Mathieu van der Poel escreveu uma das páginas mais marcantes da história do ciclocrosse. Em Hulst, o neerlandês conquistou o seu oitavo título mundial na categoria de elite masculina, superando um recorde que permanecia intocável há mais de cinco décadas e consolidando o seu estatuto como um dos maiores — senão o maior — ciclistas que a disciplina alguma vez conheceu.
Com este triunfo, Van der Poel ultrapassou o lendário Erick de Vlaeminck, detentor de sete títulos mundiais desde 1973. O palmarés do neerlandês passa agora a incluir os campeonatos do mundo de Tábor 2015, Bogense 2019, Dübendorf 2020, Oostende 2021, Hoogerheide 2023, Tábor 2024, Liévin 2025 e Hulst 2026.
O sucesso de Van der Poel no ciclocrosse é difícil de sobrevalorizar. Campeão mundial também na estrada e no gravel, é nesta disciplina que construiu uma hegemonia rara, marcada por uma sequência impressionante de vitórias e por uma superioridade técnica e física evidente face à concorrência.
“É muito especial. Quando comecei, o sonho era tornar-me campeão do mundo um dia na categoria de elite. Agora, ter o maior número de títulos de sempre… é incrível”, afirmou o neerlandês após a corrida.
Dentro do contexto competitivo, a vitória em Hulst não foi propriamente uma surpresa. Van der Poel chegou aos Países Baixos após dezenas de corridas praticamente imbatível, e enfrentou um percurso particularmente traiçoeiro, escorregadio e exigente do ponto de vista técnico — condições onde voltou a fazer a diferença, apesar da forte oposição.
Após cruzar a linha de meta, celebrou de forma pouco habitual no ciclismo, explicando o gesto na entrevista pós-corrida: “Em Espanha fazemos muitos sprints com placas de sinalização e muitas celebrações diferentes, mas o ‘si’ do Ronaldo é um dos mais usados. Achei que era a altura certa para fazer um.”
Curiosamente, Van der Poel reconheceu que não se sentiu no seu pico de forma. “Talvez no fim de semana passado me sentisse um pouco melhor, um pouco mais forte. Mas este percurso era completamente diferente. Tentei gerir a bicicleta e os pneus da melhor forma possível para evitar problemas mecânicos que pudessem estragar a festa.”
No final, o desfecho foi o habitual: mais um dia de sucesso e mais uma camisola arco-íris para uma coleção já histórica. A grande incógnita passa agora por saber se continuará a competir regularmente no ciclocrosse nas próximas épocas. Para já, aos 31 anos, Van der Poel pode simplesmente desfrutar do momento.
“Fiz o que tinha de fazer e estou muito feliz por tudo ter corrido bem”, concluiu.
Crédito da imagem: UCI_CX/X –



