Um erro de planeamento com os pedais custou a Mathieu van der Poel a oportunidade de lutar pela quarta vitória consecutiva na Paris-Roubaix, com o chefe da equipa Alpecin-Premier Tech, Christophe Roodhooft, a assumir a culpa pelo incidente.

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O momento crítico da corrida aconteceu na Floresta de Arenberg, quando Van der Poel sofreu um furo duplo. O que deveria ter sido uma troca rápida de bicicleta com o seu colega de equipa Jasper Philipsen transformou-se numa cena surreal. O neerlandês não conseguiu encaixar os seus sapatos nos pedais da bicicleta de Philipsen e foi forçado a caminhar cerca de 50 metros em sentido contrário ao da corrida para recuperar a sua própria bicicleta.

A incompatibilidade surgiu porque, embora toda a equipa utilize pedais Shimano Dura-Ace, Philipsen, juntamente com Florian Sénéchal e Jonas Rickaert, estava a usar um novo protótipo com um sistema de encaixe diferente. Mecânicos da equipa confirmaram que os dois sistemas utilizam cleats distintos.

A rápida intervenção do jovem Tibor Del Grosso, que parou e trocou a sua roda pela de Van der Poel, permitiu que o líder da equipa voltasse à corrida. No entanto, quando o fez, já tinha perdido mais de um minuto e meio para os seus rivais.

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Pouco depois, ainda em Arenberg, Van der Poel sofreu novo furo, mas desta vez a troca de bicicleta com o carro da equipa foi mais célere. Ainda assim, à saída do setor, o atraso para o grupo da frente, onde seguiam Wout van Aert e Pogacar, era de quase dois minutos.

 

Nos 90 quilómetros seguintes, Van der Poel liderou uma perseguição implacável no segundo grupo, conseguindo reduzir a desvantagem para apenas 15 segundos.

No final, terminou a prova em quarto lugar, atrás de Wout van Aert, Pogacar e Jasper Stuyven, que ficou com o terceiro posto.

Após a corrida, Christophe Roodhooft, chefe da equipa, não escondeu o seu desalento. “Cometi um erro muito estúpido. Parece duro, mas não percebo como não pensei nisto”, afirmou aos jornalistas, explicando que, embora os pedais fossem compatíveis, o encaixe não era o mesmo.

“Já está feito. Não posso voltar atrás. Devia ter pensado nisso, mas nunca imaginei que tudo se conjugaria de uma forma tão crucial. É mais improvável do que ganhar a lotaria”, lamentou.

Um mecânico da equipa, em declarações exclusivas à Cyclingnews, revelou que a troca deveria ter funcionado, citando um exemplo anterior na Kuurne-Brussel-Kuurne, onde Philipsen trocou de bicicleta com Planckaert. “Deveria funcionar, mas Arenberg não é o mesmo que Kuurne”, admitiu.

Roodhooft acrescentou ainda um detalhe sobre a ação de Del Grosso, explicando que o jovem ciclista já tinha sofrido um furo no pneu traseiro, mas, ao ver a bicicleta abandonada do líder, não hesitou em parar para o ajudar.