Demi Vollering conquistou a tripla coroa nas grandes Voltas com uma reviravolta épica na última etapa do Giro Feminino. Um ataque de tudo ou nada na derradeira tirada permitiu-lhe arrancar a camisola rosa a Anna van der Breggen e selar uma vitória histórica em Saluzzo.

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A líder da FDJ United – SUEZ partiu para a etapa decisiva com um atraso de 49 segundos para Van der Breggen, mas a aposta arriscada resultou numa das mais espetaculares reviravoltas da temporada. No final, Vollering venceu o Giro com 34 segundos de vantagem sobre Antonia Niedermaier, enquanto Van der Breggen, a anterior líder, caiu para o terceiro lugar, a 1 minuto e 37 segundos.

A vitória na etapa sorriu a Elisa Longo Borghini, que cortou a meta à frente de Niamh Fisher-Black, Niedermaier e da própria Vollering. No entanto, a história do dia já estava escrita na estrada, com a conquista da geral por parte de Vollering.

Com este triunfo, a ciclista completa um feito notável, juntando a vitória no Giro de Itália aos títulos anteriores no Tour de França e na Vuelta a Espanha. Curiosamente, na mesma época em que Jonas Vingegaard alcançou a tripla coroa masculina no Giro, Vollering conseguiu o equivalente feminino.

“Foi puramente sobre arriscar perder”

A estratégia de Vollering foi audaciosa e calculada para colocar a pressão sobre as adversárias. A ciclista deixou que Niedermaier, terceira na geral, atacasse após a subida ao Montoso, forçando Van der Breggen a uma decisão tática difícil. Enquanto a camisola rosa hesitava, Vollering lançou o ataque na Colletta di Brondello, alcançou o grupo da frente e selou o destino da corrida.

“Hoje foi puramente sobre arriscar perder”, afirmou Vollering após a etapa. “Tive de ousar perder tudo, e fi-lo. Deixei a Antonia ir”. A neerlandesa explicou ainda a tática psicológica para com a compatriota: “Disse à Anna: ‘Também fico feliz com o terceiro lugar. Segundo ou terceiro não me faz diferença, agora a decisão é tua'”».

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O ataque decisivo surgiu na parte mais íngreme da Colletta di Brondello. “Depois tive de tentar largá-la”, recordou Vollering. “E naquela subida final, dei mesmo tudo. Foi o contrarrelógio da minha vida”.

Mesmo depois de se juntar ao grupo da frente, que incluía Longo Borghini, Fisher-Black e Niedermaier, o trabalho não estava terminado. Vollering ainda amealhou seis segundos de bonificação num sprint intermédio e só sentiu a vitória garantida nos últimos quilómetros.

“Só quando a vantagem era de dois minutos é que ousei acreditar”, confessou. “Até porque as minhas pernas estavam completamente com cãibras. Estava apenas a torcer para conseguir chegar à meta”.

Um plano traçado em equipa

A tática arriscada não foi um improviso, mas sim um plano delineado pela FDJ United – SUEZ na noite anterior. “Ontem à noite, traçámos um plano. Entre outros, o Lars [Boom, diretor desportivo] brincou durante o jantar que tínhamos de nos preparar bem, porque amanhã seria um dia muito importante e longo para nós”.