Uma jornada de alta montanha com tudo o que se espera de uma grande Volta marcou a chegada a Águeda, onde Alexis Guerin voltou a brilhar. O francês da Anicolor-Campicarn repetiu o triunfo do ano passado e voltou a conquistar o Grande Prémio Anicolor, depois de bater ao sprint o colombiano Javier Jamaica (NU Colombia). Os dois protagonizaram uma longa fuga de mais de 70 quilómetros, enfrentando um percurso sempre ondulante, com subidas exigentes (seis delas categorizadas) e mais de 4100 metros de desnível acumulado.

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Atrás, o grupo onde seguia Tiago Antunes, que começou o dia de amarelo, cortou a meta com 1.34 minutos de atraso. O russo Artem Nych (Anicolor) liderou esse grupo e garantiu o terceiro lugar na etapa rainha (a terceira e última) numa edição que este ano subiu ao nível 2.1 da UCI, equivalente ao da Volta a Portugal.

A dureza começou cedo, pouco depois da partida em Mortágua, com duas contagens de montanha a lançar a corrida. Um grupo de 15 corredores ainda chegou a ganhar algum espaço, incluindo ciclistas próximos da liderança, mas o pelotão, comandado pela Efapel e pela Anicolor, rapidamente anulou a tentativa.

A corrida manteve-se controlada até à subida de Candal, a cerca de 100 km da meta, momento em que a equipa da casa mexeu na corrida. Alexis Guerin lançou um ataque e formou um grupo com Javier Jamaica e José Neves (Simoldes-Oliveirense). Os três começaram a construir vantagem, que chegou aos 2.30 minutos no topo da Coelheira (1.ª categoria). Pelo caminho, José Neves cedeu e acabou alcançado pelo pelotão, que se ia reduzindo progressivamente.

Nos derradeiros 50 quilómetros, com duas subidas de 2.ª categoria ainda por ultrapassar, a corrida entrou na fase decisiva. Após Dornelas, a vantagem dos dois fugitivos ultrapassava já os três minutos, enquanto a Efapel tentava limitar perdas com um grupo reduzido a menos de duas dezenas de corredores. A liderança de Tiago Antunes estava em risco e acabou por se complicar ainda mais na última subida, em Talhadas, onde surgiram ataques no grupo perseguidor e Artem Nych conseguiu destacar-se na descida rumo à meta.

Na frente, Guerin e Jamaica começaram a medir forças diretamente. O colombiano tentou várias vezes distanciar-se para recuperar o tempo perdido na geral e, já perto do topo da última subida, conseguiu abrir um pequeno espaço. No entanto, Guerin conseguiu regressar à roda do adversário e os dois seguiram juntos até final. Sem colaboração entre ambos, a decisão ficou guardada para o sprint, onde o francês foi mais rápido, garantindo simultaneamente a vitória na etapa e na classificação geral.

No final, Alexis Guerin dedicou o triunfo ao colega de equipa Louis Ferreira, vítima de uma queda na primeira etapa que resultou em três vértebras fraturadas. “Ontem disse à equipa que queria tentar algo parecido ao ano passado, atacar a cerca de 70 ou 80 quilómetros do fim, e eles confiaram em mim. Esta vitória é para a equipa e para o Louis, que está a passar um momento difícil. É um grande amigo. Também significa muito para a minha família. Estou mesmo emocionado”, afirmou o francês, de 33 anos, que assim somou o terceiro triunfo da temporada, depois de já ter vencido uma etapa na Volta ao Alentejo, na Serra de São Mamede.

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Sobre o duelo com Javier Jamaica, comentou: “Sabia que ele estava muito forte, isso já tinha ficado claro na primeira etapa. Quando me atacou, sugeri que colaborássemos, que ele ficava com a etapa e eu com a geral, mas ele não quis. Faz parte das corridas.”

No final, Tiago Antunes admitiu que não conseguiu contrariar a força dos rivais. “Foi uma etapa muito dura, provavelmente das mais exigentes que já fizemos em Portugal. A equipa esteve bem e tentou controlar a corrida dentro do possível, mas os homens da frente estavam num nível muito alto. Quando percebemos que não íamos conseguir fechar o espaço, passámos a pensar no pódio. No final, tentámos manter tudo junto, porque sabia que podia tirar partido das bonificações, e consegui segurar o terceiro lugar”, explicou.

“Eles mexeram na corrida muito cedo. Ainda tínhamos vários elementos na frente e acreditámos no coletivo, mas hoje não foi suficiente. Os mais fortes acabaram por ganhar”, concluiu, depois de terminar a 1.33 minutos de Alexis Guerin.