A contratação de Paula Blasi pela Movistar não representa apenas a maior aposta financeira de sempre na estrutura feminina da formação espanhola, mas é também o reflexo evidente do crescimento económico do pelotão internacional. A jovem ciclista de 23 anos vai auferir mais de 600 mil euros por temporada num vínculo válido por três épocas, a iniciar em 2027 e com termo no final de 2029.
Para assegurar a atual campeã da Vuelta Femenina e antecipar o final da sua ligação à UAE Team ADQ, o jornal espanhol MARCA adianta que a Movistar desembolsará igualmente 85 mil euros para pagar a respetiva cláusula de rescisão junto da equipa dos Emirados Árabes Unidos.
O investimento ganha uma dimensão ainda mais expressiva quando colocado em perspetiva histórica. Em 2018, quando García ingressou na Movistar, auferia um salário anual de 25 mil euros, valor recentemente revelado por Andreu Canals, seu antigo treinador e antigo presidente da Federação de Ciclismo das Ilhas Baleares, envolvido nessas negociações. Nove anos depois, Blasi irá receber mais de 24 vezes esse montante. Embora os contextos desportivos de ambas as atletas à chegada à equipa fossem distintos, o fosso salarial demonstra a enorme valorização financeira no topo do ciclismo feminino.
Esta aposta surge no seguimento de uma temporada brilhante em 2026. Blasi começou por vencer a Amstel Gold Race e consagrou-se em definitivo na Vuelta Femenina, onde recuperou uma desvantagem de 18 segundos face a Anna van der Breggen na mítica subida ao Angliru para arrebatar a classificação geral. Com mais triunfos em provas por etapas e um quinto lugar no Tour de France Femmes, a espanhola tornou-se um dos nomes mais cobiçados do mercado por várias formações de topo.
Apesar do salário milionário agora acordado, Blasi fez questão de sublinhar que a vertente financeira não foi o fator decisivo.
“Recusei um contrato muito maior para correr onde queria”, garantiu a corredora ao MARCA durante os Campeonatos do Mundo, seduzida pela hipótese de integrar uma estrutura espanhola e evoluir ao lado de figuras como Marlen Reusser e Liane Lippert.
“Estou num ponto da minha carreira desportiva em que precisava de dar um passo diferente e procurar uma equipa que acreditasse em mim, apoiasse os meus objetivos e fosse tão ambiciosa quanto eu”, explicou a ciclista após a oficialização da mudança.
O contrato de Blasi contrasta fortemente com o panorama geral da modalidade. De acordo com dados da UCI divulgados pelo jornal belga Het Nieuwsblad, o salário médio anual no Women’s WorldTour fixou-se em 85 mil euros em 2024, com uma mediana de 65 mil euros. Já as estimativas veiculadas pela Cyclingnews indicam que a maioria das ciclistas consolidadas aufere atualmente entre 80 mil e 100 mil euros por época.
Paralelamente, o salário mínimo também sofreu um incremento substancial: estabelecido nos 15 mil euros aquando da sua introdução no Women’s WorldTour em 2020, subiu para 35 mil euros em 2024 e atingiu os 38 mil euros em 2025, mantendo-se inalterado em 2026. O contrato superior a 600 mil euros de Blasi representa mais de sete vezes a média de 2024 e praticamente 16 vezes o salário mínimo em vigor, atestando a determinação das equipas em investir valores sem precedentes para garantir as grandes estrelas do pelotão mundial.

