Jhonatan Narváez conquistou esta quarta-feira a terceira vitória na presente edição do Volta a Itália, ao vencer a 11.ª etapa. Numa chegada a Chiavari, o ciclista equatoriano da UAE Emirates XRG superiorizou-se ao espanhol Enric Mas (Movistar) num sprint final renhido. Entre os favoritos, não se registaram ataques, o que permitiu a Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) manter a camisola rosa.

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A etapa, destinada aos aventureiros, foi marcada por uma intensa batalha pela formação da fuga desde os quilómetros iniciais. Durante mais de 20 quilómetros, um grupo de cerca de dez ciclistas, no qual se incluía Giulio Ciccone (Lidl-Trek), tentou escapar a uma média superior a 50 km/hora, mas sem sucesso em criar uma vantagem significativa.

Posteriormente, uma fuga mais consistente formou-se com Chris Harper (Pinarello-Q36.5), Mattia Bais (Polti) e Andreas Leknessund (Uno-X), aos quais se juntaram outros nove corredores, incluindo nomes como Aleksandr Vlasov (Red Bull Bora-hansgrohe), Alberto Bettiol (XDS Astana) e Jasper Stuyven (Soudal Quick-Step), compondo um grupo da frente bastante forte.

A corrida manteve-se nervosa, com várias ofensivas mesmo antes das primeiras subidas. Após duas horas a uma média de 48,5 km/hora, o grupo da frente começou a perder elementos, mas foi reforçado pela chegada de oito ciclistas vindos de trás, entre os quais se destacavam Enric Mas, Jhonatan Narváez e Warren Barguil (Picnic PostNL).

A subida ao Colle di Guaitarola foi decisiva, com o pelotão a abdicar da perseguição e a deixar a vitória da etapa para os fugitivos. Os ataques sucessivos de Mas, Narváez e Barguil fizeram uma seleção natural no grupo da frente. Uma queda na descida seguinte afastou da disputa Lennert Van Eetvelt (Lotto Intermarché), Christian Scaroni (XDS-Astana) e Filippo Zana.

Na penúltima dificuldade do dia, a Colla dei Scioli, uma aceleração de Diego Ulissi (XDS Astana) reduziu o grupo da frente a apenas seis ciclistas. Além do italiano, apenas Narváez, Chris Harper, Enric Mas, Aleksandr Vlasov e Ludovico Crescioli (Polti) conseguiram acompanhar o ritmo.

Na fase final, Enric Mas lançou vários ataques, mas apenas Jhonatan Narváez conseguiu responder. Nos últimos dez quilómetros, o equatoriano geriu o seu esforço de forma inteligente, aproveitando alguns relevos do espanhol antes de o bater claramente ao sprint.

Diego Ulissi completou o pódio, enquanto o pelotão com os principais favoritos chegou junto, concluindo uma jornada desgastante.

Na classificação geral, nenhuma alteração relevantes, com Afonso Eulálio a manter a liderança com 27 segundos de vantagem sobre Jonas Vingegaard (Visma LAB).

Narváez: ‘Enric Mas levou-me aos limites’

Narvaez admitiu que a vitória não era um objetivo específico para o dia. “Não estávamos particularmente a apontar para a etapa. Simplesmente senti-me forte e dei o meu melhor”, afirmou.

O equatoriano revelou sentir-se na melhor versão de si mesmo, “mental e fisicamente”, e descreveu a dinâmica da corrida. “Senti-me forte durante toda a etapa. Sabia que estava em boa condição com este tempo. Em casa, treino todos os dias com estas temperaturas”, explicou.

Narvaez reconheceu a dificuldade imposta pelo adversário direto: “Nas subidas, o Enric estava muito forte e eu só conseguia manter-me na sua roda. Ele colocou-me sob imensa pressão nas subidas. Levou-me ao limite. Mas depois, na descida, fui eu que o coloquei sob pressão…”

O ciclista da UAE recordou ainda as dificuldades no início da corrida, onde a sua equipa falhou sucessivos grupos de fugitivos. “Durante a primeira parte da corrida, falhámos o primeiro grupo. Depois falhámos o segundo. E creio que também falhámos um terceiro… Por isso, a equipa ajudou-me”, concluiu, sublinhando a importância de manter o foco. “Tenho de chegar a Roma a correr assim, tenho de ir dia a dia”.