A terceira e última semana da Volta a França arranca com um dos momentos mais aguardados da corrida: a ligação entre Évian-les-Bains e Thonon-les-Bains, com 25,97 km de contrarrelógio individual, representa uma oportunidade para alguns candidatos recuperarem tempo e um desafio para quem procura defender a posição conquistada até agora.
A combinação de subida, descida e zonas rápidas faz desta uma etapa destinada a corredores completos, capazes de conjugar potência, técnica e gestão de esforço.
Apesar de não ser um contrarrelógio totalmente plano, o percurso também não favorece exclusivamente os trepadores.
A primeira metade da etapa é marcada pela longa subida até à Côte de Larringes, uma ascensão regular que permite manter velocidades elevadas.
Depois do topo, os corredores enfrentam uma descida técnica onde a capacidade para arriscar sem cometer erros poderá traduzir-se em segundos preciosos.
Os derradeiros 9 km voltam a privilegiar a velocidade pura, embora as várias curvas já dentro de Thonon-les-Bains dificultem a manutenção do ritmo até à meta, instalada após uma curta subida final.
Evenepoel encontra um terreno à sua medida
Entre os principais candidatos à vitória na etapa, Remco Evenepoel surge como um dos nomes mais fortes.
O campeão belga reúne várias das características exigidas por este percurso: capacidade para manter uma posição aerodinâmica durante a subida, potência nas zonas planas e qualidade técnica nas descidas.
A vitória conquistada na etapa anterior reforça ainda a confiança com que inicia esta jornada.
A Red Bull-BORA-hansgrohe conta igualmente com Florian Lipowitz, outro corredor capaz de conseguir um resultado de destaque num contrarrelógio com estas características.
Pogačar vai tentar limitar perdas?
Para Tadej Pogačar, o objetivo passa por sair da etapa sem comprometer a liderança da classificação geral.
A subida inicial adapta-se às suas qualidades, mas a parte mais rápida do percurso poderá favorecer especialistas como Evenepoel.
Ainda assim, o esloveno já demonstrou em Grandes Voltas que também consegue produzir contrarrelógios de elevado nível.
Esta poderá representar uma das melhores oportunidades para os seus adversários reduzirem diferenças antes das últimas etapas de montanha.
Vários candidatos podem lutar pelos primeiros lugares
Além de Evenepoel e Pogačar, o contrarrelógio reúne um conjunto alargado de candidatos a um resultado de relevo.
Filippo Ganna encontra um percurso favorável às suas características, sobretudo na segunda metade da etapa.
Pela INEOS Grenadiers, Tobias Foss, Joshua Tarling e Thymen Arensman também poderão discutir os lugares cimeiros.
Na UAE Team Emirates-XRG, Brandon McNulty e Isaac Del Toro oferecem alternativas competitivas, enquanto Juan Ayuso, Mattias Skjelmose, Luke Plapp e Paul Seixas surgem igualmente entre os corredores que podem aproveitar o perfil exigente da etapa para alcançar um bom resultado.
O regresso após o descanso pode ser decisivo
Além do percurso, existe outro fator que poderá influenciar a etapa: o último dia de descanso.
Tradicionalmente, alguns corredores regressam à competição com melhores sensações, enquanto outros demoram mais tempo a reencontrar o ritmo.
Num contrarrelógio onde cada segundo conta, a forma como cada um reage à pausa poderá revelar-se tão importante como as características do percurso.

