Chris Horner, antigo vencedor da Vuelta, criticou duramente a abordagem tática dos adversários de Tadej Pogacar na Volta a Flandres, que culminou com a terceira vitória do esloveno na prova. Para Horner, os erros cometidos pelas outras equipas foram tão graves que os corredores e diretores desportivos mereciam ser repreendidos.

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A corrida, que prometia um duelo emocionante entre Pogacar e Mathieu van der Poel, teve um momento decisivo a mais de 100 quilómetros da meta, na subida de Molenberg. Um esforço de Nils Politt, da UAE, esticou o pelotão e expôs a falta de atenção de favoritos como Wout van Aert e Mads Pedersen, que por pouco não ficaram para trás. Este movimento resultou na formação de um grupo de 16 ciclistas na frente, onde Pogacar contava com o apoio do colega de equipa Florian Vermeersch.

A partir daí, segundo a análise de Horner, a estratégia das equipas rivais foi desastrosa. Em vez de isolarem Pogacar, todos os ciclistas no grupo da frente colaboraram com o esloveno, permitindo que o grupo chegasse à segunda passagem pelo Oude Kwaremont.

Foi nessa subida que Pogacar lançou o primeiro grande ataque. Horner defende que a tática correta seria deixá-lo ir sozinho e organizar a perseguição, mas isso não aconteceu. Mads Pedersen, da Lidl-Trek, pareceu ser o único a perceber a situação. “Ele abrandou e deixou Pogacar ir”, destacou Horner. “É a jogada mais inteligente que se pode fazer naquele momento, a 58 quilómetros do fim: deixar Pogacar ir sozinho.”

No entanto, a esperança de Horner foi curta. “Mas, adivinhem? Wout van Aert começa a fechar o espaço para Pogacar. É um erro tremendo”, lamentou. Este movimento de Van Aert forçou Mathieu van der Poel, que tinha sido apanhado desprevenido no início da subida, a gastar energias preciosas para se juntar aos da frente. Van Aert acabaria por ceder perto do topo, enquanto Van der Poel e Evenepoel conseguiam alcançar o esloveno.

O erro seguinte foi de Evenepoel, que puxou pelos seus dois adversários até à base do Paterberg, apenas para ser distanciado logo nos primeiros 100 metros da subida.

Depois, outro lapso: sozinho contra Pogacar, Van der Poel cometeu o erro final ao continuar a colaborar com o esloveno. Na combinação final de Kwaremont-Paterberg, o campeão do mundo não perdoou e atacou de forma decisiva para vencer a solo.

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Horner não poupa nas palavras

“Vocês são todos uns idiotas. O vosso diretor desportivo devia ser despedido. Deviam ser mandados de volta para as corridas de amadores, porque nenhum de vocês sabe minimamente como correr de bicicleta”, critica Horner.

O antigo ciclista americano mostrou-se incrédulo com a repetição de erros táticos. “Ele destruiu toda a gente. A primeira regra da Volta a Flandres é: não se puxa por Tadej Pogacar”.

Apesar das críticas, Horner elogiou a performance do vencedor. “Tadej Pogacar, és excecional. Tiro-lhe o chapéu”, disse, projetando já a próxima corrida. “Pogacar quer ir à Paris-Roubaix com a possibilidade de vencer para poder conquistar os cinco Monumentos na época de 2026. E, a este ritmo, se todos continuarem a correr como na Flandres, mais vale entregarem-lhe já o troféu, porque tudo o que vi na Ronde foi pura estupidez por parte de todos», concluiu.