentou o pelotão e causou dificuldades a ciclistas como Kim Le Court-Pienaar (AG Insurance-Soudal Team) e, de forma mais surpreendente, a Marlen Reusser (Movistar Team), terceira classificada da geral. A suíça ficou rapidamente a mais de 50 segundos do grupo da camisola amarela.

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Na descida, Reusser arriscou para tentar recuperar o tempo perdido, mas sofreu uma queda que a afastou em definitivo da luta pelo pódio. Visivelmente abalada, com o joelho a sangrar e em lágrimas, retomou a marcha a um ritmo lento, acompanhada por quatro colegas de equipa.

Já na terceira passagem pelo col d’Èze, Cédrine Kerbaol (EF Education-Oatly) tentou a sua sorte, mas foi a canadiana Isabella Holmgren (Lidl-Trek) quem conseguiu isolar-se, chegando a ter mais de 30 segundos de vantagem. No grupo principal, o ritmo era controlado por Juliette Berthet (FDJ UNITED-SUEZ), eleita a melhor gregária da competição.

O momento decisivo chegou na quarta e última subida, pelo col des Quatre Chemins. Após a captura de Holmgren, Niewiadoma-Phinney atacou, mas Vollering respondeu prontamente. A 16 quilómetros da meta, a camisola amarela lançou o seu ataque fulminante, distanciou a ciclista polaca e cavalgou em solitário até à meta em Nice, selando a vitória na etapa e a conquista do segundo Tour de França.

“Pensei na minha equipa e também na Célia [Gery]”

No final, Demim Vollering falou aos jornalistas: “Pensei em muitas coisas à medida que me aproximava da meta. Percebi que nunca tinha ganho com a camisola amarela antes. Pensei na minha equipa e também na Célia [Gery], que teve uma noite muito difícil. Pensei em todo o trabalho que contribuiu para esta vitória. É incrível. As pessoas à minha volta… Não é apenas o sonho de vencer a Volta a França, é também o sonho de viver esta vida, de trabalhar arduamente com pessoas apaixonadas. Disse à Kasia (Niewiadoma) que não me importava que a [Elisa] Longo Borghini voltasse para o nosso grupo, para a obrigar a trabalhar. Depois, senti que tinha de atacar e vencer sozinha, para mostrar claramente que a nossa vitória de ontem não foi um acidente”, continuou a vencedora do Tour de França.

“Nunca duvidei da minha capacidade, nem mesmo depois do Mont Ventoux. Fiz uma aposta um pouco arriscada nesse dia, e isso é o desporto: às vezes…” Às vezes ganha-se, às vezes perde-se; às vezes fazem-se as escolhas certas, às vezes as erradas. Atacar é sempre a abordagem mais simples, como Kasia fez no Mont Ventoux para conquistar uma grande vitória, e como eu fiz hoje. Ainda tenho muitos sonhos, dentro e fora da bicicleta”, concluiu.