Afonso Eulálio resistiu com bravura às impiedosas rampas do temível Blockhaus e ao anunciado assalto de Jonas Vingegaard à liderança da Volta a Itália, conseguindo preservar a tão cobiçada camisola rosa. O português mantém agora uma vantagem de 3.17 minutos sobre o dinamarquês, vencedor da etapa e novo segundo classificado da geral.

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Durante grande parte da ascensão final, Eulálio revelou-se à altura da elite mundial, mantendo-se entre os mais fortes numa demonstração de coragem e resiliência. Contudo, o ritmo demolidor imposto pelos homens da Visma — primeiro por Davide Piganzolli e, sobretudo, por um incansável Sepp Kuss — acabaria por abrir fissuras na resistência do corredor da Bahrain Victorious. A cerca de seis quilómetros da meta, pouco antes da ofensiva decisiva de Vingegaard, o jovem português cedeu finalmente ao desgaste acumulado.

Enquanto nomes consagrados do pelotão internacional, como Egan Bernal e Enric Mas, sucumbiam um após outro às inclinações brutais da montanha dos Abruzzos, vergados ao ritmo asfixiante da formação neerlandesa, Afonso Eulálio permaneceu firme na defesa da ‘maglia rosa’, recusando-se a abandonar o sonho.

Quando Jonas Vingegaard lançou o ataque fatal, apenas o italiano Giulio Pellizzari conseguiu, por breves instantes, acompanhar-lhe a roda. Mas a violência da aceleração do dinamarquês depressa se revelou insustentável. A 4,4 quilómetros do topo, Pellizzari quebrou, enquanto Vingegaard seguia isolado rumo a uma vitória autoritária na etapa.

Mais atrás, o italiano acabaria por ser ultrapassado pelo austríaco Felix Gall, antes de ser alcançado por um grupo composto por Jay Hindley, Giulio Ciccone e Ben O’Connor, numa luta intensa pelos lugares imediatos.

Entretanto, Afonso Eulálio encontrou no veterano Damiano Caruso um apoio decisivo. O experiente italiano acompanhou o líder da corrida nos momentos mais delicados da subida, ajudando-o a limitar perdas preciosas para os rivais diretos e, sobretudo, para Vingegaard — auxílio determinante para que o português pudesse continuar a envergar a camisola rosa no final daquela jornada extenuante.

Na frente, Vingegaard cruzou a meta isolado, embora sem conseguir uma vantagem expressiva: apenas 13 segundos sobre um surpreendente Felix Gall. Jay Hindley conquistou o terceiro lugar, após superiorizar-se a O’Connor e Pellizzari, terminando a 1.01 minutos do vencedor.

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Já Afonso Eulálio concluiu a etapa na 15.ª posição, a 2.55 minutos do dinamarquês. Ainda assim, o prejuízo revelou-se bastante inferior ao avanço de 6.22 minutos com que iniciara o dia, permitindo-lhe conservar 3.05 minutos de vantagem na classificação geral do Giro.

No final da etapa, o camisola rosa não escondeu o sofrimento vivido na mítica subida do Blockhaus. “Manter a camisola rosa era um dos objetivos. Tentei sofrer o máximo possível, mas no final explodi”, confessou Afonso Eulálio, sublinhando de imediato a importância do apoio de Damiano Caruso: “Se não tivesse o Damiano comigo, teria sem dúvida perdido mais um ou dois minutos.”

O jovem corredor português descreveu a subida final como um autêntico exercício de sobrevivência. “Senti-me no limite durante toda a ascensão. Enquanto os outros pareciam voar, eu estava apenas a tentar sobreviver”, admitiu. “Esta manhã, quando me perguntaram quanto tempo pensava perder, respondi dois ou três minutos. Acabei por acertar. Isso significa que ainda conservo pouco mais de três minutos de vantagem. Estou satisfeito.”

Apesar de não ter conseguido assumir a liderança da geral, Jonas Vingegaard mostrou-se plenamente satisfeito com a vitória e deixou um aviso para os próximos dias. “Sinto-me em muito boa forma. Hoje foi apenas o primeiro verdadeiro duelo pela classificação geral. Foi importante vencer”, afirmou o dinamarquês, antecipando novas dificuldades: “Amanhã haverá mais algumas subidas muito íngremes e, no domingo, outra chegada em alto. Teremos de permanecer vigilantes.”