A apresentação do percurso da Volta a Itália deixou a Visma rendida aos desafios traçados para a próxima edição da prova. Depois de uma época histórica em 2026, na qual Jonas Vingegaard conquistou a classificação geral e completou a sua coleção das três Grandes Voltas – numa edição em que a formação neerlandesa somou ainda seis triunfos de etapa -, a estrutura técnica da equipa não poupou elogios ao traçado da Corsa Rosa.

PUB

Marc Reef, diretor de corrida da Visma, destacou a diversidade do percurso desenhado pela organização: “É um traçado magnífico, que oferece oportunidades a todos os tipos de ciclistas. Para vencer esta Volta a Itália, é preciso reunir um vasto leque de qualidades. Isso torna a prova num desafio verdadeiramente empolgante.”

PUB

O entusiasmo demonstrado em relação ao Giro contrasta de forma evidente com a reação mais contida ao percurso da Volta a França de 2027, revelado a 22 de outubro, em Paris. Embora tenha classificado o percurso do Tour como equilibrado e favorável a vários corredores da equipa, Reef apontou na altura a escassez de chegadas em alto: “Em comparação com o ano anterior, vejo menos chegadas em alto e, a meu ver, poderiam existir mais.”

A Grande Boucle contará com apenas três chegadas ao alto e um total de 71 quilómetros de contrarrelógio individual. No papel, este formato poderá dificultar a tarefa de Vingegaard em rentabilizar a sua superioridade na montanha perante rivais como Tadej Pogacar e Remco Evenepoel, apesar de a Visma ter reafirmado a confiança nas suas capacidades na luta contra o cronómetro.

Por sua vez, o Giro surge com um figurino totalmente distinto, contemplando um contrarrelógio de montanha, diversas chegadas em altitude bastante exigentes e uma terceira semana temível. O arranque está marcado para 8 de maio, em Trieste, com um primeiro fim de semana acidentado, seguido do primeiro final em subida na quinta etapa. Dois dias mais tarde, o pelotão enfrentará um contrarrelógio de montanha com quase 20 quilómetros.

“O contrarrelógio de montanha é a etapa pela qual estou particularmente ansioso”, confessou Marc Reef. “É uma disciplina que não vemos com frequência, mas proporciona sempre enorme espetáculo.”

A segunda semana incluirá uma chegada em montanha na Toscana, uma tirada de elevada dureza com 4.900 metros de desnível acumulado e um contrarrelógio de 37,3 quilómetros a terminar em Milão. Contudo, é na semana decisiva que se concentram as maiores atenções: logo após o segundo dia de descanso surge a etapa-rainha, com 5.700 metros de desnível, duas subidas ao Mortirolo e a passagem pelo Passo di Gavia. Na penúltima etapa, a subida ao Monte Zoncolan promete fechar as decisões da montanha antes da consagração em Roma.

“A etapa-rainha com o Mortirolo e o Gavia é fantástica e carregada de história. Seguir depois para o Monte Zoncolan no último fim de semana é verdadeiramente especial e garante um desfecho espetacular”, reforçou o responsável técnico da Visma.

Apesar do agrado em relação ao percurso italiano, a presença de Jonas Vingegaard em 2027 permanece em aberto. Em 2026, o ciclista dinamarquês tentou a dobradinha Giro-Tour: venceu a prova italiana, mas uma queda na 15.ª etapa em solo francês ditou o abandono prematuro, impedindo a estrutura de recolher conclusões definitivas sobre a resposta física ao esforço acumulado.

Plugge reiterou ainda que a Volta a França continua a ser a prioridade máxima da equipa, mantendo-se as conversações para definir o calendário ideal para o ciclista dinamarquês. Com a montanha italiana a ajustar-se perfeitamente às características de Vingegaard, a Visma opta, por agora, pela prudência: “A Volta a Itália tem sempre um fator de surpresa e a organização voltou a desenhar um grande percurso. Iremos estudá-lo ao detalhe antes de definir o melhor plano possível”, concluiu Marc Reef.