Sessenta e dois anos depois do seu avô Raymond Poulidor (1961), Mathieu van der Poel venceu a Milão-Sanremo e, como ele havia sonhado, em solitário! Atacando pouco antes do cume do Poggio, o neerlandês da Alpecin-Deceuninck ganhou alguns segundos a Filippo Ganna (INEOS Granadiers), Wout Van Aert (Jumbo-Visma) e a Tadej Pogacar (UAE Emirates), e não mais foi alcançado até cruzar a meta na célebre Via Roma.
Companheiro de equipa do vencedor do dia, o dinamarquês Soren Kragh Andersen ficou com o quinto lugar, logo à frente do compatriota Mads Pedersen (Trek-Segafredo). O vencedor no ano passado, o esloveno Matej Mohoric (Bahrain Victorious), terminou em oitavo.
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A corrida começou a definir-se, como é tradicional na Milão-Sanremo, na Cipressa, onde os companheiros de equipa de Tadej Pogacar tomam o comando. No entanto, o ritmo de Diego Ulissi e Felix Grossschartner não é suficiente para as pretensões do seu líder, mantendo um numeroso grupo no alto da subida. Uma das exceções mais destacadas é a do jovem Arnaud De Lie (Lotto Dstny), que, portanto, ficou desde logo a saber que venceria a Classíssima na sua primeira participação.
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A aproximação e a subida do Poggio serão, ao invés, explosivas! Ao contrário do que se suporia, não foi a UAE Emirates a continuar à frente do pelotão, mas a Bahrain Victorious, com o objetivo de imprimir um ritmo que permitisse a Matej Mahoric passar com os primeiros e depois lançar-se na descida fazendo uso dos seus dotes, como na sua bem-sucedida iniciativa na edição de 2022.
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No entanto, Pogacar não poderia ficar na expectativa e ordenou ao seu último homem capaz de fazer uma seleção a sério, Tim Wellens, que assim corresponde fazendo uma aceleração sufocante, com o seu líder na roda.
Ficam apenas cinco corredores, incluindo o belga e o esloveno, em que a surpresa, ou nem tanto, é Filippo Ganna, além de Wout Van Aert e Mathieu van der Poel.
A cerca de dois quilómetros do alto da subida, Pogacar parte então para a ofensiva, mas os três corredores referidos conseguem aguentar-se, reforçando-se a excelência do desempenho de Filippo Ganna, que é quem fecha o espaço para o corredor da UAE Emirates. Van Aert e Van der Poel sofrem na roda!

Depois de estabilizarem na roda de Pogacar, Van der Poel não demora a contra-atacar, surpreendendo todos. Pogacar, extenuado pelo esforço, não tem capacidade de reação, mas é o único que tenta fechar (ou encurtar) o espaço para o neerlandês.
Van der Poel passa com cinco segundos de vantagem no topo do Poggio e ao longo da descida não perde tempo, apesar de Van Aert ter comandado a perseguição. Restavam ao líder da Alpecin-Deceuninck 2,5 quilómetros de terreno plano antes da linha de chegada na Via Roma.
Neste troço, Van der Poel mostrou-se mais forte que os seus três perseguidores, que à entrada do último quilómetro renderam-se, e assim o neerlandês conquistou, isolado, o primeiro Monumento da temporada, o segundo na sua carreira após o Tour de Flandres (que venceu duas vezes, em 2021 e 2022). Na segundo posição ficou Filippo Ganna, que bateu Wout Van Aert (3.º) ao sprint, e Pogacar… outra vez quarto, como em 2022.
“A forma como venci excedeu as minhas expetativas e estou muito feliz por isso. Na Cipressa tivemos vento contrário e senti que as pernas estavam muito frescas. No Poggio encontrei um espaço entre Pogacar e a ‘parede’, ataquei e fui a fundo e arriscando depois na descida”, começou por afirmar o vencedor da clássica.
“Estava focado nesta corrida desde que voltei a treinar após a temporada de ciclocrosse. Na Tirreno-Adriático as coisas não correram como o esperado, precisei de dias de corrida para atingir o meu melhor nível”, continou o neerlandês.
“Não é apenas especial porque o meu avô venceu aqui, mas também porque é um Monumento que todos querem ganhar”, afirmou Van der Poel, que tentará a terceira vitória no Tour de Flandres no dia 9 de abril.
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Imagens: Milão-Sanremo Twitter



