A 10.ª etapa da Volta a França promete devolver o protagonismo à luta pela classificação geral. Os 166,6 quilómetros entre Aurillac e Le Lioran recuperam o final da etapa de 2024 em que Jonas Vingegaard bateu Tadej Pogacar num sprint a dois, naquele que foi um dos momentos marcantes da última edição da Grande Boucle.

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Os derradeiros 36 quilómetros do percurso são exatamente os mesmos da etapa disputada há dois anos. Nessa ocasião, esperava-se que a vitória fosse decidida pela fuga, mas a corrida acabou por transformar-se num duelo direto entre os dois principais candidatos ao triunfo final. Desta vez, o percurso é ainda mais seletivo, com sete contagens de montanha, aumentando a probabilidade de uma nova batalha entre os favoritos.

A etapa começa com cerca de 65 quilómetros de terreno ondulado, cenário propício para a formação de uma fuga numerosa e de qualidade. A partir daí, sucedem-se quatro subidas categorizadas — duas de segunda e duas de terceira categoria — que irão desgastar progressivamente o pelotão antes da exigente fase decisiva.

Os últimos 80 quilómetros praticamente não dão qualquer descanso. O Puy Mary (1.ª categoria, 7,8 km a 5,8%, com os derradeiros 1,7 km a 9,4%) marca o início das maiores dificuldades, seguindo-se o Col du Pertus, a subida mais dura da jornada (1.ª categoria, 4,3 km a 8,5%, com os dois primeiros quilómetros acima dos 10%). Já na aproximação à meta, os corredores enfrentam ainda o Col de Font de Cère (3.ª categoria, 6,1 km a 4,8%), antes de uma descida rápida e da rampa final de 700 metros até Le Lioran.

Embora o perfil seja favorável ao sucesso de uma fuga, a postura ofensiva da UAE Emirates-XRG nas etapas 3 e 6, onde controlou a corrida para colocar Pogacar em posição de vencer, deixa antever novo controlo da formação dos Emirados. Um ritmo elevado desde as principais subidas poderá eliminar grande parte dos adversários e abrir caminho para um ataque do camisola amarela na fase decisiva.

Neste contexto, Tadej Pogacar surge como o principal favorito. O esloveno foi derrotado por Vingegaard neste mesmo final em 2024, numa etapa em que admitiu posteriormente ter cometido erros na alimentação. Um cenário semelhante parece pouco provável, sobretudo tendo em conta a superioridade demonstrada até ao momento nesta edição do Tour. Caso os dois voltem a discutir a vitória num sprint restrito, o líder da geral parte, teoricamente, em vantagem.

Do lado da Visma-Lease a Bike, Jonas Vingegaard procura responder à pesada derrota sofrida na etapa-rainha dos Pirenéus. Mais do que a condição física, será também importante perceber como o dinamarquês reage do ponto de vista psicológico. Depois da participação no Giro d’Italia, continua por confirmar se conseguirá elevar o rendimento ao longo da corrida ao ponto de recuperar a diferença já significativa para Pogacar.

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Entre os restantes candidatos, Remco Evenepoel volta a apresentar argumentos para lutar pelos primeiros lugares. O belga foi terceiro em Le Lioran na edição de 2024 e tentará consolidar a posição no pódio da geral, podendo beneficiar do apoio de Florian Lipowitz.

Paul Seixas (Decathlon AG2R La Mondiale) é outro nome a seguir com atenção. O jovem francês adapta-se bem a este tipo de percurso e poderá aproveitar uma eventual marcação entre os favoritos. Já Juan Ayuso (Lidl-Trek) parece aproximar-se da melhor condição física depois de uma primeira semana em crescendo e poderá contar com Mattias Skjelmose para aumentar a pressão sobre os principais candidatos à vitória final.