A sétima etapa da Volta a Itália 2026 é o momento que os candidatos à geral estavam a esperar.
Partida de Formia às 10h55, chegada prevista para as 17h00. Pelo meio, 245 km e 4.352 metros de desnível acumulado – com o Blockhaus à espera no final.
É a etapa mais longa desta edição e a primeira com chegada em altitude. Tudo o que aconteceu até aqui foi, de certa forma, um prólogo.
A subida final tem 13,6 km a uma média de 8,4% – mas a média esconde o que está no meio.
Durante cerca de dez quilómetros, o declive sobe acima dos 9%. É nessa secção intermédia que a corrida se vai partir.
Os últimos 400 metros têm ainda um pico final de 7,5% depois de uma breve descida, o que pode gerar um sprint de grupo reduzido – se é que alguém ainda tiver pernas para isso.
O Red Bull KM está posicionado a apenas dois quilómetros do início da subida, o que pode provocar ataques antecipados e tornar a entrada no Blockhaus ainda mais explosiva.
Etapa 7
Data: 15 maio
Partida: Formia
Chegada: Blockhaus
Distância: 244 km
Acumulado: 4.472 m
A 7.ª etapa é o primeiro grande teste da geral. São mais de 240 quilómetros até ao Blockhaus, com cerca de 4.500 metros de desnível. A subida final é longa, dura e regular, com vários quilómetros acima dos 10%.
Será o primeiro dia em que os favoritos não se poderão esconder. Quem estiver mal posicionado ou sem pernas pode perder muito tempo ainda antes do fim da primeira semana.

Uma etapa que não perdoa ninguém
A primeira metade dos 245 km é relativamente plana – o que dificulta fugas de escaladores puros, mas garante que o pelotão chega à parte dura com a fadiga já acumulada.
A partir do meio da etapa, o terreno muda completamente. Uma subida de 13,2 km a 4,8% serve de aquecimento antes de uma segunda de 6,7 km a 6,4%. Depois disso, o traçado sobe e desce sem parar até à base do Blockhaus.
Quem chegar desgastado ao Blockhaus vai pagar caro.
Vingegaard vai atacar?
Jonas Vingegaard ainda não mostrou as “cartas” que tem neste Giro.
A Visma tem gerido o dinamarquês com cuidado desde a Bulgária, mantendo-o longe de riscos desnecessários. No Blockhaus, essa gestão acaba.
Davide Piganzoli deverá ser o último a trabalhar para Vingegaard antes de tentar defender a sua própria posição na geral – um papel que o jovem italiano tem desempenhado com naturalidade nesta corrida.
Giulio Pellizzari (Red Bull-Bora-Hansgrohe) é um dos nomes com perfil mais adequado para este tipo de chegada. O italiano tem trabalhado bem com Jai Hindley – vencedor precisamente no Blockhaus em 2022 – e uma etapa assim pode ser o trampolim para o primeiro pódio numa grande Volta.
Felix Gall (Decathlon CMA CGM) é outro candidato com credenciais. O austríaco prospera em etapas longas e duras, e chegou ao Giro com boa forma acumulada.
Thymen Arensman (Ineos Grenadiers) tem mostrado uma versão mais agressiva de si mesmo nesta temporada. Se confirmar essa evolução no Blockhaus, pode surpreender.
Egan Bernal nunca pode ser descartado numa subida desta natureza. Teve dificuldades nas etapas anteriores, mas ainda não perdeu tempo para a geral – e um dia longo e exigente pode ser exactamente o que precisa para se relançar.
Enric Mas (Movistar) estreia-se no Giro esta temporada, depois de uma série negra de resultados. Chega aparentemente recuperado – e se essa forma for real, o Blockhaus é o lugar certo para o confirmar.
Ben O’Connor (Jayco AlUla) tem um historial sólido nas chegadas de montanha mais duras das grandes Voltas. É o tipo de corredor que pode surgir de surpresa quando a etapa se torna verdadeiramente seletiva.
Michael Storer (Tudor) e Derek Gee-West (Lidl-Trek) completam a lista dos que podem marcar presença na discussão, apesar de ambos chegarem com episódios menos positivos já neste Giro.
E Afonso Eulálio?
Afonso Eulálio defende a maglia rosa pela primeira vez num dia de montanha – e é a pergunta mais interessante de toda a etapa.
O português mostrou capacidade para estar na frente da corrida na quinta etapa, mas a queda no final e as incógnitas sobre o estado físico tornam o seu desempenho no Blockhaus imprevisível.
Se a Bahrain Victorious gerir bem a etapa, com o experiente Damiano Caruso ao seu lado, a permanência na liderança não está fora de questão. Mas o Blockhaus é cruel – e pode cobrar a fatura da queda mais cedo do que se espera.
É exactamente essa imprevisibilidade que torna a sétima etapa o momento mais aguardado deste Giro.



