Afonso Eulálio tem contas para ajustar com o Giro d’Italia.
O ciclista português da Bahrain Victorious regressa à corsa rosa com um objetivo definido: lutar por uma vitória de etapa e, acima de tudo, ver a bandeira de chegada em Roma.
Em declarações à agência Lusa, ainda a caminho de Nessebar, na Bulgária, de onde arrancou hoje a primeira etapa da 109.ª edição da Volta a Itália, Eulálio foi direto ao assunto.
“É um ajuste de contas. É ver se fecho algo que deixei aberto o ano passado”, afirmou o figueirense de 24 anos.
A estreia de Eulálio no Giro, em 2025, ficou marcada por um momento de pura coragem.
O português coroou em solitário o Mortirolo – uma das subidas mais temidas e míticas de toda a corrida. Dois dias depois, na 19.ª etapa, desistiu.
“Como foi já perto do fim, era quase só mais uma etapa dura e depois a etapa de Roma para festejar… acabou por não ser o ideal não acabar, sendo tão perto do fim”, reconheceu à Lusa.
Uma preparação construída de raiz para o Giro
Este ano, a abordagem foi completamente diferente. A equipa definiu desde o início do ano que o Giro seria a grande prioridade.
“Este ano acabámos por fazer as coisas totalmente diferentes, acabámos por nos focar bastante no Giro, por fazer uma preparação perfeita: treinar, correr quando tínhamos que correr”, explicou.
Em contraste com 2025, quando a preparação foi, nas suas palavras, “como o Totoloto” – sem altitude, sem foco –, este ano chegou ao arranque com tudo controlado.
Sem etapa marcada, mas com os olhos abertos
Eulálio não esconde a ambição de vencer uma etapa. Mas recusa-se a fazer planos rígidos.
“Vai ser desligar completamente da corrida e ir por uma etapa. Decidi não escolher nenhuma etapa mesmo. Vamos ver sempre como é que está a corrida, ler como é que está a corrida e ler também como é que eu vou evoluindo”, disse.
A estratégia é simples: decidir na manhã do dia anterior, consoante as pernas e o cenário da corrida.
Sabe que as oportunidades dependem de muito mais do que a sua vontade – “das outras equipas, das minhas pernas, como se está e como não está.”
O papel na equipa e o favoritismo de Vingegaard
Quando não estiver à caça de uma fuga, Eulálio estará ao lado de Santiago Buitrago, o líder da Bahrain Victorious na geral.
Sobre a luta pela vitória final, o português não tem dúvidas: Vingegaard será o vencedor. Ponto.
O seu pódio ideal? Vingegaard, Buitrago e Giulio Pellizzari.
“Foi pena o João Almeida ter ficado de fora”, lamentou ainda, numa referência ao compatriota que não alinha na prova.
Três portugueses no Giro – e a possibilidade de uma fuga a dois
Ao contrário da edição anterior, em que foi o único português em prova, Eulálio tem agora companhia.
António Morgado (UAE Emirates) e Nelson Oliveira (Movistar) completam o trio luso nesta edição.
“O Morgado é jovem como eu e também um pouco ofensivo, pode ser que seja engraçado estarmos os dois um dia numa fuga. E, depois, ter o experiente Nelson, o capitão… Vai ser bom ter os dois aqui comigo”, concluiu.
Uma fuga a dois portugueses no Giro d’Italia. Seria, isso sim, para guardar na memória.



