O Campeonato da Europa de BTT XCO 2026 terminou ontem, domingo, em Monteceneri, com dois vencedores que já tinham subido ao lugar mais alto do pódio no XCC, na 6ªfeira: Charlie Aldridge confirmou o domínio entre os homens, enquanto Sina Frei aproveitou o apoio do público suíço para conquistar o título feminino.
Ambos completaram a dobradinha XCC/XCO numa competição marcada por corridas muito abertas, várias alterações na liderança e um circuito rápido, técnico e suficientemente exigente para castigar qualquer erro.
Para Portugal, o principal resultado surgiu através de Ana Santos. A portuguesa terminou em 18.º lugar na elite feminina e igualou a melhor classificação nacional de sempre num Campeonato da Europa de XCO, alcançada por Raquel Queirós em 2025.
No setor masculino, Roberto Ferreira e Ricardo Marinheiro terminaram em posições consecutivas, enquanto Gonçalo Amado abandonou ainda durante a fase inicial da prova.
Campeonato da Europa de BTT XCO 2026 termina com dois vencedores repetidos
Os títulos de XCO ficaram nas mãos dos mesmos corredores que tinham vencido o XCC dias antes.
Sina Frei e Charlie Aldridge chegaram às corridas de domingo já entre os principais candidatos, mas tiveram de construir as respetivas vitórias de formas muito diferentes.
A suíça assumiu a liderança depois de um problema mecânico de Jenny Rissveds ter alterado o rumo da prova feminina.
Aldridge preferiu esperar pela última volta para lançar o ataque decisivo, depois de passar quase toda a corrida integrado no grupo da frente.
O desfecho confirmou também a importância da gestão de esforço num percurso onde as diferenças foram sendo feitas através de sucessivas acelerações, e não por um único ataque a longa distância.
Sina Frei vence depois de corrida mudar com avaria de Rissveds
Jenny Rissveds começou a prova feminina com um ritmo elevado e foi a primeira a tentar separar-se das restantes candidatas.
A campeã mundial conseguiu abrir espaço na frente, acompanhada inicialmente por Ronja Blöchlinger, enquanto Sina Frei, Alessandra Keller e Evie Richards procuravam limitar as diferenças.

A situação mudou na segunda volta.
Um furo na roda traseira obrigou Rissveds a parar na zona técnica, deixando Frei em posição de assumir o comando da corrida.
A sueca conseguiu regressar ao grupo da frente, mas o esforço necessário para recuperar terreno acabou por pesar mais tarde.
Frei voltou a aumentar o ritmo na quarta volta e conseguiu afastar definitivamente as adversárias.
Alessandra Keller estabilizou na segunda posição, enquanto Rissveds teve de se concentrar na defesa do terceiro lugar.
Sina Frei terminou isolada, com 1m26s de vantagem sobre Keller. Rissveds completou o pódio a 2m04s, repetindo-se exatamente as três primeiras posições da prova de XCC.
Ana Santos iguala melhor resultado português na elite feminina
Ana Santos terminou a prova feminina na 18.ª posição e assinou o melhor resultado da Seleção Nacional no último dia de competição.
A classificação iguala a marca alcançada por Raquel Queirós no Europeu de 2025, em Melgaço, que continua a ser a melhor referência portuguesa na elite feminina de XCO.

O resultado ganha maior relevância num pelotão que reuniu várias das principais especialistas europeias e numa corrida dominada pelas representantes suíças.
Para Mário Costa, responsável técnico pela Seleção Nacional, o desempenho de Ana Santos deixou indicadores positivos para o Campeonato do Mundo.
A portuguesa conseguiu manter um ritmo regular num percurso exigente e terminou entre as vinte primeiras, alcançando um resultado que confirma a sua evolução no contexto internacional.
Aldridge esperou pela última volta
A corrida masculina permaneceu aberta durante grande parte das oito voltas.
A seleção suíça colocou vários corredores nas primeiras posições, com Filippo Colombo, Luca Schätti e Dario Lillo entre os primeiros nomes a assumir a iniciativa.

Charlie Aldridge manteve-se próximo da frente, mesmo depois de ter de resolver um problema num sapato durante a corrida.
O britânico chegou a reduzir bastante a velocidade numa zona técnica para recolher um sapato de substituição e completar a troca em andamento, sem perder contacto definitivo com os principais candidatos.
A corrida começou a selecionar-se de forma mais clara quando Fabio Püntener acelerou na quinta volta.
Juri Zanotti, Mathias Flückiger e Aldridge conseguiram responder, formando o núcleo principal da luta pelo título.
Na volta seguinte, Zanotti tentou aproveitar um furo de Flückiger para assumir o comando, entrando no último giro à frente do britânico e de Püntener.
Aldridge guardou o movimento decisivo para essa fase.
O campeão de XCC lançou uma aceleração que deixou Zanotti sem resposta e abriu rapidamente uma margem suficiente para chegar isolado à meta.
O britânico terminou em 1h25m27s, com 12 segundos de vantagem sobre Zanotti. Püntener ficou com a medalha de bronze, a 30 segundos.
Roberto Ferreira e Ricardo Marinheiro terminam juntos
Roberto Ferreira foi o melhor português na prova masculina, concluindo na 34.ª posição.
Ricardo Marinheiro terminou imediatamente a seguir, em 35.º lugar.
Segundo o selecionador nacional, Roberto Ferreira sentiu algumas dificuldades na fase inicial, mas conseguiu recuperar ritmo ao longo da corrida.
Ricardo Marinheiro manteve-se próximo do compatriota até ao final, enquanto Gonçalo Amado abandonou depois de não se sentir bem nos primeiros momentos da prova.
O balanço masculino ficou abaixo das expectativas da equipa, mas a participação permitiu recolher referências importantes perante um pelotão de elevado nível internacional.
Pódio de XCO elite feminina
- Sina Frei — Suíça — 1h26m17s
- Alessandra Keller — Suíça — +1m26s
- Jenny Rissveds — Suécia — +2m04s
Pódio de XCO elite masculina
- Charlie Aldridge — Grã-Bretanha — 1h25m27s
- Juri Zanotti — Itália — +12s
- Fabio Püntener — Suíça — +30s
Resultados portugueses na elite
- Ana Santos — 18.ª posição
- Roberto Ferreira — 34.º lugar
- Ricardo Marinheiro — 35.º lugar
- Gonçalo Amado — abandono

