As rodas Fulcrum Sharq GR e Soniq GR surgem como duas novas propostas para gravel num momento em que a disciplina está claramente a evoluir para velocidades mais altas e uma utilização cada vez mais próxima do BTT “leve”.

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O ponto de partida destas rodas não é a estrada, mas sim o gravel competitivo atual: pneus mais largos, pressões mais baixas e terrenos técnicos obrigam a repensar a forma como roda e pneu trabalham em conjunto, certo?

É nesse contexto que aparece uma das principais características desta nova plataforma: o aro/jante com 30 mm de largura interna. Vejamos mais já a seguir!

Uma largura interna de 30 mm coloca estas rodas acima do que ainda é comum em gravel, onde valores entre 23 e 25 mm continuam a ser frequentes. Na prática, isto pode alterar a forma do pneu.

Em vez de assumir o formato mais “redondo” típico de jantes estreitas, o pneu mantém uma secção mais aberta e estável. Isso traduz-se em três efeitos diretos:

  • Maior área de contacto com o solo
  • Melhor estabilidade lateral, especialmente em curva
  • Menor deformação do pneu sob carga

Este último ponto é particularmente relevante. Com menos deformação, a resistência ao rolamento tende a ser mais baixa, mesmo com pneus largos, o que ajuda a manter velocidade em terreno irregular.

Além disso, reduz-se o risco de perda de ar em situações de compressão lateral (efeito burp), algo importante em utilização tubeless com pressões baixas.

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Compatibilidade pensada para pneus 47-50 mm

Estas rodas foram claramente pensadas para trabalhar com pneus entre 47 e 50 mm, que já são comuns em provas de gravel mais rápidas e exigentes.

Este tipo de combinação (jante larga + pneu largo) permite utilizar pressões mais baixas e assim promete dar origem a:

  • Tração em terreno solto
  • Conforto em longas distâncias
  • Controlo em descidas técnicas

Ao mesmo tempo, a maior quantidade de ar disponível permite afinar melhor o comportamento da bicicleta, ajustando a pressão consoante o tipo de terreno.

A Fulcrum aponta para um limite máximo de 3,5 bar, o que confirma que estas rodas foram pensadas para um uso real em gravel técnico e não para configurações mais próximas da estrada.

Perfil alto no gravel: faz sentido?

Outro elemento que chama a atenção é o perfil do aro da roda, que varia entre 47 e 52 mm. Este valor é mais comum em rodas de estrada, mas começa a aparecer também no gravel competitivo, sobretudo em percursos rápidos.

O perfil ondulado (tecnologia Fulcrum 2-Wave) introduz variações ao longo da jante que ajudam a gerir melhor o fluxo de ar e a reduzir a instabilidade causada por vento lateral.

Construção e sistema tubeless

Ambos os modelos utilizam construção 2-Way Fit, com canal interno sem furos.

Isto significa que não é necessário utilizar fita tubeless, o que pode trazer algumas vantagens: montagem mais simples, menor probabilidade de fugas de ar, estrutura da jante mais sólida.

Fulcrum Sharq GR: a versão que promete mais performance

A Sharq GR é a opção mais leve e mais focada em utilização competitiva.

Utiliza fibra de carbono FF100, mais rígida e leve, e integra raios planos A3RO com padrão 2:1. Os cubos utilizam sistema Cup & Cone, que permite ajuste fino da pré-carga dos rolamentos e tende a oferecer menor atrito quando bem afinado.

Especificações principais:

  • Peso: 1.550 gramas
  • Aro: carbono FF100
  • Perfil: 47-52 mm
  • Largura interna: 30 mm
  • Raios: planos A3RO, padrão 2:1
  • Cubos: Cup & Cone
  • Preço: 1.990 euros

Fulcrum Soniq GR: alternativa mais equilibrada

A Soniq GR mantém exatamente a mesma base de jante e conceito, mas com uma construção mais orientada para versatilidade e custo.

Utiliza fibra de carbono FF80, ligeiramente menos rígida e mais acessível, e recorre a cubos com rolamentos selados. Os raios são de perfil redondo.

Especificações principais:

  • Peso: 1.695 gramas
  • Jante: carbono FF80
  • Perfil: 47-52 mm
  • Largura interna: 30 mm
  • Raios: redondos
  • Cubos: rolamentos selados ajustáveis
  • Preço: 1.490 euros