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Não é por acaso que a Paris-Roubaix, agora Paris-Roubaix Hauts-de-France, é conhecida como o “Inferno do Norte”. Este Monumento distingue-se por um percurso marcado pelos famosos setores de empedrado (os famosos cobbles!), que transformam a corrida num verdadeiro teste de resistência, técnica e posicionamento.
Mais do que a dureza física, é o contexto que torna esta prova única: quedas, furos, problemas mecânicos e uma luta constante das equipas para colocar os seus líderes bem posicionados antes de cada setor. Tudo isto com milhares de espectadores junto ao percurso, criando um ambiente muito próprio.
Terceiro Monumento da temporada WorldTour, a Paris-Roubaix mantém uma identidade praticamente inalterada desde 1896. Em 2026, na sua 123ª edição, a 12 de abril, próximo domingo, volta a apresentar mais de 250 km de corrida e cerca de 55 km de pavé, com uma sequência inicial de setores mais densa, que poderá endurecer a corrida mais cedo do que habitual. Vejamos aqui tudo ao pormenor…
| Ficha da corrida |
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- Categoria: UCI WorldTour
- Data: 12 de abril de 2026
- Edição: 123ª
- Partida: Compiègne, França
- Chegada: Velódromo de Roubaix, França
- Distância: 258,3 km
- Setores de empedrado: 30
- Distância em pavé: 54,8 km
- Monumento: 3º da temporada
- Primeira edição: 1896
- Vencedor em título: Mathieu van der Poel (Alpecin-Deceuninck)
| Notícias recentes |
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| Onde ver |
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| Percurso |
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A Paris-Roubaix 2026 mantém a sua identidade clássica, mas com alterações relevantes na primeira metade da corrida e que podem ter impacto direto na forma como a prova se desenrola.
O percurso total tem 258,3 km, com partida em Compiègne e chegada no velódromo de Roubaix, como é habitual, e inclui 30 setores de empedrado, que somam cerca de 54,8 km de pavé.
A estrutura da corrida mantém-se, mas há uma mudança importante: a fase inicial de empedrado torna-se mais densa e exigente do que em anos anteriores.
A principal novidade em 2026 surge antes dos setores mais conhecidos. A organização alterou ligeiramente o traçado na zona de Briastre, criando uma sequência inicial com vários setores consecutivos e muito pouco asfalto entre eles. Isto significa:
- menos tempo para recuperar entre setores
- maior importância do posicionamento desde cedo
- maior probabilidade de cortes no pelotão ainda antes de Arenberg
Além disso, regressa ao percurso o setor 26 (Briastre), menos utilizado e com uma pequena subida de cerca de 800 metros, que introduz mais um ponto de tensão logo no início da fase decisiva.
Na prática, esta primeira parte do pavé deixa de ser apenas um “aquecimento” e passa a ter potencial para eliminar corredores mais cedo. Apesar destas alterações iniciais, a segunda metade da corrida mantém-se praticamente inalterada.
A sequência clássica continua presente:
- Haveluy → Arenberg
- Mons-en-Pévèle
- Carrefour de l’Arbre
Estes continuam a ser os pontos-chave onde a corrida normalmente se decide. O que muda é o contexto em que os ciclistas lá chegam: mais desgaste acumulado e, possivelmente, um grupo já bastante reduzido.
Os setores decisivos:
Trouée d’Arenberg (Setor 19)
É o primeiro setor de cinco estrelas e continua a ser o ponto onde a corrida passa de difícil para caótica. Não costuma decidir diretamente, mas reduz drasticamente o número de candidatos.
Mons-en-Pévèle (Setor 11)
Um dos setores mais duros da corrida, colocado numa fase onde o desgaste já é elevado. Aqui começam muitas vezes os ataques decisivos.
Carrefour de l’Arbre (Setor 4)
Última grande dificuldade antes de Roubaix. Quem chega aqui na frente tem normalmente a corrida na mão.
Depois deste setor, restam poucos quilómetros até ao velódromo, onde a corrida pode terminar em sprint reduzido ou com um vencedor isolado.
