Enric Mas não podia ter celebrado de melhor forma o primeiro dia vestido de vermelho. O espanhol da Movistar venceu a nona etapa da Volta a Espanha, uma colossal jornada de montanha com final no temido Alto de Aitana, impondo-se a Oscar Onley (Netcompany) num apertado sprint.

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Primoz Roglic (Red Bull) fechou o pódio, mas cedeu 12 segundos para Mas, aos quais se somaram mais seis de bonificação, enquanto Felix Gall (Decathlon), o mais ofensivo entre os candidatos à classificação geral, terminou na quarta posição, a 18 segundos do vencedor, beneficiando ainda de 10 segundos de bonificação.

A sucessão de Tadej Pogacar na liderança da Vuelta ganhou assim um protagonista espanhol e, sobretudo, uma celebração à altura da ocasião. Mas conquistou a primeira vitória em quatro anos — a última tinha acontecido no Giro dell’Emilia, em 2022, precisamente diante de Pogacar, que no sábado lhe entregou a camisola vermelha depois de abandonar a prova devido a uma queda.

Foi também apenas a segunda vitória de Enric Mas na Volta a Espanha, depois do triunfo conseguido em 2018, em Andorra. O resultado permitiu-lhe reforçar a liderança da classificação geral, passando a ter 1.18 minutos de vantagem sobre Roglic e 1.38 sobre Gall.

Ainda a recuperar da emoção da chegada, Mas brincou com o efeito que a camisola vermelha parece ter tido nas suas pernas, antes de destacar o trabalho da equipa.

“Agora percebo o Tadej [Pogacar], esta camisola dá asas [risos]”, afirmou, elogiando o trabalho da Movistar. “Penso que estivemos impecáveis. A equipa fez um trabalho formidável. Mantivemo-nos muito calmos durante toda a etapa. Gerimos a situação muito bem. Senti-me muito bem no final”.

Apesar do triunfo e da vantagem conquistada na geral, o espanhol mantém os pés bem assentes no chão. Aos 31 anos, Mas conhece demasiado bem os altos e baixos de uma carreira para se deixar levar pelo entusiasmo da liderança. “Honestamente, sou muito prudente porque já tive a minha dose de contratempos na carreira desportiva, e é preciso ir etapa a etapa”, explicou.

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Mas não escondeu, contudo, o significado especial de uma vitória alcançada precisamente no dia em que vestiu a camisola mais cobiçada da Vuelta. “Creio que foi uma das sensações mais bonitas que já tive. Estava tão entusiasmado como uma criança desde o início [da etapa]. E poder ganhar vestindo a camisola de líder, posso dizer-vos que é um sentimento verdadeiramente especial”.

A etapa ligou La Vila Joiosa ao Alto de Aitana ao longo de 187,4 quilómetros e foi, até ao momento, a mais exigente da corrida. Pelo caminho, os ciclistas enfrentaram 4.952 metros de desnível acumulado, distribuídos por seis contagens de montanha, e temperaturas que chegaram aos 32 graus.

A decisão ficou reservada para a subida final ao Alto de Aitana, uma ascensão de 21,9 quilómetros, com uma inclinação média de 5,8%, a segunda mais longa desta edição da Vuelta. Antes da batalha entre os favoritos, porém, a corrida viveu uma longa perseguição a uma fuga numerosa.

Pavel Sivakov, da UAE Emirates, foi o último resistente. A equipa que perdeu Tadej Pogacar no sábado não demorou a assumir o protagonismo na estrada, e o francês chegou a isolar-se a dez quilómetros da meta. Resistiu sozinho na frente até aos 4,6 quilómetros finais, quando acabou alcançado pelo grupo dos favoritos.

A partir daí, a corrida transformou-se numa sucessão de ataques. Felix Gall foi o primeiro a mexer, a sete quilómetros da chegada, mas encontrou resposta dos adversários. Richard Carapaz (EF Education) ainda conseguiu ganhar alguns metros, antes de também ser alcançado.

Foi então a vez de Enric Mas. O camisola vermelha atacou duas vezes e, à segunda, a 1,8 quilómetros do alto, conseguiu abrir a diferença decisiva. Apenas Oscar Onley teve pernas para responder à aceleração do espanhol.

Roglic ainda tentou recuperar terreno, mas acabou por ceder definitivamente. Mas entrou no último quilómetro com Onley colado à roda e aguardou até aos 200 metros finais para lançar o sprint. O britânico, líder da classificação da juventude, ainda tentou responder, mas não conseguiu ultrapassar o espanhol.

Enquanto Mas festejava a vitória e consolidava o vermelho, João Almeida voltou a perder terreno. O português da UAE Emirates terminou na 65.ª posição, quase 20 minutos depois do vencedor, numa etapa em que a equipa ficou reduzida a seis elementos após o abandono do jovem espanhol Pablo Torres.