Isaac del Toro assinou este domingo um dos finais de etapa mais marcantes em muitos anos de Volta a França. Na estreia na prova, o mexicano de 22 anos conquistou uma vitória memorável na segunda etapa, com final em Montjuic, em Barcelona, graças a um gesto de companheirismo de Tadej Pogacar, que abdicou do triunfo – e de ganhar mais alguns segundos aos rivais diretos – para permitir ao jovem colega da UAE Emirates-XRG erguer os braços pela primeira vez no Tour.

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Num final explosivo, marcado por três passagens pela subida ao Castelo de Montjuic, a equipa dos Emirados assumiu o controlo das operações. Tobias Halland Johannessen e Richard Carapaz ainda chegaram ao topo da última ascensão na frente de um grupo restrito, mas a corrida mudou de figura na descida.

Del Toro anulou um ataque de Mattias Skjelmose, lançou Pogacar para uma posição privilegiada e, já nos derradeiros metros, quando ambos tinham ganho uma pequena margem sobre Remco Evenepoel e Jonas Vingegaard, surgiu o momento mais simbólico da etapa. Em vez de acelerar para somar mais uma vitória ao palmarés, como tudo fazia prever, o campeão do mundo levantou o pé e deixou Del Toro cruzar a meta em primeiro lugar, selando uma expressiva dobradinha da UAE.

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Evenepoel e Vingegaard terminaram em terceiro e quarto lugares, respetivamente, com o mesmo tempo do vencedor, mas sem capacidade para responder ao domínio da formação dos Emirados no momento decisivo.

Apesar de ter cedido metade da vantagem conquistada no contrarrelógio por equipas da véspera, Vingegaard conservou a camisola amarela. O dinamarquês, que já tinha admitido que o perfil da etapa não jogava a seu favor, lidera agora a classificação geral com apenas seis segundos de vantagem sobre Pogacar. Evenepoel segue na terceira posição, a 15 segundos, enquanto o francês Paul Seixas caiu para sexto, a 42 segundos do líder.

A vitória de Del Toro ganha ainda maior dimensão pelo que aconteceu bem antes da chegada. A cerca de 60 quilómetros da meta, o mexicano sofreu um problema mecânico que o obrigou a uma longa perseguição para regressar ao pelotão. Recuperou terreno, resistiu ao ritmo imposto na fase decisiva e acabou por transformar um dia que parecia comprometido na maior vitória da ainda curta carreira.