Tom Pidcock foi segundo classificado na Três Vales Varesinos, mas o resultado desportivo acabou por ficar ensombrado por um incidente insólito e perigoso durante a prova italiana. Na zona mista, após a cerimónia do pódio, o britânico revelou que ponderou abandonar a corrida depois de dois dos seus companheiros da equipa Pinarello-Q36.5 terem sido abalroados por uma mota da polícia que circulava em sentido contrário.

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O episódio, que não foi captado pela transmissão televisiva em direto, ocorreu a seis voltas do final, no circuito. “Uma moto da polícia estava a circular em sentido contrário no percurso e chocou contra dois dos nossos homens”, relatou Pidcock.

“Antes de mais, quis parar de correr, estava furioso. Tinha companheiros a andar à minha frente, a trabalhar para mim, e dois deles foram parar ao chão… Felizmente, o Marcel estava bem e pôde continuar. O Tom também estava bem, no final das contas, mas abandonou a corrida e levou alguns pontos no joelho. Coisas destas não deviam acontecer”, declarou Pidcock, referindo-se a Marcel Camprubì e Thomas Gloag.

Apesar do susto, a formação da Pinarello-Q36.5 manteve-se ativa na frente do pelotão juntamente com a UAE Team Emirates-XRG. Na fase decisiva, Pidcock respondeu à aceleração do campeão do mundo Brandon McNulty, a 16 quilómetros da meta, e lançou de seguida o ataque que viria a definir a prova, levando consigo Matteo Jorgenson e o jovem Jarno Widar.

Após alguns momentos de tensão devido à relutância inicial de Jorgenson em colaborar, o trio estabeleceu um entendimento que permitiu chegar aos últimos dois quilómetros com uma vantagem de 30 segundos. Na aproximação à meta pela Via Sacco, os ciclistas estudaram-se mutuamente, mas foi o belga de 20 anos quem surpreendeu com uma arrancada decisiva.

“Não sei que avanço ele ganhou sobre nós, mas quando arrancou fui imediatamente atrás e já tinha uma boa distância”, admitiu o corredor britânico. “Foi um sprint muito impressionante da parte dele, por isso tiro-lhe o chapéu. Agora já sei para o futuro”, elogiou, com boa disposição face à exibição do vencedor.

Depois de ter sido igualmente segundo classificado no Giro dell’Emilia, no passado sábado, Pidcock somou mais pontos cruciais para as ambições da Pinarello, que visa alcançar a promoção ao WorldTour em 2029. Antes de rumar à China para disputar o Tour de Guangxi no final do mês, o corredor tem um compromisso de peso no calendário transalpino.

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Já no próximo sábado, alinhará à partida de uma edição da Volta à Lombardia sem Tadej Pogacar, num reencontro entre os favoritos que disputaram os recentes Mundiais de Montreal. “Vencer é sempre o objetivo, mas os lugares no pódio também não são maus”, avaliou o britânico na conferência de imprensa realizada na Camera del Commercio de Varese.

“Estou satisfeito com a minha forma neste final de temporada, porque há sempre sensações estranhas, pelo que posso entrar no fim de semana com confiança. Penso que vai ser uma corrida bastante aberta. Veremos”, concluiu.