É já esta segunda-feira que as novas contratações podem ser anunciadas no ciclismo. Não significa que alguns (ou até muitos) acordos não estejam finalizados, mas o regulamento só permite que sejam oficializados publicamente a 1 de agosto. Até então, é uma facto que podemos dizer que há “por aí” umas boas dezenas de ciclistas a terminar contrato…

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Efetivamente, antes que chegue a data e também que, eventualmente, alguns corredores acabem por renovar, quem está então livre (termina contrato no final do ano)? Só no World Tour são quase 200 ciclistas!

Portanto, esta é a altura do ano em que se pode imaginar quem se tentaria contratar se tivessemos uma equipa de ciclismo…

Vamos então colocar-nos na pele de um general manager de uma equipa e selecionar quem gostaríamos de contar no nosso plantel para 2023. Com a preciosa ajuda do ProCyclingStats, ficamos a conhecer quem está em final de contrato com as equipas World Tour e ficam também uns nomes interessantes que estão em ProTeams.

Primeiro, que tipo de equipa queremos ter? Admitindo que adoramos clássicas, é quase inevitável olharmos para nomes que possam dar garantias nesse terreno. E também porque nesta extensa lista de opções há muito ciclista de qualidade a terminar contrato.

Dylan van Baarle (30 anos) acaba por surgir à cabeça. Afinal venceu o último Paris-Roubaix e merece destaque por isso mesmo. O ciclista da Ineos Grenadiers está em alta. Além disso, sendo um homem forte para as clássicas, é igualmente um gregário de luxo para as provas por etapas. Porém, já terá o futuro delineado: a Jumbo-Visma poderá ser o destino para o neerlandês.

Dylan van Baarle venceu o último Paris-Roubaix (foto: ASO/Pauline Ballet).

Agora imaginemos que podemos juntar Yves Lampaert e Zdenek Stybar… Será estranho ver os dois homens da Quick-Step Alpha Vinyl mudar de equipa, mas, para já, surgem na lista.

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O belga cumpriu o sonho de vestir a camisola amarela no Tour, mas o seu ponto forte são as clássicas. Aos 31 anos é um dos maiores especialistas, mesmo que lhe faltem mais vitórias para o consagrar como tal.

Stybar pode já ter 36 anos, mas continua a ser garantia de quando está presente, a equipa é mais forte. Tanto é uma escolha de qualidade para trabalhar para um líder, como, se tiver oportunidade de se mostrar, continua a ser uma opção válida e que mete respeito aos adversários.

Yves Lampaert vestiu a camisola amarela no Tour (foto: Etienne Garnier-Pool/Getty Images/Quick-Step Alpha Vinyl).

Temos ainda o neerlandês Mike Teunissen (29 anos, Jumbo-Visma), o equatoriano Jhonatan Narváez (25, Ineos Grenadiers) – um ciclista que mostra estar cada vez mais adaptado às clássicas do norte, mas sendo também hipótese para algumas provas por etapas como gregário – e também Matteo Trentin.

Os sprinters

A UAE Team Emirates têm vários ciclistas em final de contrato (são poucos os que têm direito a contratos de longa duração como Tadej Pogacar e João Almeida). Trentin, italiano de 32 anos, é um corredor que tanto pode ser útil nas clássicas, como espreitar disputar alguns sprints.

O mesmo acontece com Alexander Kristoff. Na Intermarché-Wanty-Gobert Matériaux o norueguês recuperou a alegria de competir de outros tempos e alcançou bons resultados, sendo que é um ciclista que tanto discute sprints como também pode ser aposta nas clássicas do pavé. No entanto, a estadia na formação belga poderá ser curta. Fala-se do interesse da Uno-X, equipa do seu país.

Alexander Kristoff de regresso a casa? (foto: Photo News/Intermaché-Wanty-Gobert).

Com Biniam Girmay a ganhar destaque – e com contrato até 2026 -, Kristoff vê, aos 35 anos, reduzir o seu espaço de destaque, mesmo dentro de uma estrutura que apostou fortemente nele em 2022, criando um “comboio” de apoio que pouco se via na Intermarché-Wanty-Gobert Matériaux.

Na Uno-X, mesmo sendo ProTeam, certo é que Kristoff será o líder inconstado e terá ainda o importante papel de ajudar ao desenvolvimento dos jovens valores de uma equipa muito interessante e que tem crescido a olhos vistos nos últimos três/quatro anos.

Em final de contrato estão ainda Cees Bol – neerlandês de 27 anos (e 1,94 metros de altura) que demora em confirmar as expectativas de quando surgiu ao mais alto nível do ciclismo – e Fernando Gaviria. Nas quatro temporadas que leva na UAE Team Emirates não foram muitos os momentos altos e com tantos baixos perdeu muito do seu crédito. Mas só tem 27 anos…

O seu compatriota e companheiro de equipa, Juan Sebastián Molano (27), também tem o seu contrato a terminar no final da temporada.

