“Perfeita para estradões bastante rápidos, mas igualmente astuta nos trilhos mais técnicos”. Foi desta forma que nos apresentaram esta Ghost Lector FS SF quando a vimos pela primeira vez neste modelo de 2022. Na altura ainda não sabíamos que viríamos a realizar um teste de longa duração a esta bicicleta, neste caso na versão Universal. Muito menos que ela seria a nossa “companheira” numa aventura com o Titan Desert 2022.

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Mas é mesmo assim: estas são as nossas impressões sobre a bicicleta, “captadas” durante as semanas que andámos a treinar para a prova, que ainda para mais decorre em Marrocos neste preciso momento. Estas experiências levaram-nos a substituir alguns componentes (essencialmente para reduzirmos um pouco o peso em geral), mas também nos deixaram uma excelente opinião sobre esta suspensão total de XC da marca alemã.

Como se trata de um teste de longa duração, vamos continuar a avaliar o que a Ghost Lector é capaz de fazer durante as próximas semanas, estando também um vídeo para estrear muito em breve. Para já, vejamos o que mais nos surpreende neste modelo…

A Ghost tem tradição no segmento do XC, apesar de não ser uma das marcas mais conhecidas no nosso mercado. Desde 1993 que se implementou em mais de 30 países e desde cedo que começou a apostar na competição como suporte principal para o desenvolvimento e evolução das suas bicicleta de BTT. Algo que ainda hoje acontece com muito fulgor, como até temos conferido na Taça do Mundo UCI de XCO deste ano

Toca a subir!

Indo direto ao assunto, a maior das surpresas chega quando encontramos pela primeira vez uma bela subida técnica. No nosso caso, a primeira de muitas foi um trilho curto mas muito técnico, com regos, uma espécie de “degrau”, pedras soltas e um pouco de lama devido à chuva ligeira do dia anterior. Na serra do Socorro, zona Oeste.

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Mesmo na sua configuração de origem, o comportamento da Lector neste cenário convenceu à primeira.

O amortecedor traseiro correspondeu, não nos “roubou” demasiada força colocada nos crancks. E a geometria respondeu bem à forma como usámos o corpo para subir melhor. Atenção que o prato pedaleiro 32t ajudou. E, para quem está mais em forma, instalar um 34t pode ser uma opção a considerar.

Passando para sectores um pouco mais rolantes, em estradão, os primeiros e rápidos kms percorridos logo a seguir transmitem sensações muito boas, à medida que nos habituamos à geometria Superfit desenvolvida pela Ghost para este modelo.

Por norma, e segundo a nossa experiência, as bicicletas que apresentam o amortecedor invertido e o triângulo traseiro com a configuração que vemos nesta Ghost são bicicletas que efetuam uma leitura bastante eficaz do terreno, minimizando perdas de tração. Também acabam por tornar-se confortáveis em voltas mais longas.

É o que aqui acontece. Ainda que a dimensão do quadro salte logo à vista: sobredimensionado, de certa forma, com top tube bastante longo (669 mm nesta unidade testada, quadro tamanho L) e um tubo de selim com 489 mm.

Esta geometria Superfit que já referimos, que não é mais do que a referência ao algoritmo que a marca concebeu para calcular as geometrias do utilizador face à bicicleta, transporta a Lector FS para patamares de excelência no que diz respeito à prática do XC e do BTT em maratona.

O quadro e o triângulo traseiro são completamente em carbono e ambos são peças únicas, como também os links e as bielas da suspensão traseira são em carbono (embora sejam ocos para não interferirem no peso).

Pelo “meio”, lá está o amortecedor RockShox SIDLuxe Select+ RL numa posição vertical, em plena harmonia no conjunto. 

Como este é um tamanho L, o curso é de 120 mm, tal como acontece com a RockShox SID Select+ RL R à frente. O curso passa a 100 mm no caso dos tamanho de quadro S, o que nos parece adequado. Seja como for, temos a certeza que no amortecimento a aposta está ganha. Bom comportamento em todos os terrenos, com uma nota especial para as descidas. Dão confiança.

