A ascensão de Paul Seixas no ciclismo mundial tem sido astronómica, com o jovem francês de 19 anos a captar um nível de atenção em França comparável ao de Tadej Pogacar. A questão sobre a eventual participação na Volta a França já este ano divide opiniões, e Alberto Contador, antigo vencedor da prova, partilhou a sua perspetiva.

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Em entrevista ao Eurosport Espanha, Contador considera que Seixas tem capacidade para participar. “Estará sob pressão, sim, mas a maior pressão será aquela que ele próprio colocar sobre si”, afirmou o espanhol, conhecido como ‘El Pistolero’, recordando-se que, na era em que competia, “a ideia de um ciclista tão jovem lutar por um resultado de topo seria vista como absurda”.

Contudo, o ciclismo moderno assiste a uma profissionalização precoce dos escalões de formação e a melhorias nos métodos de treino e nutrição, permitindo que os atletas atinjam o seu potencial máximo mais cedo. Não é por acaso que Seixas, com apenas 19 anos, já é apontado como candidato a vitórias em monumentos e poderia lutar por um bom resultado numa Grande Volta.

“Com ciclistas deste calibre com quem trabalhei, os fatores externos acabam por não importar muito, e és tu quem é mais exigente contigo mesmo. Tenho a certeza de que ele está ansioso por se estrear no Tour”, argumentou Contador.

O antigo ciclista acredita que o facto de Seixas ser francês e correr por uma equipa francesa é um fator de peso. “Um ciclista com tanto talento e tão boa aparência, com o que é que ele vai sonhar? Vai sonhar em vencer a maior corrida do mundo”. A França procura há anos um sucessor que possa vencer o Tour e entusiasmar o público.

A estreia na Volta a França seria também uma decisão de negócio válida para a Decathlon CMA CGM, que teria uma oportunidade de destaque na prova, algo que não acontece desde os tempos de Romain Bardet. A exposição mediática no maior evento da modalidade é crucial para os patrocinadores que financiam a equipa.

Apesar disso, Contador pondera as alternativas. “Olhando à estreia, talvez fosse mais vantajoso ir primeiro à Vuelta e ter um pouco menos de stresse. Por outro lado, temos de considerar que ele é francês”, reitera.

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O futuro contratual de Seixas, cujo vínculo com a Decathlon termina no final de 2027, é outro ponto de interesse. Equipas como a UAE Emirates – XRG, INEOS Grenadiers e Red Bull – BORA – hansgrohe já terão estabelecido contactos, tornando o contrato um dos mais disputados do desporto. “A equipa também entra em jogo. Ele tem mais um ano de contrato, e se não tivesse, levá-lo-iam definitivamente ao Tour, a pensar se lho poderiam tirar sem que ele corresse com as suas cores”, analisa Contador.

Como espectador, o espanhol não esconde a sua preferência: “Pessoalmente, adoraria vê-lo no Tour, mas compreenderia perfeitamente se tanto ele como a equipa optassem pela Vuelta a España. É uma situação particular com diferentes interesses”.

No entanto, Contador deixa um aviso importante sobre as expectativas, caso a escolha recaia sobre a prova francesa. “Se ele acabar por ir ao Tour, não se deve esperar que ganhe; no máximo, poder-se-ia esperar que chegasse ao pódio. Em corridas de três semanas, ele continua a ser uma incógnita, apesar dos seus grandes resultados até agora. Temos de ver como ele recupera em três semanas. Ele ainda não está totalmente desenvolvido fisicamente; é um júnior, tem 19 anos”, concluiu.