Remco Evenepoel conquistou, finalmente, a primeira vitória numa etapa em linha no Tour de França, triunfando no topo do Plateau de Solaison, na 15ª jornada da prova. A vitória do belga da Red Bull-BORA-hansgrohe foi alcançada com ‘consentimento’ de Tadej Pogacar, que preferiu manter um andamento na subida final que permitisse a Isaac del Toro ganhar tempo aos demais adversários na luta pelo pódio, num dia marcado pelo abandono de Jonas Vingegaard após queda.

PUB

Depois de duas vitórias em contrarrelógio em 2024 e 2025, Evenepoel impôs-se na exigente subida de 11,3 km com 9,1% de inclinação, superando a superioridade numérica da equipa UAE Emirates XRG. Visivelmente emocionado, o belga partilhou as sensações após a corrida.

“Foi um dia incrível, estou a tremer de emoção”, começou por dizer. “Senti-me muito mal no início, mas melhorei ao longo do dia. Para mim, é um grande passo. Sempre recebi críticas a dizer que não conseguiria acompanhar os melhores em subidas longas. Foi incrível, estava sozinho. Significa muito”, desabafou, referindo-se à sua performance ao lado de Pogacar, a quem descreveu como “o melhor ciclista” que já conheceu.

PUB

Apesar da desvantagem tática perante a dupla da UAE, com Isaac Del Toro e Tadej Pogacar, Evenepoel soube gerir a situação. “Não esperava ataques do Isaac na parte final, mas ele fê-lo nos últimos quilómetros. Foi um ataque muito potente, e atacou novamente a 400 metros da meta, o que para mim foi a melhor forma de lançar o meu sprint. Tentei apenas ir o mais rápido possível até à linha”, explicou.

A vitória teve um sabor especial por ser num local que conhece bem. “Fiz esta subida talvez umas 20 vezes quando estive em estágio em Combloux. É incrível chegar ao dia de descanso com este sentimento”, acrescentou.

“Vingegaard? É algo que não se deseja a ninguém” 

O dia ficou também ensombrado pelo abandono de Jonas Vingegaard. Sobre o incidente, Evenepoel comentou: “São notícias muito más, em primeiro lugar para ele e para a sua equipa. É algo que não se deseja a ninguém”. No entanto, o foco teve de ser mantido. “Depois disso, temos de nos reconcentrar e tentar dar o máximo. Agora, ganhar a etapa, chegar com o Tadej e o Isaac e distanciar os outros é uma grande conquista”.

Olhando para o futuro, o ciclista belga mostrou-se confiante. “É incrível ter as minhas melhores pernas durante este Tour. Espero conseguir recuperar desta etapa e abordar a última semana em forma”, afirmou, já a pensar na etapa de terça-feira, o contrarrelógio.

“É muito difícil ganhar uma corrida, e eu sou um dos sortudos que pode ganhar muitas. Mas no Tour, em montanhas difíceis como esta, é muito difícil bater tipos como o Tadej e o Jonas. Por isso, quando temos a oportunidade, temos de a aproveitar. Para mim, esta é a primeira etapa de montanha que ganho a partir do grupo dos favoritos. Mostra que progredi”, concluiu, sublinhando que a corrida “ainda não acabou”.