E sim: Mark Cavendish. Será a grande “novela” das próximas semanas. Patrick Lefevere, patrão da Quick-Step Alpha Vinyl, já avisou que não irá renovar com o britânico, depois de o ter deixado de fora da Volta a França.

Mark Cavendish quer o recorde de vitórias de etapa no Tour (foto: Tim de Waele/Getty Images/Quick-Step Alpha Vinyl).

Aos 37 anos, Cavendish não quer retirar-se quando está tão perto do recorde de vitórias de etapas no Tour. Falta uma para ultrapassar Eddy Merckx. Quem lhe abre a porta para tentar concretizar o último objetivo de uma brilhante carreira?

Lutar pela geral

Para quem prefere provas por etapas e, claro, as grandes voltas, também há nomes interessantes. Talvez o foco tenha mesmo de ir para Richard Carapaz, vencedor de um Giro e já perto de vencer outro e uma Vuelta. Também tem um pódio no Tour.

Richard Carapaz é um dos melhores voltistas da atualidade (foto: Ineos Grenadiers, via Facebook).

Tem 29 anos, é um dos grandes voltistas do momento, mas está numa Ineos Grenadiers com demasiados potenciais líderes. A EF Education-EasyPost parece que adoraria contar com o ciclista.

Adam Yates é outro homem da equipa britânica em final de contrato, assim como Andrey Amador, um dos melhores gregários do pelotão. Na Bora-Hansgrohe, Wilco Kelderman ainda não definiu o seu futuro. Aos 31 anos, este é um ciclista que prima pela irregularidade. Qualidade tem. Quando está bem, está mesmo bem, mas depois tem períodos em que mal o vemos.

Na Bora-Hansgrohe, Felix Grossschartner é outro corredor interessante para contratar. Tem 28 anos, tabalha muito bem para os líderes, mas também é alguém com quem se pode contar se se der lugar de destaque em provas por etapas de uma semana.

Bob Jungels deu sinais de “renascimento” no Tour ao serviço da AG2R-Critroën, Dylan Teuns (Bahrain-Victorious) é um ciclista muito regular, e Attila Valter é um talentoso jovem da Groupama-FDJ.

Bob Jungels venceu uma etapa no Tour (foto: ASO/Charly Lopez).

Rigoberto Urán e Esteban Chaves ainda não renovaram com a EF Education-Easy Post, Tim Wellens está de saída da Lotto Soudal, Davide Formolo, Mikkel Bjerg, Diego Ulissi, Jan Polanc e o braço direito de Tadej Pogacar esta temporada, Rafal Majka, também não têm novos contratos anunciandos… para já.

Rafal Majka (esquerda) tornou-se num gregário de confiança para Pogacar (direita) (Foto: Tommaso Pelagalli/Sprint Cycling Agency/UAE Team Emirates).

Jan Tratnik, esloveno de 32 anos que se tornou um grande gregário na Bahrain-Victorious, também está livre e é um ciclista que levanta alguma cobiça entre outras formações.

E… Chris Froome? Quando assinou pela equipa de Israel para 2021 falou-se em cinco anos de contrato e até de ficar até quando quisesse sair. Já o próprio chegou a falar de um vínculo de apenas dois anos, mas confirmação não há. Porém, infelizmente, é um corredor que, mesmo tendo aparecido bem melhor nas últimas semanas, não é o Froome de outros tempos, com a idade a ter também peso no seu caso: 37 anos.

Os portugueses

Dos portugueses no World Tour, Nelson Oliveira (Movistar), André Carvalho (Cofidis) e João Almeida (UAE Team Emirates) têm contratos além de 2022.

Rui Costa poderá estar de saída da formação dos Emirados, enquanto os gémeos Ivo e Rui Oliveira até têm estado em destaque na Volta à Valónia, sendo que Rui foi um dos corredores que fez parte do núcleo da equipa para muitas das clássicas.

Ruben Guerreiro tem sido aposta na EF Education-Easy Post, mas parece que está a manter as suas opções de futuro em aberto.

Ruben Guerreiro é um dos portugueses em final de contrato (Foto: EF Education-EasyPost, via Facebook).

As ProTeams

Já se percebeu que o difícil é a escolha, mas aqui ficam alguns nomes a ter em conta no segundo escalão e que também estão a terminar os seus vínculos contratuais: Warren Barguil, Élie Gesbert, Nairo Quintana (Arkéa Samsic), Pierre Latour, Niki Terpstra, Anthony Turgis e Alexis Vuillermoz (TotalEnergies), Pierre Rolland (B&B Hotels-KTM) e Xabier Mikel Azparren (Euskaltel-Euskadi).

Mais ciclistas em final de contrato? Aqui fica o link para a lista do ProCyclingStats relativamente aos corredores que estão no World Tour:


Imagem principal: EF Education-EasyPost, via Facebook).

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Elisabete Silva
Quando uma vasta experiência em jornalismo se junta a uma paixão imensa por bicicletas, o resultado é como música para os ouvidos do mais curioso ciclista. E é isso que esta mestre da modalidade acrescenta ao projeto GoRide.

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