Todos os setores de empedrado, do princípio ao fim:
| # | Setor | Km para meta | Distância | Dificuldade |
|---|---|---|---|---|
| 30 | Troisvilles – Inchy | — | 2,2 km | *** |
| 29 | Viesly – Quiévy | — | 1,8 km | *** |
| 28 | Quiévy – Saint-Python | — | 3,7 km | **** |
| 27 | Viesly – Briastre | — | — | — |
| 26 | Briastre | — | — | — |
| 25 | Solesmes – Haussy | — | — | — |
| 24 | Saulzoir – Verchain-Maugré | — | — | — |
| 23 | Verchain-Maugré – Quérénaing | — | 1,6 km | *** |
| 22 | Quérénaing – Maing | 120,7 km | 2,5 km | *** |
| 21 | Maing – Moncheaux-sur-Ecaillon | 117,6 km | 1,6 km | *** |
| 20 | Haveluy – Wallers | 104,7 km | 2,5 km | **** |
| 19 | Trouée d’Arenberg | 95,3 km | 2,3 km | ***** |
| 18 | Wallers – Hélesmes | 89,2 km | 1,6 km | *** |
| 17 | Hornaing – Wandignies | 82,4 km | 3,7 km | **** |
| 16 | Warlaing – Brillon | 75 km | 2,4 km | *** |
| 15 | Tilloy – Sars-et-Rosières | 71,5 km | 2,4 km | **** |
| 14 | Beuvry – Orchies | 65,1 km | 1,4 km | *** |
| 13 | Orchies | 60,1 km | 1,7 km | *** |
| 12 | Auchy – Bersée | 54 km | 2,7 km | **** |
| 11 | Mons-en-Pévèle | 48,6 km | 3 km | ***** |
| 10 | Mérignies – Avelin | 42,5 km | 0,7 km | ** |
| 9 | Pont-Thibault – Ennevelin | 39,2 km | 1,4 km | *** |
| 8 | Templeuve – L’Epinette | 33,8 km | 0,2 km | * |
| 8 | Templeuve – Moulin-de-Vertain | 33,2 km | 0,5 km | ** |
| 7 | Cysoing – Bourghelles | 26,8 km | 1,3 km | *** |
| 6 | Bourghelles – Wannehain | 24,3 km | 1,1 km | *** |
| 5 | Camphin-en-Pévèle | 19,8 km | 1,8 km | **** |
| 4 | Carrefour de l’Arbre | 17,1 km | 2,1 km | ***** |
| 3 | Gruson | 14,8 km | 1,1 km | ** |
| 2 | Willems – Hem | 8,1 km | 1,4 km | ** |
| 1 | Roubaix (velódromo) | 1,4 km | 0,3 km | * |
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| Os favoritos! |
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A Paris-Roubaix é uma corrida onde a lista de candidatos é sempre relativamente curta, mas em que o contexto da corrida (quedas, furos, posicionamento…) pode baralhar completamente as previsões.
Ainda assim, há um núcleo de nomes que, à partida, estão claramente acima dos restantes.
Mathieu van der Poel
O vencedor da edição de 2025 continua a ser a principal referência. Tem mostrado consistência no pavé, capacidade de decidir a corrida de diferentes formas e experiência suficiente para lidar com os momentos críticos.
Tadej Pogacar
Há um ano foi uma queda que deitou a corrida a perder, mas Pogi não desiste de conquistar o monumento que lhe falta. Tem treinado neste tipo de ambiente, reconheceu bem o percurso e vai mais uma vez tentar fazer a sua “magia”, desta vez nos desafiantes cobbles. Incógnita total…
Wout van Aert
É sempre candidato, apesar da onde de “perdedor” por que está a passar… É um dos corredores mais completos do pelotão para este tipo de terreno, por isso estará por lá para dar luta a tudo e todos. Incansável, admirável…
Mads Pedersen
Tem poucas vitórias este ano, mas está sempre bem preparado para esta corrida. E tem vindo a afirmar-se como um dos nomes mais consistentes nas clássicas. Forte, resistente e capaz de sprintar após corridas duras, encaixa perfeitamente no perfil da Roubaix.
Jasper Philipsen
Outro eterno candidato a chegar em primeiro a Roubaix. E tem evoluído bastante neste tipo de provas. Se chegar ao velódromo num grupo reduzido, é dos mais rápidos. A sua capacidade de sobrevivência nos setores tem sido cada vez mais relevante.
Filippo Ganna
Um perfil diferente, talvez agora motivado pela recente vitória sobre van Aert, e cada vez mais perigoso. A sua potência em terreno plano e capacidade de rolar pode fazer a diferença.
| Equipas / Start List |
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Data powered by FirstCycling.com
| Paris-Roubaix Femmes |
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A Paris-Roubaix Femmes volta a disputar-se no mesmo fim de semana, e também no domingo, e continua a afirmar-se como uma das provas mais interessantes do calendário feminino.
Apesar de ser mais recente (a primeira edição foi em 2021), já construiu uma identidade própria, com um percurso mais curto, mas igualmente exigente, onde os setores de empedrado continuam a ser também o elemento central.
A corrida feminina tem normalmente cerca de 145 km e inclui vários dos setores mais marcantes da versão masculina, incluindo passagens decisivas como Mons-en-Pévèle e Carrefour de l’Arbre.
Favoritas à vitória
O pelotão feminino tem vindo a tornar-se cada vez mais competitivo, e a Roubaix é uma das provas onde isso mais se nota.
Lotte Kopecky
Uma das referências atuais das clássicas. Combina potência, leitura de corrida e capacidade de sprint, sendo uma das principais candidatas.
Pauline Ferrant-Prevô
A vencedora do ano passado, que ainda assim não sabemos se estará presente. Mas é sempre candidata, caso participe, até pela força que a sua equipa lhe pode dar meste tipo de corrida.
Elisa Longo Borghini
Muito consistente neste tipo de terreno. Forte em corridas duras e capaz de atacar de longe, encaixa bem no perfil da prova.
Marianne Vos
Experiência, técnica e inteligência de corrida. Mesmo não sendo a mais explosiva, continua a ser uma presença constante nos momentos decisivos.
Alison Jackson
Já mostrou capacidade para vencer neste tipo de cenário, sobretudo em corridas imprevisíveis.
Uma corrida cada vez mais aberta
Ao contrário do que acontece muitas vezes no pelotão masculino, a corrida feminina tende a ser mais aberta e menos controlada.
Os ataques surgem mais cedo, os grupos partem-se com mais facilidade e o resultado final é, muitas vezes, mais imprevisível.
Com a evolução recente do nível competitivo, é expetável mais uma edição disputada até aos últimos quilómetros. E, como sempre em Roubaix, com margem para surpresa.
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