Remco Evenepoel conquistou, este domingo, o título europeu de fundo, na Eslovénia, numa corrida de 196,3 quilómetros entre Ljubljana e Sencur. Numa decisão ao centímetro e decidida apenas pelo recurso ao photo-finish, o belga bateu o italiano Giulio Ciccone sobre a linha de meta, enquanto o também transalpino Christian Scaroni garantiu o último lugar do pódio ao terminar na terceira posição.
Com este triunfo, Evenepoel alcança um feito ímpar na história do ciclismo moderno: passa a somar no seu palmarés os títulos de fundo e de contrarrelógio nos Campeonatos da Bélgica, nos Campeonatos do Mundo, nos Jogos Olímpicos e, agora, nos Campeonatos da Europa.
Nelson Oliveira foi o melhor português, na 27.ª posição, seguido por Tiago Antunes (47.º), que integrou a fuga principal. Afonso Silva e Pedro Silva desistiram.
A corrida ficou marcada pela fuga inicial composta por seis elementos: o português Tiago Antunes, Jochem Kerckhaert (Países Baixos), Luka Mezgec (Eslovénia), Jakob Söderqvist (Suécia), Fabian Weiss (Suíça) e Josef Cerny (República Checa). Sob o controlo da seleção belga no pelotão, a vantagem dos fugitivos — que chegou a atingir os dois minutos — foi progressivamente anulada com a entrada no circuito local. Na primeira passagem pela Mozjanca, apenas Antunes, Weiss e Kerckhaert resistiam na frente, acabando por ser neutralizados no sopé da segunda subida.
A Itália assumiu então a dianteira da corrida e impôs um ritmo muito forte que colocou em dificuldades o espanhol Juan Ayuso. Jan Christen (Suíça) ainda passou na frente no cimo dessa contagem de montanha, mas o pelotão agrupou-se na aproximação à terceira subida. O ritmo voltou a acelerar de forma drástica com o trabalho do belga Ramses Debruyne, reduzindo o grupo principal a cerca de trinta unidades, cenário aproveitado pelo francês Pavel Sivakov para tentar a sua sorte no planalto seguinte.
Na penúltima passagem pela Mozjanca, Jan Tratnik atacou antes de Maxim Van Gils assumir o comando em prol de Remco Evenepoel, anulando nova investida de Christen. Giulio Ciccone desferiu depois um ataque seguido prontamente por Evenepoel, que contra-atacou e isolou o duo da restante concorrência. No entanto, numa curva apertada à direita já no topo, o belga sofreu uma queda, deixando Ciccone isolado.
Apoiado pelo trabalho incansável de Van Gils e Debruyne no grupo perseguidor, Evenepoel restabeleceu a ligação e, a cerca de 32 quilómetros do final, voltou a atacar no planalto para se juntar novamente a Ciccone. A dupla abriu rapidamente uma margem considerável sobre os perseguidores, entre os quais figuravam Primoz Roglic e os franceses Léo Bisiaux e Mathys Rondel.
À entrada para a última subida, a diferença superava já os 45 segundos e a discussão do ouro ficou restrita aos dois homens da frente, que coroaram a contagem com praticamente 50 segundos de avanço sobre Christian Scaroni.
Já dentro do último quilómetro, Ciccone tentou surpreender a 400 metros da meta, lançando o sprint a partir da roda do belga e ganhando alguns metros após a derradeira curva.
Contudo, Evenepoel recuperou nos instantes finais e, num melhor lançamento de bicicleta sobre a linha de meta, garantiu a vitória por escassa margem. Do lado gaulês, o desfecho acabou por ser modesto, não indo além do nono posto através de Léo Bisiaux.

