Depois de Tadej Pogacar, foi a vez de Mathieu Van der Poel fazer a antevisão da escaldante Volta a Flandres deste domingo. O neerlandês está perante uma oportunidade histórica no ciclismo: pode tornar-se no recordista isolado de triunfos na emblemática prova, com quatro vitórias.

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Van der Poel, que venceu a Ronde em 2020, 2022 e 2024, partilha o recorde com Achiel Buysse (Bélgica): 1940, 1941, 1943; Fiorenzo Magni (Itália): 1949, 1950, 1951; Eric Leman (Bélgica): 1970, 1972, 1973; Johan Museeuw (Bélgica): 1993, 1995, 1998; Tom Boonen (Bélgica): 2005, 2006, 2012; Fabian Cancellara (Suíça): 2010, 2013, 2014.

A tarefa, contudo, não se afigura fácil, dada a forte concorrência. Além de Tadej Pogacar (UAE Emirates XRG), que já venceu a prova por duas vezes, e de Wout van Aert (Visma | Lease a Bike), que parece ter regressado à sua melhor forma, o antigo campeão do mundo terá ainda de enfrentar Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe), fortíssimo oponente de última hora.

Em declarações ao site da equipa Alpecin-Premier Tech, Van der Poel reconheceu o elevado nível dos adversários. “Talvez haja ainda mais favoritos este ano do que no ano passado”, afirmou, destacando os principais nomes. “A começar, claro, por Tadej Pogacar. Mas, nas últimas semanas, também vi um Wout van Aert muito forte, que está a regressar ao seu melhor nível. Mads Pedersen também melhora a cada corrida.”


O neerlandês não subestima a estreia de Evenepoel em corridas de pavé, considerando-o um adversário de peso. “É a sua primeira vez aqui, mas é um ciclista de topo e tem uma equipa muito sólida à volta. Basta pensar no meu antigo colega de equipa Gianni Vermeersch, que conhece esta corrida de cor. Não devemos, de forma alguma, subestimar o Remco”, alertou, acrescentando que a presença de mais estrelas pode beneficiá-lo: “Fico contente por ele estar à partida. Quanto mais grandes ciclistas houver, mais cedo a corrida se abre. Para mim, isso não é uma desvantagem.”

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Apesar da concorrência, Van der Poel chega à prova com confiança, fruto de uma preparação bem-sucedida. “A E3 Saxo Classic e a Gent-Wevelgem foram dois testes muito bons. Em Harelbeke, tive mesmo de ir às minhas reservas para ganhar. Foi renhido, mas consegui. Em Wevelgem, senti-me um pouco menos fresco por causa disso, por isso, como equipa, decidimos apostar tudo no Jasper Philipsen na fase final. E isso também deu resultado”, explicou, traçando um paralelo com a edição de 2024.

“Na altura, também ganhei a E3 Saxo Classic e, dois dias depois, faltou-me frescura em Wevelgem para bater o Mads Pedersen. Mas, uma semana depois, venci a Volta a Flandres”, recordou.

A equipa da Alpecin é completamente diferente da do ano passado. É improvável que Mathieu van der Poel tenha muito apoio na reta final desta Volta a Flandres. Ainda assim, contará com companheiros capazes de controlar a corrida, principalmente os incansáveis ​​​​Silvan Dillier e Michael Gogl. O antigo campeão francês Florian Sénéchal, Jonas Geens, Edward Planckaert e Oscar Riesebeek, também estão em torno do líder neerlandês.

O estatuto de principal favorito não perturba MVDP. “Faz parte do jogo e já não me deixa nervoso. Quando se está em boa forma, é-se automaticamente considerado um favorito. Encaro isso como um elogio e não altera a minha forma de correr.”

Quanto à possibilidade de se tornar o recordista isolado de vitórias, Van der Poel encara-a com naturalidade, sem pressão adicional. “Claro que estou ciente disso, e seria algo muito especial. Mas abordo a corrida com a mesma mentalidade de sempre: tentar ganhar. Se isso levar a um recorde, irei valorizá-lo”, confessou. “Houve um tempo em que ganhar a Volta a Flandres uma única vez parecia um sonho distante. Tornar-me o único detentor do recorde seria a realização máxima. Mas ainda não o consegui. Veremos”, concluiu.