Direção direta

Diga-se ainda que os periféricos escolhidos para compor o quadrante frontal da bicicleta acabam por funcionar bem em conjunto. Avanço curto, guiador de 740 mm, bastante controlo. Um conjunto muito em linha com as mais recente bicicletas de XC, seguindo a tendência.

Por outro lado, os travões Level TLM da Sram cumprem a sua missão sem surpresas, quase sendo uma questão de gosto pessoal ir por esta via ou preferir um sistema da Shimano. O disco de 180 mm à frente faz sempre a diferença, também.

Quanto ao conjunto de transmissão, não notámos falhas, mesmo sabendo que poder contar com algo mais acima nas gama da Sram trará um pouco mais de suavidade na transição entre mudanças.

Aliás, muitos dos componentes desta Lector podem vir a ser substituídos por parte de quem leva a competição mais a sério e/ou percorre muitos kms por semana. Os menos entusiastas, por sua vez, perceberão que o valor pedido pela bicicleta corresponde ao que está instalado.

E ficam certamente satisfeitos, pois a Lector nesta versão Universal não deixa de ser uma excelente solução “chave na mão” para quem procura uma boa suspensão total e não deseja gastar uma pequena fortuna.

Por fim, uma referência ao principal fator que nos levou a executarmos vários upgrades a esta bicicleta para os nossos treinos e provas: o peso acima dos 12 kgs. Neste patamar de preço, sendo uma suspensão total, não é fácil arranjar mais leve, diga-se em abono da verdade.

Mas, de facto, quando pegamos nesta Lector sentimo-la um pouco pesada. E, pelo preço, sentimos que poderia a marca fazer aqui uma melhoria na próxima geração.

Ou seja, manter o preço, mas trocar um componente ou outro para reduzir qualquer coisa como 1 kg à bicicleta. Algo que confirmaria ainda mais a “bomba” de XC que esta suspensão total da Ghost pode ser.

Podes seguir os nossos artigos sobre esta Ghost Lector FS SF Universal 2022 ao longo do tempo, visto que temos a certeza que a bicicleta nos vai surpreender ainda mais. Lê mais abaixo, também, o que trocámos para já nesta versão Universal.

Alguns destaques:

Talhada para maratonas?

Estamos a falar da geometria deste quadro full carbon, tal como já referimos por alto no texto principal acima. Apesar de se notar uma distância entre eixos a “fugir” para vertantes mais radicais do BTT (1.214 mm no tamanho M), a direção surge bastante lançada (a 68º) e o reach é extenso (489 mm no tamanho M).

Ou seja, juntamente com umas escoras relativamente curtas, esta bike acaba por se enquadrar num XC bastante “atrevido”, proporcionando ao mesmo tempo algum conforto (com a ajuda de ambas as suspensões, claro). É por isso que nos parece ser um modelo talhado para voltas mais compridas.

Sistema TractionLink

Não é de todo algo inovador, mas acaba por ser ligeiramente diferente da maior parte dos sistemas de amortecimento traseiro das bicicletas à venda hoje em dia. O TractionLink é uma estrutura elaborada, refira-se, com uma plataforma basculante flutuante e vários pivots junto à zona do pedaleiro da bicicleta.

O facto do amortecedor estar na vertical é algo que nos agrada, visto que há uma boa leitura do terreno, e notam-se pormenores engenhosos. Um dos exemplos é a possibilidade de montarmos uma guia de corrente num dos pivots inferiores da estrutura (algo que vem de série em versões mais acima na gama Lector FS).

Duas grades de bidon

Normalmente, quando o amortecedor está integrado no quadro numa posição vertical, acaba por não existir espaço para instalar o tão necessário segundo bidon de hidratação. Mas a Ghost resolve aqui esse problema com uma espécie de adaptador colocado na parte de baixo do top tube.

Além disso, nas extremidades dos guiador está “escondido” o conjunto de multiferramentas Smarttube, algo que não temos a certeza que venha de série com esta versão da Lector.

