Depois de uma primeira etapa resolvida ao sprint por Paul Magnier, a Volta a Itália entra em terreno mais imprevisível, mas ainda na Bulgária. A ligação entre Burgas e Veliko Tarnovo, com mais de 220 km, deverá afastar vários sprinters puros e abrir espaço a corredores mais completos.

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O perfil não apresenta grandes montanhas, mas o desgaste acumulado, as várias zonas onduladas e sobretudo a subida colocada perto da meta podem transformar completamente a corrida.

A etapa terá 221,2 km e cerca de 2.500 metros de acumulado, numa jornada longa que começa junto ao Mar Negro e termina no interior do país.

Durante boa parte do dia, o percurso não deverá criar grandes diferenças. As primeiras dificuldades aparecem a meio da etapa, com duas subidas de terceira categoria: o Bayala Pass e o Vratnik Pass. Não são ascensões decisivas, mas devem endurecer a corrida e retirar frescura às pernas antes do final.

Tudo aponta para que a corrida expluda nos últimos 15 km.


Etapa 2
Data: 9 maio
Partida: Burgas
Chegada: Veliko Tarnovo
Distância: 221 km
Acumulado: 2.411 m

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A principal dificuldade do dia será o Lyaskovets Monastery Pass, uma subida curta mas agressiva, com 2,3 km a 8,9% de inclinação média. A estrada sobe de forma constante e deverá ser o ponto escolhido para ataques de puncheurs, homens da geral e corredores à procura da camisola rosa.

Mesmo depois da subida, a etapa continuará perigosa. Há descida rápida, estradas onduladas e ainda uma rampa dentro dos últimos dois km, suficiente para provocar novos cortes.

Não é um final especialmente técnico, mas será nervoso. A luta pelo posicionamento deverá começar muito cedo e qualquer erro pode custar contacto com o grupo principal.

Um dia aberto a muitos cenários

A 2ª etapa parece demasiado dura para um sprint clássico, mas talvez não seja suficientemente seletiva para criar diferenças grandes entre os favoritos da geral.

Isso deixa a corrida completamente aberta.

Uma fuga forte pode ter espaço para discutir a vitória, sobretudo se as equipas dos homens rápidos hesitarem em assumir a perseguição. Ao mesmo tempo, há várias formações com corredores capazes de vencer num grupo reduzido, o que pode impedir que os fugitivos ganhem demasiada margem.

Corredores como Corbin Strong, Andrea Vendrame, Christian Scaroni ou Edoardo Zambanini devem olhar para esta etapa como uma oportunidade rara numa Grande Volta.

Mas também há nomes da geral que podem mexer na corrida.

Jonas Vingegaard dificilmente atacará de forma séria tão cedo no Giro, mas o dinamarquês deverá andar sempre na frente para evitar cortes e problemas.

Giulio Pellizzari, Egan Bernal, Jai Hindley ou Thymen Arensman também têm características para responder bem a este tipo de final explosivo.

António Morgado pode entrar nas contas

A UAE Team Emirates-XRG deverá voltar a ser uma das equipas mais ativas no final da etapa. E isso pode beneficiar António Morgado.

O português já mostrou na etapa inaugural que está atento às bonificações e este tipo de chegada encaixa bem nas suas características: subidas curtas, ritmo elevado e um final onde resistência e explosão contam mais do que velocidade pura.

A concorrência dentro da própria equipa será forte, com Jan Christen e Jhonatan Narváez também muito adaptados ao perfil da etapa, mas Morgado pode perfeitamente discutir um lugar entre os melhores se chegar bem colocado à subida decisiva.

Quem são os principais favoritos?

Jhonatan Narváez surge como um dos nomes mais fortes para este tipo de chegada. Tem explosão, experiência e capacidade para responder tanto a ataques como a uma chegada em pequeno grupo.

Andrea Vendrame é outro corredor que costuma aparecer bem em etapas duras e imprevisíveis. Se sobreviver à subida final com os melhores, será muito perigoso.

Christian Scaroni também deverá estar entre os protagonistas. O italiano continua a mostrar regularidade neste tipo de terreno e pode aproveitar marcações entre os favoritos.

Giulio Ciccone encaixa igualmente no perfil da etapa, sobretudo se a corrida endurecer bastante na subida final.