Após a grave queda que encerrou prematuramente a época de 2026 na Vuelta a Espanha, Tadej Pogacar já planeia o regresso à competição. Durante um evento virtual na plataforma MyWhoosh, transmitido a partir da sua residência no Mónaco e que reuniu cerca de 10 mil participantes, o esloveno revelou que a UAE Emirates-XRG lhe apresentou três alternativas de calendário para 2027.
“A equipa deu-me três opções de calendário, mas é uma decisão importante a tomar. Acho que ainda preciso de algum tempo para analisar o que realmente quero para o próximo ano. A decisão final será tomada em dezembro, quando tivermos outro estágio”, explicou o cinco vezes vencedor do Tour de França.
Apesar de o plano definitivo ainda aguardar a concentração de dezembro com todo o coletivo, Pogacar admitiu que o trajeto deverá passar por provas emblemáticas. “Há uma grande probabilidade de voltar às clássicas e também ao UAE Tour e, obviamente, ao Tour de França. Não há nada a esconder nisso, portanto logo veremos”, frisou o corredor.
O regresso ao UAE Tour coloca-se como um dos principais pontos de partida do ano em estradas familiares, prova que o esloveno já conquistou por três vezes (2021, 2022 e 2025). Em aberto está igualmente a possibilidade de iniciar a época logo em janeiro no Tour Down Under, na Austrália, onde se estreou no WorldTour em 2019. Stuart O’Grady, diretor da corrida australiana, admitiu recentemente no podcast Stanley St. Social estar a «fazer tudo o que é possível para trazer nomes como Tadej».
Tríptico ambicioso: Tour, Mundial e Vuelta
Para a segunda metade do ano, as prioridades de Pogacar estão bem definidas. Em declarações anteriores à estação eslovena RTV SLO, em outubro, o ciclista já havia traçado um ambicioso roteiro focado no Tour, nos Campeonatos do Mundo e na Vuelta.
“O objetivo para o próximo ano seria, obviamente, os Campeonatos do Mundo, combinados com o Tour e a Vuelta. Embora preferisse correr o Giro, terei de riscar a Vuelta da lista a dada altura. Acho que esse será o objetivo para o próximo ano”, indicou, lembrando que a prova espanhola é a única grande volta que ainda não consta no palmarés.
O desafio projetado para 2027 exigirá uma gestão física extrema: a busca por um sexto triunfo histórico no Tour em julho será seguida pelos Mundiais de Haute-Savoie a 29 de agosto – com cerca de 5.700 metros de acumulado em Sallanches – e pelo arranque da Vuelta a 4 de setembro, apenas seis dias depois.
Sobre o percurso da Grande Boucle de 2027, Pogacar desvalorizou a necessidade de o estudar ao detalhe nesta fase: “Ainda não analisou muito o percurso do Tour. Não estive na apresentação. O Tour tem sempre três semanas, há sempre montanhas duras, etapas planas, etapas traiçoeiras, algum vento cruzado e contrarrelógios. Há sempre de tudo. Não importa que cidades acolhem as partidas ou chegadas, é sempre a corrida mais dura do mundo. É preciso estar pronto para tudo.”
Regresso aos treinos e reflexão sobre segurança
A recuperação do ciclista esloveno segue a bom ritmo. Pogacar confirmou que retomou os treinos cerca de duas semanas antes desta sessão virtual, usando o evento comunitário para “quebrar a rotina e fazer algo diferente e agradável”.
Quanto às sequelas do acidente em Espanha, Pogacar afastou qualquer ligação direta a falhas organizativas: “A minha queda não esteve propriamente relacionada com a segurança na corrida. Foi apenas um acidente de corrida.” Ainda assim, o esloveno sublinhou que o ciclismo profissional ainda tem trabalho pela frente para tornar o pelotão mais seguro.
“Há muito tempo que nos colocamos esta questão, se as nossas corridas são suficientemente seguras também para as próximas gerações. Se as provas estão bem organizadas e preparadas para estas altas velocidades que atingimos. Por isso, há certamente trabalho a fazer nessa área.”

