Afonso Eulálio perdeu a maglia rosa hoje na 14ª etapa da Volta a Itália, com chegada em alto a Pila, mas não a perdeu sem dar boa luta.

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O português da Bahrain Victorious chegou a este dia com a camisola rosa e resistiu mais do que muitos esperavam numa etapa com mais de 4.000 metros de desnível.

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Quando cedeu, a 8,7 km da meta, já tinha dado tudo o que tinha, sempre muito bem auxiliado por um fantástico Caruso. A rosa passou para Jonas Vingegaard, que a partir daqui dificilmente largará a liderança da prova italiana.

É o terceiro triunfo consecutivo do dinamarquês numa chegada em altitude neste Giro. Três chegadas em alto, três vitórias. Um hat-trick que diz tudo sobre o estado de forma de Vingegaard e sobre o nível de domínio que a Visma tem conseguido impor nesta corrida.

O ataque chegou a 4,6 km da meta, depois de Davide Piganzoli ter destruído o grupo com um esforço monumental (isto já depois de Sepp Kuss ter imprimido uma mudança de ritmo incrível na frente, o momento que fez Eulálio ceder…).

Felix Gall foi o único a tentar acompanhar Vingegaar, mais uma vez, mas também mais uma vez não conseguiu. Vingegaard chegou sozinho. Gall foi segundo, a 49 segundos. Jai Hindley terceiro, a 58.

O trabalho da Visma antes do inevitável

A equipa neerlandesa controlou a etapa desde o primeiro metro, com Tim Rex a gerir a fuga durante horas. Ver a cara de esforço deste ciclista na parte final do seu trabalho foi um momento único…

Na subida final para Pila, foi uma sequência de esforços encadeados: Victor Campenaerts carregou, passou o testemunho a Sepp Kuss, que passou a Piganzoli. Cada um foi eliminando rivais até só restar Gall. E depois nem ele restou…

É o tipo de trabalho de equipa que transforma um corredor forte num favorito imbatível.

A geral muda de forma

Eulálio mantém o segundo lugar a 2.26 de Vingegaard. Gall é terceiro a 2.50.

Para o português, perder a rosa desta forma não é uma derrota, é uma confirmação de que chegou mais longe do que qualquer um antecipava. Manter o segundo lugar até Roma seria um resultado histórico para o ciclismo português.

Para Gall, a questão é se existe algum terreno neste Giro onde possa bater Vingegaard. Até agora, a resposta tem sido não.