O sindicato dos ciclistas profissionais (CPA) veio a público reagir à polémica em torno dos controlos antidoping noturnos realizados a Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard durante o Tour de França, defendendo uma reflexão sobre os métodos utilizados.
Num comunicado, a Cyclistes Professionnels Associés (CPA) fez questão de sublinhar que não põe “em caso algum em questão a luta contra o doping”, reiterando o seu “pleno empenho a favor de uma luta antidoping forte, credível e eficaz”. No entanto, o organismo manifestou preocupação com as modalidades destes controlos, apelando a que “o conjunto das partes interessadas se reúna a fim de clarificar os procedimentos atualmente em vigor e de garantir, nomeadamente, que os controlos efetuados se inserem num quadro jurídico rigoroso”.
A pertinência dos testes realizados durante a noite é um dos pontos centrais da contestação do sindicato. “Interromper o repouso dos atletas a meio da noite para efetuar controlos exige uma verdadeira reflexão”, pode ler-se na nota, que recorda que os objetivos do Código Mundial Antidopagem são, acima de tudo, “proteger a saúde dos desportistas e garantir a equidade das competições”, princípios que ganham ainda mais relevância numa prova tão exigente como a Volta a França.
O CPA destaca ainda o desequilíbrio financeiro no combate ao doping. O ciclismo, através da International Testing Agency (ITA), contribui com cerca de 10 milhões de euros para a recolha e análise de amostras. Em contrapartida, a Agência Mundial Antidopagem (AMA) investe, em média, apenas 5 milhões de dólares por ano na investigação para desenvolver novos métodos de deteção, abrangendo todos os desportos.
Face a estes números, o sindicato levanta uma questão: “Não seria mais pertinente investir mais na investigação científica e nas tecnologias de deteção em vez de multiplicar os controlos inopinados particularmente invasivos?”. A posição da CPA é resumida na conclusão do comunicado: “Uma luta eficaz contra o doping é indispensável. Uma luta inteligente contra o doping é-o igualmente”.

