Bryan Coquard venceu este sábado a 8.ª etapa da Volta a Espanha, entre Puçol e Xeraco, mas o resultado desportivo ficou em segundo plano depois da queda que retirou Tadej Pogačar da corrida.

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O francês da Cofidis foi o mais rápido no sprint final, batendo Mads Pedersen e Jordi Meeus, e conquistou a primeira vitória da carreira numa etapa de uma Grande Volta. 

A cerca de 32 km da meta, Pogačar caiu no pelotão pouco antes da subida ao Puerto de Barx, com a suspeita de ter atingido uma pedra com a roda.

O esloveno ainda tentou levantar-se e voltar à bicicleta, mas acabou por ser assistido e transportado de ambulância.

A saída do camisola vermelha altera por completo a luta pela geral. Enric Mas, que iniciou o dia em segundo lugar, passa a assumir a liderança da corrida.

O acidente ocorreu numa fase de grande tensão no pelotão, já perto da única subida categorizada da jornada.

Pogačar caiu juntamente com outros corredores e ficou vários minutos no chão, apresentando ferimentos visíveis no braço e ombro esquerdos.

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Conseguiu inicialmente colocar-se de pé, mas não voltou à bicicleta e acabou por abandonar.

Segundo as primeiras informações médicas avançadas durante a transmissão da RTVE, o esloveno pode ter sofrido um traumatismo craneo-encefálico e existia suspeita de fratura da clavícula esquerda.

O diagnóstico definitivo ainda dependia de exames complementares no momento em que estas informações foram divulgadas.

Até existir um comunicado médico da UAE Team Emirates-XRG, estas devem ser tratadas como avaliações iniciais e não como diagnóstico fechado.

Uma Vuelta que Pogačar estava a dominar

O abandono acontece numa altura em que Pogačar tinha construído uma vantagem muito importante na classificação geral.

O esloveno venceu o contrarrelógio inaugural no Mónaco, protagonizou uma longa ofensiva em Andorra e voltou a ganhar na sexta etapa, em Castelló. 

Depois de sete dias, chegava à etapa de Xeraco com três vitórias e mais de três minutos de vantagem sobre Enric Mas.

A classificação oficial antes da jornada colocava Pogačar na frente, seguido por Mas, Primož Roglič, Richard Carapaz e Felix Gall. 

Era também a primeira vez que Pogačar abandonava uma corrida por etapas durante a competição e o primeiro abandono provocado por uma queda desde a Liège-Bastogne-Liège de 2023.

Enric Mas passa a vestir a camisola vermelha

A principal consequência desportiva é a mudança de líder.

Enric Mas passa para o primeiro lugar depois de ter sido o adversário que mais resistência ofereceu a Pogačar durante a primeira semana.

O espanhol já tinha sido segundo na etapa de Castelló, onde conseguiu recuperar o ataque inicial do esloveno antes de perder o sprint final. 

Com Pogačar fora da corrida, a discussão pela vitória final abre-se também a corredores como Primož Roglič, Richard Carapaz, Felix Gall, Sepp Kuss e Oscar Onley.

A mudança acontece precisamente na véspera de uma das etapas mais exigentes da primeira semana, com chegada ao Alto de Aitana.

Coquard conquista finalmente uma etapa numa Grande Volta

Antes da queda de Pogačar, a jornada seguia um desenvolvimento bastante mais previsível.

Sinuhé Fernández atacou pouco depois da partida e passou grande parte dos 171 quilómetros isolado na frente.

A vantagem chegou perto dos seis minutos, mas a Visma | Lease a Bike assumiu parte importante da perseguição, com dois objetivos: preparar o sprint para Matthew Brennan e permitir que Wout van Aert continuasse a somar pontos.

Fernández foi alcançado ao quilómetro 133, pouco antes do sprint intermédio.

Van Aert venceu essa passagem e reforçou a posição na classificação por pontos.

Ataque tardio antes do sprint

Depois da queda e da passagem pelo Puerto de Barx, Xabier Mikel Azparren ainda tentou evitar a chegada em pelotão.

O corredor da Pinarello-Q36.5 conseguiu cerca de 20 segundos de vantagem, mas foi alcançado já dentro dos últimos dois quilómetros.

A preparação para o sprint voltou a ser marcada por nervosismo e nova queda.

Matthew Brennan procurou passar pela esquerda para conquistar a terceira vitória nesta edição, mas foi Coquard quem encontrou o espaço necessário na fase final.

O francês cruzou a meta em 3h47m06s, com Pedersen e Meeus a terminarem no mesmo tempo. 

A vitória tem um significado especial para Bryan Coquard.

O francês, de 34 anos, acumula dezenas de triunfos como profissional e vários lugares de destaque em sprints do Tour de France e outras grandes provas, mas ainda não tinha conseguido vencer uma etapa numa Grande Volta.

Em Xeraco conseguiu finalmente fazê-lo.

E fê-lo numa chegada onde estavam presentes vários dos principais homens rápidos da corrida.

Aitana ganha agora outro significado

A 9.ª etapa liga La Vila Joiosa ao Alto de Aitana ao longo de 187,4 quilómetros e encerra a primeira semana antes do dia de descanso. 

Já era uma das jornadas mais importantes do percurso.

Sem Pogačar, passa também a ser o primeiro grande teste da nova corrida.

Mas terá de defender a liderança perante Roglič, Carapaz, Gall e os restantes candidatos num dia com mais de 5000 metros de desnível.

Aquilo que parecia uma geral já bastante condicionada pela vantagem do esloveno ficou completamente reaberto em poucos segundos.