Patrick Lefevere, antigo CEO da Quick-Step, revelou que a incerteza em torno da proposta de fusão com a Jumbo-Visma em 2023 gerou momentos de grande tensão no seio da equipa belga, culminando num confronto direto entre Mauri Vansevenant e Remco Evenepoel.

PUB
Segue o GoRide no Facebook!

Na coluna semanal no jornal belga Het Nieuwsblad, Lefevere relatou que o incidente ocorreu no autocarro da equipa antes da Il Lombardia. Segundo o antigo dirigente, Vansevenant confrontou o colega de equipa, dizendo: “Estás a destruir a Wolfpack [Alcateia]”.

Esta troca de palavras aconteceu num período turbulento para a Quick-Step. Os rumores de uma possível fusão com a Jumbo-Visma surgiram no final da temporada de 2023, levantando dúvidas sobre o futuro dos ciclistas e do staff, e colocando Evenepoel no centro de intensa especulação. A identidade da equipa, fortemente ligada ao conceito Wolfpack, tornava a situação particularmente sensível.

Apesar de a fusão ter acabado por não se concretizar, a incerteza sobre o futuro de Evenepoel persistiu. Após anos de especulação, o ciclista acabaria por deixar a Quick-Step no final de 2025 para se juntar à Red Bull-Bora-hansgrohe, apesar de ter contrato até 2026.

Lefevere acredita que a reação de Vansevenant foi, em parte, influenciada pelo seu pai, Wim, um ex-ciclista profissional com uma visão que descreve como conservadora. “Sempre pensei que o pai o tinha levado a esse ponto”, escreveu, acrescentando que Wim Vansevenant mais tarde percebeu que talvez tivesse projetado demasiado da sua própria carreira no filho. Lefevere fez questão de sublinhar que não guarda ressentimentos e desejou o melhor a Vansevenant na transferência para a Lotto.

Críticas à gestão do plantel para 2027

Além de recordar o episódio, Patrick Lefevere aproveitou para criticar o seu sucessor, Jurgen Foré, pela gestão do plantel da Quick-Step para a temporada de 2027. Segundo Lefevere, a equipa já enfrenta um problema de excesso de ciclistas devido a contratações e promoções da equipa de desenvolvimento.

“É um erro pelo qual o Jurgen tem de assumir a responsabilidade”, afirmou Lefevere. “Não vou fingir que nunca me aconteceu em todos estes anos, mas como CEO nunca te deves comprometer tão cedo”.

PUB

Com as chegadas confirmadas de Ben Turner, Tim Torn Teutenberg e Lorenzo Milesi, e as promoções previstas de Viktor Soenens, Jasper Schoofs, Ceriel Desal e Federico Savino, a equipa fica com um excedente. “Após a recém-anunciada transferência de Ben Turner, são na verdade 31. Um a mais, mesmo sem Henrique Bravo”, explicou Lefevere.

O caso de Henrique Bravo, vencedor do Giro della Valle d’Aosta, complica ainda mais a situação. O brasileiro terá despertado o interesse de outras equipas, como a Pinarello-Q36.5. “Uma forma lógica de contrariar esse interesse é promover o Henrique à equipa WorldTour, mas essa equipa já está no máximo de 30 corredores para 2027”, escreveu.

“Hoje em dia, os agentes dos corredores incluem nos contratos o momento da passagem para a equipa profissional. É assim que as coisas funcionam”, lamentou.

Lefevere sugere que a solução poderá passar por um dos corredores da equipa de desenvolvimento não ser promovido. “Li que Ceriel Desal será o preterido e não terá a sua promoção, mas também ouço que há movimentações em torno de Jasper Schoofs. Ninguém se deve surpreender se, afinal, ele não vestir a camisola da Soudal Safety Jogger no próximo ano”.