O Giro não perdoa. A etapa de ontem no Blockhaus teve 245 km e quase 4.400 metros de desnível; hoje, a corrida acorda com 155 km pela frente, apenas. Mas atenção que a 8ª etapa da Volta a Itália, de Chieti a Fermo, tem um final que vai fazer mal a quem chegou cansado da montanha.
Partida às 13h35, chegada prevista para as 17h15. A primeira metade da etapa é plana e controlada – terreno pouco propício para fugas de escaladores e puncheurs.
É a segunda metade que importa. A partir dos 50 km finais, a estrada não para de subir e descer, com uma sucessão de dificuldades que vai desgastando as pernas antes do verdadeiro teste.
A sequência é implacável: a subida de Montefiore d’Aso abre as hostilidades a 49 km da meta, seguida de Monterubbiano e de mais uma rampa de 3,3 km. Depois disso, chegam os muros.
O primeiro tem apenas 300 metros – mas a 13,5% de média. O Red Bull KM está colocado exatamente no topo, o que vai provocar ataques prematuros e tornar a entrada em Capodarco ainda mais dolorosa.
Capodarco tem 3,6 km a 5,9%, com uma secção de 500 metros perto dos 10%. Não é a rampa mais dura do dia – mas a essa altura das pernas, vai parecer.
O segundo muro, a 3,6 km da meta, é o mais brutal: 700 metros a 14,4%, com pontas acima dos 20%. Quem não tiver explosividade fica para trás aqui.
Depois, uma subida final de 1,5 km a 5,9% até Fermo decide o sprint ou o ataque vencedor.
Etapa 8
Data: 16 maio
Partida: Chieti
Chegada: Fermo
Distância: 156 km
Acumulado: 1.872 m
A 8.ª etapa, entre Chieti e Fermo, tem perfil clássico de etapa traiçoeira. A primeira parte é acessível, mas os últimos 60 quilómetros incluem várias subidas curtas e duras, incluindo Capodarco e a subida final para Fermo. É terreno para ataques, diferenças curtas e possíveis surpresas.

Quem pode ganhar?
A UAE Team Emirates-XRG chega a esta etapa com um papel diferente do habitual: caçar etapas. Jan Christen tem o perfil ideal para este final – explosivo, recuperou bem de uma clavícula partida na Milão-Sanremo e está em excelente condição. Jhonatan Narváez, vencedor na quarta etapa, é outra opção forte da equipa.
António Morgado também será um nome a seguir. O português está na sua primeira grande Volta e este tipo de final – técnico, explosivo, com muros curtos – encaixa no seu perfil. Pode ser uma oportunidade única.
Giulio Ciccone parte de Chieti – a sua cidade natal – com motivação extra. Disse que não vai para a geral, mas continua envolvido nessa batalha. Numa etapa assim, pode ganhar de qualquer um dos grupos.
Jan Christen, Alessandro Pinarello (NSN), Lennert Van Eetvelt e Andreas Leknessund (Uno-X Mobility) são outros nomes a acompanhar de perto. Leknessund tem mostrado mais explosividade do que o esperado neste Giro.
Guillermo Thomas Silva (XDS Astana) perdeu tempo depois do dia de descanso, mas as suas pernas continuam a ser uma incógnita positiva. Christian Scaroni é outro trunfo da equipa para este tipo de etapa.
Javier Romo (Movistar) é um dos nomes com mais margem de progressão no pelotão – uma etapa destas pode ser o momento certo para dar um salto de qualidade.
E Vingegaard?
Jonas Vingegaard não vai para a fuga – mas se o grupo de favoritos chegar unido aos muros finais, o dinamarquês tem aceleração suficiente para ser perigoso mesmo aqui.



