A maioria dos ciclistas começa pelo pode nem sequer estar certo: marcas, preços ou “o que os outros usam”. Mas para escolher um potenciómetro o que interessa é perceber de que tipo de dados precisamos, como os vamos usar e quais os compromissos que estamos dispostos a aceitar…
A realidade é simples: um potenciómetro tanto pode ser a melhor ferramenta do treino como um peso “morto” e caro na bicicleta. A diferença está na escolha. Não existe “o melhor potenciómetro”, existe o mais adequado ao teu contexto, ao teu nível e ao teu objetivo.

A primeira distinção importante está no ponto da bicicleta onde a potência é medida. Há sistemas que medem nos pedais, outros no braço do pedaleiro e outros na “aranha”. E isto pode não ser um detalhe técnico irrelevante.
Pedais com potenciómetro
Medir nos pedais dá-te flexibilidade e facilidade de instalação, especialmente se usas mais do que uma bicicleta. Em contrapartida, ficas mais exposto a impactos e dependente do sistema de encaixe.

Depois surge a questão que mais confusão gera neste tipo de sensor de potência: single-sided ou dual-sided? Acreditamos que um sistema que mede apenas um lado e duplica o valor é suficiente para a esmagadora maioria dos ciclistas. Dá dados fiáveis para treino estruturado, zonas, TSS, FTP e tudo o que realmente interessa para evoluir.
A medição bilateral só faz sentido se tens um motivo concreto para analisar assimetrias, se trabalhas com treinador ou se estás num contexto de alto rendimento em que esses dados são usados de forma ativa. Caso contrário, estás a pagar por complexidade que não vais transformar em desempenho.
Potenciómetro no pedaleiro
Os potenciómetros no pedaleiro tendem a ser mais discretos, mais protegidos e, regra geral, mais estáveis ao longo do tempo, mas perdem na facilidade de troca entre bicicletas. 
Outro ponto crítico que muitas vezes é ignorado é a consistência da medição, não a precisão teórica. Todos os fabricantes anunciam margens de erro mínimas, mas isso vale pouco se o sistema não for estável dia após dia, em diferentes condições de temperatura, humidade ou tipo de esforço.
Um potenciómetro ligeiramente menos preciso, mas consistente, é infinitamente mais útil do que um “super preciso” que varia sem explicação. No treino, comparar esforço ao longo do tempo é mais importante do que saber o número exacto aos watts.
Por fim, convém falar de integração e simplicidade. Um bom potenciómetro é aquele que não te faz perder tempo. Liga rapidamente ao GPS, calibra sem dramas, tem bateria previsível e não falha em momentos críticos. Se passas mais tempo a gerir o dispositivo do que a analisar o treino, escolheste mal!
| Autor do artigo: | |
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| André Canuto |
| Crédito das imagens: | |
|---|---|
| Scoot / Campagnolo / Garmin |