Travagem afinada

O conjunto Sram Level TLM com discos de 180 mm à frente e 160 mm atrás precisou de uma pequena afinação, mas depois ficou bastante direto e eficaz na travagem.

A bike do Skoda Titan Desert 2022

Além de ser a bicicleta oficial desta prova de BTT por etapas (que decorre neste momento!), esta Ghost Lector é também a bicicleta que estamos a utilizar neste desafio em terras marroquinas.

Devemos esclarecer, contudo, que para este teste valeram as nossas experiências com a bicicleta conforme nos chegou de origem, com as especificações que podes ver na tabela mais abaixo.

Isto porque para a participação no Titan acabámos por fazer alguns upgrades com o objetivo de personalizar um pouco esta Ghost a nossa gosto, e também de torná-la um pouco mais leve.

Assim, instalámos na bicicleta um guiador Bontrager RSL em carbono, umas rodas da mesma marca também em carbono e ainda o conjunto de transmissão eletrónico Sram XX1 Eagle AXS.

Contamos falar um pouco mais sobre a bicicleta e como se comportou nesta prova mais lá para a frente, até porque este teste à Ghost Lector é uma experiência de longa duração. Pelo que temos visto até agora, o que não falta é potencial para aguentar a dureza do deserto marroquino, bem como a intensidade das nossas voltas e treinos normais de BTT.

Pontos mais positivos

  • A geometria Superfit da Ghost funciona, transmitindo boas sensações. A isso junta-se o sistema de amortecimento TractionLink, que primeiro nos parece demasiado complexo (também pela posição invertida e na vertical) e que depois, nos trilhos, nos convence. Bom encaixe à primeira no quadro.
  • A possibilidade de transportar dois bidons é sempre algo positivo. E a marca conseguiu garantir isso de uma forma mais engenhosa, neste modelo.
  • A dupla de suspensões faz um bom trabalho, apesar de não serem as melhores que existem no catálogo da Rockshox.

Pontos a melhorar

  • O peso da bicicleta como vem de origem. É natural que assim seja neste segmento de equipamento e componentes. Mas um upgrade às rodas e á cassete é bem suficiente para ficar de imediato com um peso entre os 11 e os 11,5 kg, o que já é bastante bom para uma suspensão total com esta vocação.
  • Um utilizador mais exigente irá querer substituir o grupo de transmissão o mais depressa possível. Não porque não funcione o que vem de origem, apenas porque o bom desempenho da bicicleta em geral assim o “pede”.

Especificações da Ghost Lector FS SF Universal:

  • Quadro: Ghost Lector FS LC
  • Suspensão: Rock Shox SID Select+ RL R 120 mm
  • Amortecedor: Rock Shox SIDLuxe Select+ RL 120 mm
  • Espigão: Ground Fiftyone
  • Guiador: Ground Fiftyone 740 mm
  • Desviador: Sram X01 Eagle 12x
  • Cranks: Truvativ Stylo 6K 32t
  • Cassete: Sram XG 1275 10-52t
  • Travões: Sram Level TLM com discos de 180 mm à frente e 160 mm atrás
  • Espigão de selim: Eightpins de 34,9 mm
  • Selim: Selle Italia SLR Boost
  • Headset/avanço: Acros Blocklock AZX-220-R4
  • Pneus: Maxxis Ikon 3C MaxxSpeed Exo 29×2.35
  • Rodas: Syntace W28i Wheelset
  • Peso; 12,4 kg
  • Preço: 4.999 euros

Site oficial:

Todas as fotos (clica/toca para aumentar):

Pormenores (clica/toca para aumentar)

Neste teste:

  • Texto e teste: Nuno Margaça
  • Rider nas imagens: Nuno Margaça

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Nuno Margaça
Homem ou máquina? Ficamos na dúvida... Mas será que estar à beira de ter dez Titan Desert nas pernas não é suficiente para termos a resposta...? Um dos mentores do projeto GoRide.

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