Mathieu Heijboer, treinador de Wout van Aert, considera que o belga terá maiores possibilidades de lutar pela camisola arco-íris no Mundial de Montréal caso a corrida se abra antes da última volta. Em declarações ao “Het Laatste Nieuws”, o técnico neerlandês explicou a estratégia que poderá ser adotada e avaliou o momento de forma do corredor.

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Van Aert chegou a Montréal na terça-feira depois de uma participação muito exigente na Volta a Espanha. Apesar do desgaste acumulado, Heijboer garante que o ciclista recuperou rapidamente, tanto a nível físico como mental.

“Logo no dia seguinte ao final da Vuelta, percebi que o Wout já estava focado nos Mundiais. Nos primeiros dois dias estava fisicamente bastante cansado e reduziu o ritmo, mas ao fim de apenas três dias já tinha regressado ao seu nível habitual de treino”, explicou o treinador.

O belga apresenta-se no Canadá depois de uma Vuelta particularmente positiva. Van Aert venceu duas etapas, conquistou a classificação por pontos e teve ainda um papel importante nas cinco vitórias alcançadas por Matthew Brennan, estreante numa grande Volta.

Para Heijboer, a principal dificuldade estará em evitar que a decisão fique exclusivamente para a última volta. Um cenário desse género poderia favorecer os trepadores mais puros e colocar Van Aert numa posição menos confortável.

“Temos de ser realistas. Se o Wout esperar pela última volta e nessa altura tentar acompanhar o Remco, o Seixas ou o Del Toro, não podemos esperar que consiga disputar o título mundial”, afirmou.

A corrida de fundo em Montréal representará também o regresso de Van Aert ao Campeonato do Mundo depois da edição de Glasgow, em 2023. Na Escócia, o belga terminou novamente na segunda posição, atrás do seu compatriota e rival Mathieu van der Poel.

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O currículo de Van Aert nos Mundiais inclui dois segundos lugares, em 2020 e 2023, um quarto posto, em 2022, e um 11.º lugar, em 2021. No total, soma quatro participações na prova de fundo.

Heijboer entende que uma corrida demasiado controlada poderá não beneficiar Van Aert, mas também poderá prejudicar outros candidatos que dependem da sua capacidade de resistência e velocidade.

“Uma corrida muito fechada, em que todos guardam forças até à última volta, não favorece o Wout, nem o Mathieu van der Poel e muitos outros corredores. A subida acaba por exigir demasiado esforço e pode tornar a decisão ainda mais difícil para eles”, explicou.

Por isso, a estratégia poderá passar por aumentar o ritmo e provocar desgaste muito antes da derradeira passagem pelo circuito. Foi precisamente através de uma abordagem semelhante que Van Aert conseguiu destacar-se na Vuelta, onde as duas vitórias foram alcançadas após integrar fugas.

“Espero que os restantes corredores ataquem e estou convencido de que o selecionador nacional belga irá preparar um plano sólido para aproveitar esse cenário”, concluiu Heijboer.